A experiência de alugar apartamentos em Buenos Aires foi bem gratificante para mim nas duas vezes em que escolhi essa forma de hospedagem. Entretanto, nas duas últimas visitas que tinha feito à cidade, em janeiro/fevereiro de 2010 e em julho de 2011, o meu tempo de permanência não justificou a escolha de um apartamento, e acabei optando mesmo pelo bom e velho hotel.

Finalmente, depois de mais de 2 anos de intervalo, chegou a hora então de escolher o meu terceiro endereço portenho. E eu queria escolher um “lar” bem bacana, já que essa seria também a primeira vez em terras portenhas para uma pessoa muito especial: o meu namorado/marido, que não curte muito viajar… :shock:

Emiti as nossas passagens aproveitando uma promoção de milhas reduzidas da TAM que quase nos deixou em Buenos Aires de vez… Explico: emiti a ida com 4.000 milhas, mas não consegui a volta nessa promoção de jeito nenhum! Como não tínhamos 15.000 milhas por cabeça pra voltar (e acho que não usaria tantas milhas assim pra um trechinho tão curto, mesmo que tivesse…), a princípio pensei em cancelar a viagem ou ficar por lá pra sempre… :lol: Busquei várias alternativas, e o jeito foi emitir a volta pela GOL, com 10.000 milhas pra cada um, mas disponível apenas para alguns dias depois da nossa data selecionada. Por causa desse quebra-cabeças, a semana planejada inicialmente acabou se transformando em 10 dias.

Eu tinha alguns pré-requisitos básicos que o apê deveria cumprir:

- boa localização na Recoleta ou no Barrio Norte;

- bom custo x benefício – não precisava ser super barato, já que não estávamos gastando com as passagens, mas também não poderia ser caríssimo;

- bom tamanho – não queria a sensação de claustrofobia se resolvêssemos “ficar em casa” de vez em quando…

- charme, beleza e aconchego – pelo mesmo motivo acima… ;-)

O eleito foi esse sala-e-quarto que encontrei na BytArgentina, ao custo de US$ 500 por semana, situado na Azcuénaga quase esquina com a Avenida Las Heras. Não fiz as minhas próprias fotos do apê, porque achei as do site bastante fiéis à realidade – então copio as mais relevantes aqui…

O apartamento visto da porta de entrada

O fato de ser estruturado em térreo e mezzanino me agradou a princípio – a sensação de espaço é ótima! Mas logo cansei da brincadeira de subir escadas a toda hora…

Os ambientes da sala de estar e da sala de jantar

O apê tem 60 m2, que me pareceram super bem aproveitados. A divisão de ambientes é boa (no térreo, hall de entrada, cozinha, sala de estar, sala de jantar; no mezzanino, o quarto e o banheiro) com apenas uma ressalva – seria muito bom se houvesse ao menos um lavabo no térreo…

A sala de jantar e a cozinha americana ao fundo

Eu sou uma grande fã das cozinhas integradas à sala, e essa aí me ganhou: bonita, prática e bem equipada.

O quarto no mezzanino

O quarto também foi um ponto alto: bastante espaço, cama confortável, roupas de cama e travesseiros de qualidade e um excelente armário (na parede oposta à cama, que não aparece nas fotos).

O banheiro, no 2o. andar

O banheiro deixou a desejar, infelizmente… :-( Para um apartamento desse porte e desse preço, o chuveiro era lastimável: ninguém merece um fluxo baixo e desgovernado de água que exige secar o chão do banheiro todo a cada vez que se toma banho…

O pátio interno

Como o apê está situado no térreo, pensei que talvez pudéssemos ter problemas com o barulho da rua – mas, felizmente, não se ouve nada do trânsito da Avenida Las Heras. Por outro lado, tivemos o imprevisível barulho de uma obra em um dos prédios vizinhos…

No geral, o apê apresentou mais qualidades do que defeitos – tínhamos, por exemplo, aquecimento independente nos dois andares. Além disso, a proprietária mora no mesmo prédio, o que sempre ajuda na hora em que é preciso resolver qualquer coisa, como quando eu desliguei o aquecedor por acidente e não sabia ligar de novo… ;-)

Um detalhe prático é que o metrô é bem distante, cerca de 10 quadras até a estação Pueyrredón da Linha D. Por outro lado, a Avenida Las Heras é farta em ônibus para todo canto – e eu acabei redescobrindo esse meio de transporte, que não usava lá desde a primeira vez em que visitei a cidade…

