Archive for March, 2007

O prato mais típico do Uruguai não é exatamente um prato, e sim um sanduíche. Embora os restaurantes uruguaios, assim como os argentinos, sejam famosos pelas parrilladas, o prato uruguaio por excelência é o chivito – ou seja, o ”bodinho”. (Hein?!! Como é que o papo estava em parrillada e foi dar em bode?!? :o )

Calma, calma, sem stress que o chivito só dá bode no nome… :D Chivo quer dizer “bode” em espanhol – portanto, chivito é o “bodinho”… O sanduichão é equivalente a um bom almoço ou jantar: pão, filé (bovino, tá, gente, não é de bode, não…), ovo, bacon, presunto, queijo, alface e tomate – e ainda vem com batatinhas fritas!!! Alguns (como eu) tem que dividir com alguém pra poder dar conta do recado…

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Para a sobremesa, dentre as mil e uma opções de dulce de leche à disposição, me encantei com as vaquitas da Lapataia… É um doce de leite sólido, cremosinho por dentro, que lembra o nosso pingo de leite, mas com muito menos açúcar. Os doces Lapataia são fabricados com leite fresquíssimo no Tambo El Sosiego, uma fazenda aberta à visitação, onde se chega pela Parada 45 da Playa Mansa, no caminho para Punta Ballena. Uma delícia, que imagino ser fácil de encontrar apenas em Punta mesmo… Vi doces Lapataia em potes tanto em Montevidéu quanto em Colonia, mas as vaquitas… ficaram só na saudade mesmo!

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Foto: Lapataia

“Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede…”

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Foi uma surpresa – e daquelas com gosto de infância! – descobrir que a “casa muito engraçada” da letra de Vinícius de Moraes existe. Os versinhos distraíram as filhas de Vinícius em uma visita ao amigo uruguaio Carlos Paez Vilaró, quando o Casapueblo não passava de um ateliê de lata e madeira, construído por um artista excêntrico (o próprio Vilaró), numa encosta belíssima de Punta Ballena.

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Hoje em dia, a “casa muito engraçada” abriga não apenas um museu e o ateliê de Vilaró, mas um dos mais belos hotéis da regiào de Punta del Este. Ah, sim, e já tem teto, chão e paredes… ;-)  

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Em uma próxima ocasião, penso até em me hospedar por lá… Vai dizer que o Casapueblo não combina comigo? ;-)

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Todos os dias, o Casapueblo abre suas portas para receber interessados em visitar o museu – e ainda mais interessados em ficar para o pôr-do-sol, considerado um dos mais bonitos de Punta. A cerimônia do pôr-do-sol no Casapueblo já se tornou um evento clássico em Punta del Este. Fui conferir, claro, e depois de tão “perseguida pelo mau tempo”, como disse o Riq, eu achei o espetáculo grandioso – imagina, nem choveu!!!

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Mas… (lá vem ela reclamar!) só o que me incomodou foi justamente o que muitos acham a parte mais emocionante – a tal da gravação do Vilaró dizendo mil e uma coisas preparadas para amolecer o mais empedernido dos corações… Não gosto, assim como não gosto de trilha sonora, de aplausos, de nada que tente “melhorar” a natureza pura e simples do meu pôr-do-sol… ;-)

Quando se decide ficar tão pouco tempo em uma cidade quanto eu fiquei em Punta – um pouco menos de 3 dias – a torcida pelo tempo bom tem que ser intensa. Nós começamos mal, com um temporal na primeira noite; na manhã seguinte, o tempo ainda estava meio esquisito – e aí, haja imaginação pra conseguir ver como seria aquele lugar com um belo céu azul… ;-) Por outro lado, o tempo meio nublado convida a procurar no local uma beleza diferente da que estamos acostumados a ver nas praias ensolaradas. Vale o exercício poético – e, se não funcionar, a gente sempre pode brincar de mudar a realidade no Photoshop!

