Archive for June, 2007

Um bom ponto para começar um roteiro básico por Buenos Aires é a Avenida de Mayo. Não apenas porque ela concentra alguns dos pontos turísticos de visita obrigatória, mas porque foi e é palco de grande parte da história da Argentina: Evita falando ao povo, as Mães da Praça de Maio, os panelaços…

Vale a pena dedicar um tempinho aos monumentos e construções históricas da praça, que tem bem mais a oferecer do que é possível dar conta nos 20 minutinhos que os city-tours costumam ficar por ali. Em uma das extremidades da praça, temos a Casa Rosada, sede do governo argentino:

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Voltando as costas à Casa Rosada, um pouco adiante, à direita, está a Catedral Metropolitana:

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Na primeira vez em que fui a Buenos Aires, a fachada da Catedral estava sendo renovada, completamente coberta por tapumes… Demorei um tempo para vê-la assim como na foto, uma pena! Em compensação, desde a primeira visita costumo passar bastante tempo lá dentro, admirando o altar, a cúpula, o mosaico do chão…

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Uma vez tive a sorte de ver a troca da guarda na Tumba de San Martin desde o começo: acompanhei a marcha dos granaderos desde a praça até a entrada na Catedral… A Tumba de San Martin fica, na verdade, em um anexo da Catedral – como o Libertador era ateu, não poderia ser enterrado em solo sagrado… Até por causa desse fator, acho que a cerimônia ficou ainda mais bonita, se tornou um verdadeiro tributo à memória do general.

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Saindo da Catedral, logo se avista o Museo Cabildo:

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À esquerda do Cabildo, está a Av. Diagonal Sur; à direita, a Diagonal Norte:

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Mas vamos seguir pela Avenida de Mayo… Bem próxima à praça, está a estação Peru da Linha A do Subte, forma abreviada de Subterráneo, o metrô portenho. Inaugurada em 1913, a estação preserva suas características originais, e é uma verdadeira viagem no tempo…

Ao longo da Avenida de Mayo é uma tentação caminhar olhando para o alto, admirando a bela arquitetura de inspiração francesa – com um pouco de cuidado, vale a pena cair em tentação… ;-)

E, já que o assunto é tentação, no número 825 da Avenida de Mayo está situado um verdadeiro templo delas, o Café Tortoni. Café tradicional, freqüentado por Carlos Gardel e Jorge Luis Borges, entre outros, o Tortoni é também uma boa opção – e bem em conta – aos tradicionais shows de tango. Gosto de ir lá à tarde, para lanchar, e sou fã ardorosa do chocolate espeso, o paraíso na Terra para qualquer chocólatra: é um chocolate quente que vem separadinho, uma chaleirinha de leite fervente e um bule de chocolate derretido bem cremoso; daí é só dosar na xícara de acordo com o gosto de cada um. Não sou muito fã de leite (por isso não curto muito os tradicionais submarinos – barrinhas de chocolate derretido no leite fervente), mas de chocolate… ;-)

Saindo do Tortoni, dá para seguir a pé na direção da Plaza del Congreso, embora seja um pouquinho distante. Mas se bater uma preguicinha de caminhar, vale pegar um táxi – afinal, não sei se há lugar no mundo onde seja tão barato andar de táxi… Mas a caminhada não é sem atrativos, não! Vale muito a pena observar a arquitetura da avenida para descobrir umas pérolas assim:

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E finalmente o Pensador nos dá as boas-vindas à Plaza Lorea:

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Logo adiante, chegamos ao ponto final da nossa caminhada, a Plaza del Congreso:

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Uma outra idéia seria deixar o Café Tortoni para o final, para não correr o risco de desistir do restante da caminhada… :lol:

Que me perdoem os amigos colorados, mas a trilha sonora das minhas viagens por Buenos Aires, desde a primeira, sempre foi o hino do Grêmio! ”Até a pé nós iremos…” – existe afirmação mais adequada para quem está disposto a desbravar um lugar? ;)

Buenos Aires é uma cidade plana, muito bem organizada, perfeita para caminhar. Também é muito fácil se localizar – cada quarteirão mede 100 metros, e contém 100 números – assim, se estou na altura do número 250 de uma determinada rua e quero ir até o número 720, sei que preciso caminhar cerca de 5 quarteirões. Outra dica é que a numeração das ruas obedece à mesma numeração das avenidas – ou seja, se quero ir ao número 300 de uma rua paralela à Avenida Santa Fé, por exemplo, posso me guiar pela numeração da avenida e vou saber exatamente em qual rua devo entrar para encontrar o endereço que procuro.

