Foi só mesmo para não perder o costume – as manhãs de domingo em San Telmo têm um colorido todo especial…  Esse era o nosso último dia na cidade antes do cruzeiro, e resolvemos aproveitar bem a manhã passeando antes de fazer o check-out do hotel. Como estávamos hospedados no centro, foi rapidíssimo chegar a San Telmo – demos uma volta pela feirinha, vimos vitrines das lojas na Calle Defensa, paramos para um café, e logo tomamos nosso rumo de volta ao hotel para iniciar uma nova etapa da viagem… ;-)

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42. Feira de San Telmo

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O ser humano é mesmo contraditório – vive dizendo que nunca mais vai fazer determinada coisa mas, quando vê, pronto, já fez… ;-) Não que isso seja de todo ruim – afinal, muitas vezes uma decisão tomada no calor do momento não deveria mesmo ser levada ao pé da letra!

No inverno de 2008 eu tive a experiência mais apaixonante que poderia imaginar em termos de tango em Buenos Aires: passei uma noite no Bar Sur. Fiquei tão encantada com a atmosfera mágica do lugar que escrevi no post que não queria mais freqüentar outro lugar… De certa forma, isso continua valendo: o Bar Sur é imbatível pra mim, ainda não caiu do primeiro lugar no meu “ranking tangueiro”. Mas a questão é que nem todas as pessoas estão interessadas em um espetáculo interativo – e, diga-se de passagem, o Bar Sur é mais interativo do que espetáculo… :oops:   A produção é bastante modesta, o bar em si é bem acanhado, e nem todo mundo acha divertido deixar de ser platéia para virar dançarino ao longo do show…

O tempo em Buenos Aires dessa vez era bem curto – uma tarde no dia da chegada, um dia inteiro e a manhã do dia do embarque no cruzeiro. Mas meus pais, que não iam à cidade desde o início de 2007 (não estou contando a viagem com o Jonas, porque não fizemos programas de adultos…), tinham vontade de ir assistir a um tango. Sondei um pouco e logo vi que não iam curtir o Bar Sur… Nem tentei convencer, e fui logo procurando alternativas mais apropriadas. (Aliás, eu continuo me devendo até hoje experimentar o tango no Café Tortoni – achei que seria dessa vez, mas ainda não vingou…)

A questão é que eu tinha lido / ouvido elogios ao Esquina Carlos Gardel, vindos de pessoas em cujo gosto eu confio (obrigada, Tatiana!) ;-) E resolvemos ir experimentar.

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O Esquina está situado no bairro de Abasto, bem em frente ao Abasto Shopping. A casa é linda, e muito bem localizada – é fácil chegar por conta própria, de táxi ou de metrô (linha B). Mas, como fizemos nossa reserva pela recepção do hotel, aproveitamos e pedimos o transporte gratuito oferecido – prático e confortável, mas nem tão rápido, já que acabamos fazendo um tour por vários hotéis para buscar outras pessoas…

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Como de costume, eu reservei o show sem jantar. Em janeiro, pagamos Ar$ 245 por pessoa, ou cerca de R$ 125. Acabo de verificar no site que o preço já subiu para Ar$ 295 – a inflação argentina está mesmo à solta… (O show com jantar, que custava Ar$ 350, já bateu nos Ar$ 420…)

Dessa vez, entretanto, acho que não foi uma boa decisão dispensar o jantar… Nem tanto pelo jantar em si, já que eu nunca boto muita fé que esses jantares serão memoráveis, mas porque os espectadores que dispensam o jantar ficam acomodados no bar – e eu achei não apenas desconfortável como também mal situado, muito longe do palco… :-( Ou seja, o jantar se transforma, de certo modo, em um passe para uma boa localização…

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Quanto ao show em si, foi literalmente um espetáculo!!! Apesar da distância, eu grudei os olhos no palco, de tão hipnotizada… :D E amei a idéia de plantar a orquestra na parte de cima do palco, bem à vista dos espectadores, ao invés de naquele fosso abaixo do palco, como é de praxe na maioria dos teatros…

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Saldo da noite? Super positivo! Bons cantores, ótimos dançarinos, tangos conhecidos, uma orquestra excelente. Ah, sim, e vinho à vontade (hic!), não apenas uma tacinha de cortesia… ;-) Fica apenas a dica: no Esquina Carlos Gardel, investir no jantar é quase sinônimo de conseguir um lugar melhor para assistir ao show…

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Fonte: http://www.tigretienetodo.com.ar/sm%20mapa%20centro%20mio.htm (No site o mapa é grande e clicável!)