Seguimos pela orla da Brava em direção a La Barra e José Ignacio. É muito interessante notar que, a partir de uma certa altura, a Brava vai ficando mais e mais deserta, só se vê um ou outro condomínio à beira-mar.  Bem no finalzinho, já próximo à ponte para La Barra, a paisagem meio desolada já não tem o glamour que se associa à Punta:

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A ponte para La Barra é uma atração por si só – amei as linhas curvas, o inusitado de uma ponte com “corcovas”:

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José Ignacio é um recanto tranqüilo, de uma rusticidade que me pareceu bem elegante – ou seriam os meus olhos? Simpatizei com o lugar imediatamente, e de graça! Mas, fotos mesmo, só consegui do Farol e da praia, antes que um novo temporal me afugentasse de lá rapidinho… ;-) É por essas e outras que não basta ir a um lugar uma única vez – é preciso voltar!!!

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… qual é o fascínio que os cassinos exercem sobre algumas pessoas. Eu tento, sério! Eu sei que faz tempo que os cassinos não me agradam – o barulho me incomoda, a fumaça me dá alergia… Em Las Vegas eu fiquei traumatizada porque sempre me perdia dentro do cassino do hotel antes de conseguir encontrar o elevador… ;-) Mas toda vez que um cassino aparece na minha frente, eu entro. Não, não é masoquismo, não – nem tentativa de auto-superação… :-) É que eu realmente gostaria de compreender o que faz as pessoas gostarem tanto.

Esse pequeno desvio de rota foi porque, na noite do temporal, antes de decidirmos ir jantar no Virazón, nós resolvemos ir até o Conrad, pra dar uma olhada no cassino e talvez jantar em um dos restaurantes. E eu me esqueci de comentar – sintomático, isso!!! Entrei no cassino, dei uma volta, quase me perdi lá dentro e saí de novo o mais depressa que pude… Então desisti de jantar por lá e fomos escolher um restaurante mais charmoso lá no porto – esse, sim, um programa bem mais a minha cara!

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Foto: Puntaweb

Nossa chegada a Punta foi muito, mas muito diferente do que eu tinha pensado… Se os meus planos tivessem se concretizado, a gente chegaria a Punta num fim de tarde de céu limpo, seguiria por praias de mar azul até o hotel e mais tarde sairia novamente para ir ver o pôr-do-sol no Las Cumbres

Pois bem… Acabei provando a mim mesma o quanto é importante não se escravizar ao próprio roteiro… Chegamos a Punta com o céu carregadíssimo de nuvens negras!!! Foi só o tempo de chegar ao hotel e o temporal desabou. Adeus, pôr-do-sol… :-(

Acabou fazendo um frio danado e tivemos que tirar um coelho extra da cartola – ou seja, o novo programa da noite foi uma massa bem quentinha e gostosa em um restaurante próximo ao porto, mas protegido da ventania, o Virazón

Em relação ao hotel que tinha reservado em Punta, o San Marcos, eu não tinha grandes expectativas, mas acabei me surpreendendo tanto no aspecto positivo quanto no negativo. Escolhi o San Marcos basicamente por 2 motivos: localização e preço.

puntadeleste_mapahoteis.jpg Mapa dos hotéis próximos à Península

A localização (Parada 12 da Playa Brava, em San Rafael) me pareceu perfeita para quem ficaria apenas 2 dias na cidade. Estávamos a 5 minutinhos da Península (o centrinho de Punta) e a meio caminho tanto de Punta Ballena quanto de José Ignacio, o que facilitou as nossas incursões às redondezas. Por outro lado, não recomendo para quem vai sem carro. Apesar de ser fácil tomar táxi – há um ponto ao lado do hotel – é chatérrimo depender de táxi para tudo, menos ir à praia, que fica só a uma quadra de distância…

Quanto ao preço, a relação custo-benefício foi muito boa para Punta, que é uma cidade bem cara: US$ 85 o quarto duplo. Por esse preço eu não esperava muito, mas estava certa e errada ao mesmo tempo. Certa porque, como em outros hotéis antigos, o banheiro deixava muito a desejar – e banheiros antigos, precisando de reformas urgentes, sempre me causam uma péssima impressão… Por outro lado, os quartos são bem bonitinhos, a piscina é ótima, o café da manhã é uma delícia, a Internet é grátis e o atendimento é muito simpático!

Meu quarto:

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Ainda bem que o temporal só durou essa noite… No dia seguinte já deu até pra descolar umas fotos bem legais do lado de fora do hotel!

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Pena que o mar continuava cor de doce-de-leite… :-(

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