O site oficial da cidade de Buenos Aires traz alguns roteiros a pé para quem desejar desbravar a cidade caminhando. São roteiros autoguiados, separados por bairros – 16 no total, de Abasto a Puerto Madero, de La Boca a Palermo, sem esquecer a Recoleta. Basta imprimir os mapinhas, escolher um sapato confortável e… ”até a pé nós iremos”! ;-)

Um outro grande companheiro de passeios, infelizmente já esgotado, é o livrinho do Hugo Ibarzábal, Buenos Aires Passo a Passo. O livro é pequeno e fininho, próprio para ser levado na caminhada e usado como mapa e guia ao mesmo tempo. São 11 roteiros para serem percorridos a pé, com mapas, explicações e curiosidades. Ainda não consegui seguir todos os roteiros propostos no livro – de vez em quando faço um deles, sem muita rigidez, mudando uma coisa e outra quando dá vontade. Mas foi ele a minha inspiração para me aventurar a pé por Buenos Aires e organizar as dicas de passeios que os amigos pedem – e que pretendo compartilhar aqui nos próximos dias…

Passei a última semana sem saber como começar a falar sobre Buenos Aires… Das últimas vezes em que estive na cidade, acho que fiz pouco ou nada de interesse turístico, apenas caminhei muito, procurei novos jeitos de chegar a antigos lugares, observei mais… Fiquei sem saber se a minha Buenos Aires seria interessante para mais alguém – até porque eu não moro lá, não tenho dicas quentíssimas dos locais, sou apenas apaixonada e compulsiva… ;-)

Decidi então começar pelo começo: algumas fotos da primeira vez em que estive lá, há mais de 10 anos. Fui com a Cláudia, minha melhor amiga desde sempre – segundo a própria, nossa amizade dura mais que os casamentos dela… :P Passamos uns 10 dias desbravando vários e vários cantinhos da cidade, na companhia da minha ex-cunhada, que é argentina e estava por lá em visita aos pais. Resultado: não fizemos quase nada que fosse muito turístico – tango e Caminito, nem pensar! - mas tivemos algumas experiências muito bacanas, como ficar hospedadas em Belgrano (quase onde hoje é Palermo Hollywood), assistir a Les Luthiers, entrar na Iglesia Redonda, ir às compras na Avenida Cabildo, fazer a visita guiada ao Teatro Colón, conhecer o Museo Naval em Tigre, passear pela Reserva Ecológica… Depois dessa, voltei a Buenos Aires várias outras vezes, cumpri o roteiro turístico direitinho, mas foram os sabores (literais e figurados) dessa primeira vez que me ganharam…

Um dos lugares que me conquistaram de imediato foi o Jardín Japonés, onde eu só deixei de voltar em uma única visita a Buenos Aires:

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Uma caminhada de poucos minutos leva ao Rosedal, que vi praticamente sem flores, já que era inverno:

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O Puerto Madero ainda estava tinindo de novo, tinha acabado de ser revitalizado:

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Um passeio que eu ainda amo fazer é visitar os barcos-museu, como a Fragata Sarmiento e a Corbeta Uruguay:

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Na Reserva Ecológica eu ainda não tive a chance de voltar… Mas a placa ficou na memória – ela alerta para que ninguém machuque as cobras… :P

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Fomos também até Tigre, pelo Tren de la Costa, conhecer o Delta, um tradicional passeio de fim de semana dos portenhos. Mas não aconselho ninguém a ir no inverno, como eu fui – passei um frio daqueles, e demorei anos pra ter vontade de voltar! Claro, voltei no verão…

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Eu já disse que AMO a arquitetura imponente do Hotel Tigre? ;-)

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Buenos Aires foi a moldura perfeita para a minha viagem – e, para os que sabem da minha paixão pela cidade, um prato cheio para as piadinhas do tipo “só mesmo você para ir a Buenos Aires duas vezes na mesma viagem”!!!

Tomamos o catamarã em Colonia às 10:15 da manhã – e chegamos a Buenos Aires por volta das 10:10… ;-) A viagem leva entre 50 min. e 1 h, mas a Argentina não adota o horário de verão, ao contrário do Uruguai – assim, a hora de viagem foi um bônus que ganhamos nesse dia!

Em todos os catamarãs que fazem a travessia Uruguai-Argentina há um free shop a bordo. Fiquei surpresa ao ver que os preços de vários artigos eram ainda mais baixos do que no free shop do aeroporto do Rio, principalmente nos perfumes – em alguns casos, a diferença chegava a US$ 5 dólares. Na viagem Buenos Aires-Montevidéu, principamente, é uma boa forma de ajudar a passar as 3 horas de viagem, desde que haja espaço na mala pra carregar as compritchas, claro… :lol:

