Archive for July, 2007

Férias, afinal. Ufa, o cansaço é tanto que não sobrou energia nem para a exclamação, tive que me contentar com o ponto final mesmo…

Estou partindo com uma nobre missão: vou preencher uma lacuna. Culpa do Riq, claro, que em janeiro botou todo mundo pra queimar a mufa pensando nas maiores lacunas nos nossos currículos de viajantes. A maior de todas (o Corcovado de trenzinho - afinal, fica no quintal de casa…) vai esperar mais um pouquinho. Roma também vai ter que ficar para uma outra vez. Mas a hora chegou para Machu Picchu… ;-)

Agradeço de antemão as dicas e os “causos” do JB, do Beto, da Dani G., da Emília, da Majô e da Meilin. Espero não ter esquecido ninguém… Com base nas dicas e comentários, organizei assim o meu roteiro:

1o. dia, 23/07: Por volta das 11:00 da manhã, vou do Rio para São Paulo. Devo mofar um pouquinho em Guarulhos… No fim da tarde, parto de São Paulo para La Paz, pela TACA, com conexão em Lima. Só chego depois de meia-noite – e alguém ainda acha que a vida de quem viaja é mansa?

2o. dia, 24/07: La Paz. Reconhecimento geral do território, com direito a levar o dia todo para fazer o que, em condições normais de temperatura e pressão, eu faria em 2 ou 3 horas… A idéia é fazer bem pouco esforço e evitar ao máximo o soroche, o mal de altitude. Estou curiosíssima para ir ao Mercado de las Brujas e visitar o Museo de la Coca…

3o.dia, 25/07: Contratei um passeio de dia inteiro na Turisbus para ir a Tiwanaku e ao Valle de la Luna.

4o.dia, 26/07: Pela manhã, vamos de La Paz para Copacabana. À tarde, passeio à Isla del Sol.

5o. dia, 27/07: Manhã em Copacabana; de tarde, cruzamos a fronteira com o Peru e seguimos para Puno.

6o. dia, 28/07: Islas Flotantes.

7o. dia, 29/07: Logo de manhã, voamos de Puno (Juliaca, na verdade) para Cuzco. Reconhecimento geral do território – torço para que dê tempo de visitar o mercado de Pisac nesse mesmo dia…

8o. dia, 30/07: Cuzco.

9o. dia, 31/07: Bate-e-volta a Machu Picchu.

10o. dia, 01/08: Bate-e-volta ao Valle Sagrado.

11o. dia, 02/08: Pela manhã, vamos para Lima.

12o. e 13o. dias, 03 e 04/08: Lima.

14o.dia, 05/08: Volta quase pra casa. Voamos de Lima para São Paulo, vamos ficar num hotel em Guarulhos mesmo e home sweet home só mesmo no dia seguinte…

O orçamento eu planejei assim:

1. Passagens aéreas:

  • GOL: Rio / São Paulo / Rio – R$ 198,00 (taxas de embarque incluídas) em 6 vezes sem juros;
  • TACA: São Paulo / La Paz // Cuzco / Lima / São Paulo - US$ 589.00 (mais as taxas de embarque) em 6 vezes sem juros.

2. Hospedagem:

  • Bolívia: contratei tudo na Turisbus. A hospedagem (3 noites no Hotel Columbus em La Paz e 1 noite no Rosario del Lago em Copacabana), a viagem de ônibus de La Paz a Copacabana e de Copacabana a Puno, o passeio à Isla del Sol e um city-tour em Copacabana (será que vou ter paciência?), a pouco mais de US$ 150 por pessoa. Êta época boa para se viajar pela América do Sul – muita diversão e pouco gasto… ;-)
  • Peru: reservei todos os hotéis pela Go2Peru. Consegui uma promoção maravilhosa para pagamento antecipado com cartão de crédito Visa: meus descontos variaram entre 28 e 45%!!! Em Puno, vamos ficar 2 noites no Hotel Conde de Lemos, a US$ 35.00; em Cuzco, 4 noites no Hotel Terra Andina, a US$ 65.00; e em Lima, 3 noites no Hotel León de Oro, a pouco menos de US$ 38.00. Esses valores são para quartos duplos e paguei uma taxa única de US$ 7.50 pela reserva.

3. Transporte:

  • Vôo Lan Peru Juliaca/Cuzco: US$ 95.00 na Enjoy Peru.
  • Trem Vistadome Cuzco/Machu Picchu/Cuzco: US$ 113.00 na Peru Rail (reservado pelo site, mas a ser pago em espécie ao retirar os bilhetes na estação de Cuzco)

4. Passeios:

  • Tour a Tiwanaku: US$ 35.00

Não contei no orçamento os ingressos para museus, igrejas, Machu Picchu… No geral, o orçamento estimado para 2 semanas de viagem é de US$ 1300.00 por pessoa. Nada mal, né não? Andei vendo uns pacotinhos anunciados no jornal, de 6 noites no Peru, a pouco mais do que isso… ;-)

A princípio, devo ficar ausente do blog por cerca de 2 semanas – mas, aparecendo a oportunidade, dou um alô e respondo aos comentários, Ok? Boas férias a todos e até a volta!!!