Mas isso é um assunto para outra hora…

Como eu já tinha mencionado, fomos ao Tigre no dia das eleições municipais em Buenos Aires, quando muitos estabelecimentos estavam fechados. A nossa idéia era reservar o Astrid y Gastón para o jantar, já que eu e Paulinho queríamos mais um carimbo no nosso “cartão-fidelidade”… ;-)

Mas o Astrid não abriu no dia das eleições, e então resolvemos lançar mão de um plano B e guardar a idéia de ir ao Astrid para o dia seguinte. O nosso plano B era o Sottovoce, ali mesmo na Recoleta, bem pertinho do hotel. Aliás, depois de um dia inteiro passeando a pé no Tigre a melhor decisão foi mesmo jantar a cinco minutos de caminhada do hotel…

Nosso jantar foi simples e delicioso. O restaurante não estava muito cheio quando chegamos – o que sempre acho ótimo…

Pãezinhos e vinho Escorihuela Gascón

Dessa vez eu e Paulinho voltamos a pedir o mesmo prato – ainda bem, ou eu provavelmente teria ficado de olho no prato dele… ;-)

Pappardelle con hongos

Na noite seguinte fomos então conferir a filial portenha do Astrid y Gastón. Devo dizer que, no meu ranking pessoal, a de Lima continua imbatível – mas gostei mais da de Buenos Aires do que da de Santiago… ;-)

Astrid y Gastón Buenos Aires

O JB escreveu um post contando esse jantar em detalhes, então vou me ater apenas a mostrar algumas fotos, inclusive a do salmão com os melhores canelones do mundo que ele menciona no texto… ;-)

A tradicional cestinha de pães…

Tequeguisos

Salmão grelhado com os melhores canelones do mundo... ;-)

O pisco sour quase esquecido...

... e o imprescindível suspiro a la limeña

E com esse jantar fechamos o nosso fim de semana prolongado. No dia seguinte foi o tempo de acordar, tomar o café da manhã e rumar para o Aeroparque para o vôo de volta.

Devo confessar que, para uma pessoa que costumava repetir que não gostava de ir ao Tigre, eu já fui muito mais vezes do que seria de se esperar… Para ser exata, foram quatro vezes, na tentativa não de me acostumar com o passeio, mas sim de encontrar a fórmula precisa para me agradar. Eu sabia que já estava no caminho certo da última vez – e agora tudo funcionou à perfeição.

Logo após o café da manhã seguimos para a Estação Retiro, onde tomamos o trem comum até Tigre. Preferimos o trem comum porque a Estação Tigre é muito mais bem localizada para quem quer visitar a região do Paseo Victorica, enquanto a Estação Delta, onde chega o Tren de la Costa, serve melhor a quem vai ao Parque de la Costa, ao Puerto de Frutos ou à Estação Fluvial.

Estação Tigre

Iniciamos o nosso passeio cruzando a ponte sobre o Rio Tigre em direção à Avenida Lavalle.

Rio Tigre

Clube de Remo

Avenida Lavalle

Catamarã no Rio Tigre

No ponto em que a Avenida Lavalle encontra a Avenida Victorica – e, portanto, onde o Rio Tigre encontra o Luján – está o Monumento al Remero.

Monumento al Remero

Seguimos caminhando pela Avenida Victorica…

Avenida Victorica, ao longo do Rio Luján

Clube de Remo

Avenida Victorica

Chegamos então ao Museo Naval, com seu pátio repleto de aviões de guerra.

Pátio do Museo Naval

Avenida Victorica

A essa altura já estávamos começando a sentir fome, e começamos a prestar atenção em algum lugar simpático para um almoço leve. Logo avistamos um que nos agradou – o Villa Julia Suites & Resorts;-)

Villa Julia

Villa Julia

Entramos na propriedade, e achamos o casarão principal muito bonito – a sensação, entretanto, era engraçada, porque tudo parecia muito vazio…

O casarão do Villa Julia

Jardim do Villa Julia

Varanda do Villa Julia

Assim que entramos no restaurante, vimos que lá dentro o movimento era bem mais intenso. Como era inverno, mesmo o dia ameno e ensolarado não era assim tão convidativo a um almoço no jardim… ;-)

Restaurante Villa Julia

O trio elétrico e faminto...

Mais uma vez, só mesmo o JB sabe o que comemos… ;-) Segundo ele, foi uma baguete de presunto cru com queijo fontina e rúcula – optamos por um sanduíche porque já estava um pouco tarde e não queríamos estragar os planos para o jantar…

Baguete de presunto cru com queijo fontina e rúcula

Brownie com sorvete de doce de leite

Após o almoço, caminhamos um pouco mais pela Avenida Victorica, rumo ao Museo de Arte Tigre.