Chegando a Buenos Aires, rumamos para a Recoleta, onde eu tinha reservado o Park Elegance Kempinski, na Avenida Pueyrredón. O hotel é um 4 estrelas bem tradicional, com um atendimento primoroso e extremamente bem localizado. Uma dica aqui é preferir os apartamentos de fundos, já que a avenida é bem movimentada e o barulho pode atrapalhar o sono dos mais sensíveis. Por outro lado, embora o hotel seja antigo – o que no caso implicou principalmente em elevadores pequenos e lentos - os apartamentos (incluindo os banheiros) estão muito bem conservados e, felizmente, livres daquele cheirinho de mofo tão característico… Consegui a diária a US$ 83, por obra da Sabrina, da Pescara Turismo, minha amiga de infância dublê de agente de viagens – em nenhum consolidador vi tarifa tão boa, na época…

Aqui vão algumas fotos para dar um gostinho – e uma idéia do tamanho dos quartos! Aliás, o espaço nos quartos para mim é quase tão importante quanto a localização dos hotéis. Podendo evitar os cubículos, eu evito – detesto me sentir claustrofóbica!!!

O quarto em que os meus pais se hospedaram era ainda mais espaçoso:

Essa foi a nossa base para as incursões pela cidade. Minhas viagens por Buenos Aires hoje em dia não são bons parâmetros para quem está indo conhecer a cidade – deixo de lado vários pontos turísticos, só voltando a alguns pra matar as saudades, e passo muito tempo perambulando pelas ruas, observando as paisagens e pessoas… Mas vou procurar me concentrar em alguns recantos favoritos, conhecidos ou não, desta e de outras viagens, partindo do critério básico de ter umas fotos bonitinhas pra mostrar… ;-)

Eu sei, eu sei… Eu disse que não ia mais falar no Uruguai… Mas logo em seguida achei que era necessário repassar o meu roteiro – principalmente porque várias pessoas têm usado o blog como fonte de informação para planejar suas próprias viagens ao Uruguai, e eu espero que elas façam viagens ainda melhores do que foi a minha! ;-)

Aqui vai então um resuminho do meu roteiro com comentários:

1o. dia: Chegada ao porto de Montevidéu por volta de meio-dia; Ida para Punta del Este pela Ruta Interbalnearia, em carro alugado. Prolongar a viagem de carro para conhecer os balneários do caminho tem seus prós e contras… Eu gostei muitíssimo de ir a Piriápolis, por exemplo – mas é preciso ter em mente que essas paradas ao longo do caminho significam uma tarde a menos em Punta.

2o. e 3o. dias: Punta del Este; Volta para Montevidéu no fim da tarde do 3o. dia. Se eu fosse repetir o roteiro hoje, provavelmente ficaria um dia a mais em Punta. Não que o tempo que reservei à cidade não seja suficiente para visitar os pontos principais – teria sido se eu tivesse tido a sorte de só pegar dias bonitos. Como a chuva me perseguiu, acabei aproveitando menos do que gostaria… Um dia a mais talvez tivesse feito a diferença. Ah, sim, optamos por voltar para Montevidéu no fim do dia por 2 motivos: era sábado de Carnaval, e os hotéis só faziam reservas para o pacote de Carnaval de sábado a quarta; além disso, dormir em Montevidéu custava US$ 30 a menos, em um hotel beeeeem melhor… ;-)

4o., 5o. e 6o. dias: Montevidéu. Três dias estão de bom tamanho em Montevidéu – dá tempo de conhecer o Mercado del Puerto, passear pelos parques e praças, visitar o centro histórico, bater pernas pelo comércio da Avenida 18 de Julio e até ir à praia, se alguém se animar…

7o. dia: Colonia del Sacramento. Um dia basta para conhecer o centro histórico de Colonia, é fato. Mas é preciso sair de Montevidéu bem cedinho, porque são quase 3 horas de viagem! Para quem se interessa em visitar os museus e/ou as feirinhas de artesanato, ou mesmo para quem quer descansar um pouco, talvez seja o caso de ficar um dia a mais. Colonia vale a pena!

A verdade é que quanto mais sabemos sobre um lugar, mais curiosos ficamos – pelo menos é assim que funciona comigo… Quando eu voltar – porque eu não tenho a menor dúvida de que vou voltar ao Uruguai um dia para uma terceira visita – vou ficar pelo menos 2 semanas! Vou conhecer melhor a costa ao norte de Punta del Este – La Paloma, Cabo Polonio… Vou me hospedar ao menos por uma noite no Hotel Argentino, em Piriápolis. Vou ficar um dia a mais em Montevidéu, para fazer um bate-e-volta às vinícolas da região de Canelones. Talvez dê a Colonia mais uma noite… Vou com certeza esticar até Carmelo e fazer a extravagância de me hospedar no Four Seasons. E quem sabe não sigo viagem até a região termal de Fray Bentos e Paysandú…

Mas isso sim, fica para uma próxima vez, para um Uruguai revisitado! ;-)