Como eu (quase) contei no post anterior, dessa vez no Tigre eu tive uma epifania… Percebi que, ao menos no meu caso particular, não é muito interessante chegar lá via Tren de la Costa, mesmo gostando bastante da viagem.  A questão é que o Tren de la Costa chega na estação Delta, que  está próxima do Parque de la Costa, do Puerto de Frutos e da Estação Fluvial, mas mal localizada em relação ao Paseo Victorica, onde estão as atrações que mais me interessam: o pátio do Museo Naval com seus aviões de guerra, a arquitetura linda do Museo de Arte, que já foi um hotel, vários restaurantes à beira do Río Luján… Valeu ter feito esse trajeto ainda dessa vez, porque eu queria muito ir ao Puerto de Frutos. Mas, sob o sol abrasador, acabamos não tendo quase nenhuma disposição para caminhar, e seguimos  um percurso relativamente curto…

O mapa está pequeno, mas acho que dá pra acompanhar… A estação Delta está na parte superior do mapa – saindo da estação, caminha-se para a direita, passando pelo Parque de la Costa e pelo Casino, para chegar ao Puerto de Frutos.

Parque de la Costa

Parque de la Costa

Entrada do Puerto de Frutos

Entrada do Puerto de Frutos

O Puerto de Frutos é um grande mercado onde se encontra de comida a móveis, passando por artesanato, roupas e objetos de decoração. Está situado bem à margem do Río Luján, e dali também saem alguns passeios de barco de curta duração.

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Do Puerto de Frutos tomamos o caminho de volta à estação Delta – atravessamos a estação em direção ao Río Tigre e seguimos pela Avenida Mitre, onde há vários clubes de pesca e remo, até chegar à ponte.

Club Italiano, um dos mais bonitos da Avenida Mitre

Club Italiano, um dos mais bonitos da Avenida Mitre

Cruzamos a ponte em direção à Avenida Lavalle. Se tivéssemos chegado de trem comum, pela estação Tigre, nosso passeio começaria aqui, atravessando a ponte e seguindo pela Lavalle em direção ao Paseo Victorica.

Cruzando a ponte...

Cruzando a ponte...

Vista do Río Tigre

Vista do Río Tigre

Com o sol de meio-dia brilhando sem dó, resolvemos dar uma parada para comer alguma coisa. A escolha foi o Tanto la Quería, um restó-bar super simpático, bem localizado na Avenida Lavalle, próximo à ponte.

Tanto la Quería

Tanto la Quería

O calor era muito… Decidimos então ignorar a varanda ao ar livre, onde batia sol,  e preferimos o salão interno, ainda bem vazio àquela hora:

A varanda do Tanto la Quería

A varanda do Tanto la Quería

O salão interno

O salão interno

Como a fome era pouca, tivemos a idéia de trocar o almoço por um sanduíche. O cardápio trazia um monte de sugestões apetitosas, entre elas um lomito, que de ito não tinha nada… O sanduíche estava uma delícia, mas era imenso!