Avenida Victorica

Museo de Arte Tigre

O museu está instalado em um dos prédios mais cheios de história da região, que já foi clube, hotel, cassino e ainda ficou fechado por longos anos até ser restaurado e reinaugurado como o atual museu.

O belo edifício do antigo clube / hotel / cassino

Museo de Arte Tigre

Museo de Arte Tigre

Dali começamos a fazer o percurso inverso, a fim de pegar o trem de volta à Capital. Cada paisagem, cada casa com seu pequeno pier parecia mais bonita e interessante que a anterior – é mesmo um estilo de vida bem pitoresco… ;-)

Casa no Rio Luján

Outra casa no Rio Luján

Mais uma casa no Rio Luján

Ainda demos a sorte de arrematar o dia com um belo pôr-do-sol à margem do rio…

Pôr-do-sol à margem do Rio Luján

Foi um passeio bem diferente, esse que privilegiou a outra margem do Rio Tigre. Fica a dica pra quem quiser passar um dia incomum por lá, sem se ater à parte mais conhecida. Eu já sabia – e dessa vez confirmei – que vou gostar bastante se um dia tiver a oportunidade de ir passar um fim de semana completo… ;-)

Acordamos relativamente cedo e fomos até a varanda espiar como estava o tempo – fresco, mas não muito frio, perfeito para sair para um belo passeio a pé.

Vista da nossa varanda; ao fundo, a Iglesia del Pilar

Outro ângulo...

Descemos para tomar um bom café da manhã, sem pressa. Na minha opinião, essa é uma das maiores recompensas de viajar com calma, sem obrigações e horários a cumprir – ter tempo para curtir uma boa refeição, sem o stress do dia-a-dia e sem o stress de viajar para cumprir tarefas…

Salão de café da manhã no Urban

O café da manhã do hotel é gostoso, mas o ponto alto são os cafés, cappuccinos e chocolates quentes. Delícia… ;-)

Cappuccinos e chocolates deliciosos

Depois de bem alimentados, saímos então para passear. Éramos três flâneurs meio de araque, porque não estávamos indo tão ao sabor do momento quanto seria de se esperar… A verdade é que a nossa caminhada tinha que nos levar ao centro e com hora marcada para chegar, porque o JB tinha combinado um encontro com a filhota que estava em Bs.As. estudando espanhol… :)

Mas foi muito gostoso brincar de flâneur… Seguimos pela Avenida Alvear, parando para olhar vitrines, entrando em uma ou outra loja…

Plazoleta Carlos Pellegrini e a residência do embaixador brasileiro
A linda Embaixada da França 

Na altura da Plazoleta Carlos Pellegrini paramos para admirar o palácio que serve de residência ao Embaixador do Brasil e a Embaixada da França, um pouquinho mais adiante…

A caminho do centro

Continuamos a caminhada pela Cerrito, já observando a mudança no movimento – embora fosse uma manhã de sábado, já estávamos colados na Avenida 9 de Julio…

O Teatro Colón 

Quando chegamos ao Teatro Colón, fomos ver se seria possível fazer a visita guiada. Infelizmente, os grupos já estavam esgotados até 2a.f., ou seja, até o fim da nossa estada na cidade! De todo modo, fiquei impressionada ao ver o quanto a reforma do teatro inflacionou o preço da visita guiada, que custava meros 5 pesos em 2004 e agora custa absurdos 110… :shock:

Contraste entre o novo e o antigo

Sem a possibilidade da visita, passeamos mais um pouco pelo centro, encontramos a filha do JB e seguimos todos para um almoço no Puerto Madero, no restaurante El Potrillo. Eu costumo “bater ponto” no El Potrillo desde que ele se chamava La Caballeriza – é o restaurante favorito do meu pai, e vamos lá uma ou duas vezes sempre que viajo com eles.

“Meu” vinho… ;-)

Não resistimos ao jogo de palavras e pedimos um vinho Portillo no Potrillo… :D Pedimos bifes de lomo e papas provenzales, e tudo estava muito gostoso como sempre – mas, como o JB bem lembrou no post dele, as porções encolheram um bocado… :-(

Depois do almoço caminhamos um pouco pelo centro – seguimos a Florida, entramos na Falabella e nas Galerías Pacífico, fomos até a Plaza San Martin e de lá tomamos a Avenida Santa Fé em direção ao hotel.