Lomito? ;-)

Lomito? ;-)

Depois do “almoço” não tivemos disposição de encarar a caminhada debaixo do sol quente até o Paseo Victorica, e achamos melhor tomar o trem de volta a Buenos Aires. Deixei de ir a vários lugares onde gostaria de ter ido, mas consegui o que eu achava mais difícil – apesar do desconforto do calor excessivo, deixar de lado os passeios de barco me fez gostar de ir ao Tigre dessa vez! Faço até planos para, na próxima vez em que for a Bs.As. por no mínimo 1 semana (talvez quando alugar um novo apê), não fazer um bate-e-volta ao Tigre, e sim ficar um fim de semana, pra ter tempo de passear com calma – e, quem sabe, até gostar de passear de barco… 8)

Pois é, que bom que eu não tenho problema nenhum com mudar de idéia!!! :D

Não sei se vou conseguir convencer alguém que já tenha lido várias vezes por aqui que eu não gosto de ir ao Tigre que eu não tenho um traço masoquista na minha personalidade… Mas, desde que eu publiquei o post sobre o Tigre tantas pessoas fizeram comentários positivos sobre seus passeios por lá (alguns bem diferentes dos que eu já tinha feito) que eu fiquei muito tentada a experimentar ainda mais uma vez. Eu sou teimosa assim mesmo: não acredito muito em primeiras impressões, e nem em segundas, ao que parece… Além disso, acho muito esquisito eu não gostar de um lugar! Não é que eu não tenha as minhas preferências, mas normalmente consigo ver qualidades até nos lugares que não me encantam tanto. Nesses casos eu digo: “Bom, não é a minha praia, mas entendo porque outras pessoas gostam” e isso me satisfaz. Mas não consigo sossegar enquanto não descubro o que faz as pessoas gostarem de lugares que a mim não dizem nada – e foi por isso que eu me propus a ir investigar o Tigre uma terceira vez… ;-)

É muito fácil chegar ao Tigre por conta própria. Para quem vai pela primeira vez, acho interessante tomar o Tren de la Costa, o trem turístico que sai da estação Maipu, já na fronteira entre a Capital Federal propriamente dita e a Provincia de Buenos Aires. Pode-se chegar até lá de táxi , de ônibus (o no.152 deixa exatamente em frente à estação, do outro lado da rua) ou de trem urbano. A nossa opção foi pelo trem urbano, que tomamos na estação Retiro, a uma curta caminhada do nosso hotel na Calle Reconquista:

Estación de Retiro - Fonte: Wikipedia

Estación de Retiro - Fonte: Wikipedia

Logo na entrada da estação estão situadas as bilheterias. É preciso apenas observar o guichê correto, de acordo com o destino – no caso, a estação Mitre.

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Nosso bilhete custou Ar$ 2,20, pouco mais de R$ 1,00.

Passagem baratinha...

Passagem baratinha...

Os trens são simples, e não estão muito bem conservados:

Trem urbano para Mitre

Trem urbano para Mitre

Chegando à estação Mitre, é preciso cruzar a passarela sobre a Avenida Maipu para chegar à estação Maipu, de onde parte o Tren de la Costa. (Só por curiosidade, essa avenida é a continuação da Avenida Cabildo que, por sua vez, é a continuação da Avenida Santa Fe.)

O itinerário do Tren de la Costa

O itinerário do Tren de la Costa

O Tren de la Costa, sim, é um trem muito mais confortável que, obviamente, custa mais caro, sem ser absurdo – Ar$ 12,00, ou R$ 6,00.

Tren de la Costa

Tren de la Costa

Acho a viagem em si bem divertida – o trem cruza várias áreas muito bonitas da Provincia de Buenos Aires, e faz  paradas em estações interessantes, entre as quais San Isidro, ao longo do caminho até a estação Delta.

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Eu sempre fui ao Tigre pelo Tren de la Costa. E, em todas as vezes, voltei de trem comum, a partir da estação Tigre de volta à estação Retiro, na Capital Federal. Dessa vez, entretanto, eu tive uma epifania – mas vou deixar pra contar no próximo post, pra não me desconcentrar das dicas de transporte desse aqui… ;-)

Na volta, pegamos o trem na estação Tigre:

Estación Tigre

Estación Tigre

A estação está super bem cuidada, e o trem também me agradou – mais novo e mais confortável do que o que tomamos do Retiro a Mitre.

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E não é que, para minha surpresa, o bilhete Tigre – Retiro custou ainda mais barato?!? Gastamos Ar$ 14,20 para ir do Retiro ao Delta, e apenas Ar$ 1,35 para voltar… :mrgreen:

Passagem ainda mais baratinha...