No caminho de volta ao hotel

Já estava escuro quando chegamos, embora não fosse mais do que umas 6 horas da tarde – coisas dos meses de inverno… Resolvemos ficar um pouco no hotel descansando da maratona para poder aproveitar bem a noite – afinal, tínhamos uma reserva para jantar no Green Bamboo e estávamos todos ansiosos por matar as saudades dos sabores da Ásia… ;-)

Green Bamboo

O JB fez o dever de casa melhor do que eu, e sabe direitinho o que comemos nesse jantar – eu, a relapsa, não sabia mais o nome de nenhum dos pratos… :oops:

De entrada, Nem Song

Como prato principal, Bò Lúc Lác

Vou copiar aqui o trechinho em que o JB explica tudo sobre o jantar:

Para o jantar de sábado, escolhemos o Green Bamboo, que agora fez uma pós graduação e deixou de ser um restaurante do sudeste asiático para focar estritamente na comida vietnamita.

De entrada comemos Nem Song, que são rolinhos vietnamitas com langostinos – deliciosos! Para o prato principal, todos fizeram a mesma escolha : Bò Lúc Lác, um prato de carne cortada em cubos com um molho sensacional, acompanhada de Côm Boc Trung – arroz com amendoim, envolto em ovos e Com Nep Chien, um bolinho de arroz em uma base de feijão. Tudo isso deglutido com a ajuda da Lolita – um drinque feito de vodka Absolut de manga, suco de manga, mel e gengibre. Nham…

A conta veio um pouco salgada para Buenos Aires (cerca de 250 pesos por pessoa), mas custaria o dobro se fosse em algum restaurante no Rio de Janeiro. Triste!

Ao longo desse jantar delicioso, fizemos planos para o dia seguinte. O domingo seria dia de eleições municipais em Buenos Aires e, segundo nos disseram, muitos estabelecimentos estariam fechados, inclusive restaurantes…

A melhor idéia que nos ocorreu foi sair da cidade e ir passear em outro lugar. Consideramos algumas opções – Colonia? La Plata? Tigre? – e acabamos decidindo fazer como boa parte dos portenhos e dedicar o nosso domingo a um passeio ao Tigre. ;-)

Como não poderia deixar de ser, as promoções de milhas reduzidas das companhias aéreas no ano passado me levaram de volta também à minha querida Buenos Aires. Fui passar um fim de semana meio “esticado”  (de 6a.f. à noite a 3a.f. de manhã, durante as férias de julho) com os amigos Paulinho e JB. Conseguimos passagens de ida e volta pela TAM, voando para o Aeroparque, por 4.000 milhas o trecho.

O JB já contou essa viagem no Descobrimento da América +, com alguns detalhes práticos de que eu não me lembrava mais… Mas, como o narrador faz toda a diferença para o texto final, não resisti a contar a viagem pelo meu ponto de vista… ;-)

Pesquisei hotéis no Booking, porque queríamos fazer uma reserva sem pagamento adiantado. Consegui o quarto triplo no Urban Suites Recoleta a uma diária de US$ 175 mais taxas. Não foi exatamente uma barganha – no início de 2010 eu tinha conseguido exatamente o mesmo tipo de quarto a US$ 135 – mas, como não estávamos pagando a passagem, achamos que valia fazer uma pequena extravagância… ;-)

Urban Suites Recoleta

Recepção

O hotel é mesmo muito bonito e confortável. Nosso quarto triplo era imenso – além do que está na foto, ainda havia uma mini-cozinha e um armário bem grande com espelho na porta. E agora não há mais a preocupação com o barulho externo, desde que o Sahara Continent fechou… ;-)

Quarto triplo – bem espaçoso…

Ótimas amenities - mas esse espelho poderia ser maior... ;-)

Chegamos em uma noite de 6a.f. Como aterrisamos no Aeroparque, que fica a poucos minutos de táxi da Recoleta, nos instalamos rapidinho e logo saímos para jantar. Seguindo a sugestão do JB, que já conhecia o restaurante – considerado por ele o melhor custo x benefício de Buenos Aires – fomos jantar no La Parolaccia Trattoria do Barrio Norte.

Vinhos no La Parolaccia Trattoria

Pãezinhos e vinho

Cada um pediu um prato diferente – meu risotto estava super gostoso, mas confesso que me arrependi por não ter pedido o mesmo prato que Paulinho, como de hábito… O spaghetti com camarões dele estava lindo! ;-)

Meu risotto de gorgonzola

O spaghetti com camarões de Paulinho

A massa do JB - não me lembro exatamente o que era...

As massas estavam muito saborosas, e jantamos muito bem. Para coroar a refeição, resolvemos dividir um belo tiramisú.

Nosso tiramisú comunitário

Ao fim do jantar, voltamos caminhando para o hotel para descansar bastante para os passeios do fim de semana.

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