Passagem ainda mais baratinha...

A quantos me perguntam, eu sempre repito a mesma ladainha: “Mais vale se hospedar na Recoleta do que no centro. A Recoleta também é um bairro central, de fácil acesso, e muito mais bonita e agradável. O centro de Buenos Aires está decadente, e parece que apenas as operadoras de turismo brasileiras ainda não se deram conta disso.”

Pois então eu me contradisse ao escolher o Hotel Lafayette para me hospedar dessa vez? Sim – e não. ;-)

Eu escolhi o Lafayette exatamente por conta de sua localização central. Nesse pouco tempo em Buenos Aires antes de embarcar no cruzeiro, os nossos interesses estavam quase todos concentrados na região central da cidade: queríamos nos hospedar perto do Terminal de Embarque de Cruceros, almoçar no El Potrillo (antigo La Caballeriza de Puerto Madero, agora devidamente rebatizado) na 6a.f. da chegada, passar o sábado no Tigre, ir a um show de tango em Abasto (no Esquina Carlos Gardel) no sábado à noite e espiar a Feria de San Telmo no domingo pela manhã, antes de pegar a bagagem, fechar a conta do hotel e embarcar no navio. O nosso único desvio até a Recoleta foi para encontrar o JB e as meninas para a ótima noite regada a empanadas e vinho no El Sanjuanino. Sendo assim, embora aparentemente tenha sido uma contradição, foi uma contradição calculada, e que serviu perfeitamente aos nossos propósitos. Mas, para que não pareça que estou jogando minhas convicções aos quatro ventos, tenho que deixar bem claro que o Lafayette está situado em uma área mais aprazível do centro, no trecho em que a Calle Reconquista é uma rua de pedestres, a meia quadra da nova filial da Persicco e, dependendo da direção que se tome, a cinco minutinhos de caminhada tanto da Plaza San Martin quanto das Galerías Pacífico (mas sem o burburinho que acompanha o entorno desta…)

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Reservei um quarto triplo por 2 noites, pelo Expedia, a US$ 108 a diária, para pagamento no check-out, sem impostos incluídos. Para minha surpresa e satisfação, não tive que pagar o IVA de 21% em nenhum dos hotéis em que me hospedei na Argentina. Soube que os estrangeiros são isentos do imposto – fiz meu registro nos hotéis com o passaporte, não sei se essa isenção também se aplica ao usar a carteira de identidade…

Eu adoro um quarto enorme!

Eu adoro um quarto enorme!

Com escritório e wi-fi grátis, então... ;-)

Com escritório e wi-fi grátis, então... ;-)

Eu já havia me hospedado no Lafayette em 2000, e tinha boas lembranças. O hotel me agradou também dessa vez – eu só pensaria duas vezes antes de ficar lá novamente por causa mesmo da localização. Os pontos mais positivos, na minha opinião, são o excelente serviço e o tamanho e o conforto dos quartos e banheiros. A decoração é antiga, tradicional, até meio pesada, mas isso não chega a comprometer, principalmente porque o hotel não sofre daquele cheiro de mofo tão característico de muitos hotéis, já bem decadentes, do centro de Buenos Aires… Assim, a questão da decoração torna-se apenas uma questão de gosto mesmo, não de funcionalidade. Ah, a idade do hotel não se mostra nos banheiros, que estão renovados – são espaçosos e bem iluminados.

Por outro lado, os dias que passamos lá foram de calor intenso, e o ar-condicionado demorava bastante para dar conta de refrescar um ambiente tão grande! Também achei o café da manhã meio sem graça… (É curioso que um dos melhores cafés da manhã, entre os hotéis onde já me hospedei em Buenos Aires, tenha sido o do Facón Grande, um hotel simples e despretensioso, quase em frente ao Lafayette…)

No cômputo geral, o Lafayette me parece uma boa escolha para quem busca hospedagem no centro, com qualidade, conforto e boa localização (dadas as restrições do centro, claro). Como eu gosto de uma boa relação custo-benefício… ;-)

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