A verdade é que eu sou uma pessoa bem pouco indicada para falar dos arredores de Buenos Aires… O passeio mais falado, indicado e cantado em prosa e verso é o tour ao Delta do Rio Tigre - um passeio que eu já fiz duas vezes e não gostei em nenhuma das duas… Da primeira vez, porque era inverno, e a forma mais eficaz de auto-congelamento disponível na Argentina é entrar em um catamarã e percorrer os riozinhos da região do Delta por mais de 2 horas em um mês de julho. Não recomendo a ninguém (ninguém mesmo!) seguir o meu exemplo… Na segunda vez, 10 anos depois, eu fui mais esperta, e resolvi fazer o passeio no verão – melhorou, e bastante, mas ainda não me convenceu… ;-)

Ninguém precisa contratar um tour para ir ao Delta. É facílimo pegar um trem na Estação Retiro (a passagem custa menos de 1 peso!) e ir até a Estação Maipu, de onde parte o Tren de la Costa, o trem turístico (esse sim, mais caro, cerca de 6 pesos) que faz a ligação entre a Capital Federal propriamente dita e a província de Buenos Aires.

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A viagem em si é uma parte bem interessante do passeio – é divertido ver as casas super elegantes dos bairros mais afastados, como Olivos e San Isidro. A estação de San Isidro, aliás, é uma boa aposta de pausa na viagem – vale a pena descer do trem para dar uma volta por ali, nem que seja apenas para tomar um café e seguir no próximo trem…

Chegando a Tigre propriamente dita, o passeio mais comum é tomar um catamarã para fazer o circuito dos riozinhos que se entrelaçam, e onde as pessoas têm um estilo totalmente peculiar de viver. Os rios aqui funcionam como ruas, as pessoas têm barcos ao invés de carros, e pequenos piers no lugar de garagens. A região é muito bonita, as casas em geral são bem elegantes – e acho que estou conseguindo até vender o passeio para mim mesma… ;-)

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Mas eu realmente não acho que valha a pena perder um dia de estada em Buenos Aires para ir ao Tigre, ao menos não se você só dispõe de 4 ou 5… Talvez se você estiver indo à cidade pela 3a. ou 4a. vez, ou se for um fanático por rios, barcos e clubes de pesca…

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Eu, que não me convenço de nada com muita facilidade, nem mesmo de que eu possa simplesmente não gostar de um lugar, pretendo voltar ao Delta e fazer um passeio do meu jeito. A primeira coisa que vou fazer é ignorar os passeios de barco. Ah, e vou ignorar o Parque de la Costa também, claro… Vou então caminhar pela cidadezinha de Tigre - seguindo alguns circuitos propostos no site da cidade ou apenas flanando mesmo… Vou visitar o Museo Naval, onde há aviões de guerra expostos no pátio, o edifício do antigo Hotel Tigre, o Puerto de Frutos, o Club de Remo – enfim, vou passear por ali como faço em Bs.As., e dessa vez, pretendo gostar… ;-)

Outras idéias para passar o dia fora do ritmo da Capital – mas que eu nunca botei em prática, ainda estou devendo – são passar um dia em San Isidro, visitar La Plata (capital da província de Buenos Aires), ou até mesmo fazer aquele bate-e-volta tradicional a Colonia del Sacramento, no Uruguai…

Aliás, (estava tentando abrir o site desde que comecei a escrever o post, finalmente consegui!) na Viagem e Turismo deste mês há uma reportagem bem bacana sobre San Isidro, um texto ótimo sobre visões opostas do Delta e 10 dicas de escapadas a partir de Buenos Aires. Vale conferir!

Todo porteño tem o seu dia de nova-iorquino – e costuma ser o domingo, quando a população da cidade se dirige em peso aos Bosques de Palermo, o Central Park deles… ;-) Eu, para fugir do movimento, prefiro ir aos parques em um dia de semana, para aproveitar melhor a tranqüilidade…

Um bom começo é o Jardín Botánico. Sem entrar (muito) no mérito das comparações, falta um pouco do charme imperial do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, mas o passeio aqui não é menos agradável por isso…

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Dali pode-se seguir direto para o Jardín Zoológico, que fica bem pertinho. Mas eu prefiro tomar um táxi e seguir para o Jardín Japonés, o meu recanto favorito. O jardim foi um presente da comunidade japonesa à cidade de Buenos Aires, e é uma tranqüilidade só, uma delícia!

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Ah, quase me esqueço que esse lago tem habitantes muito interessantes – as carpas superalimentadas do Jardín Japonés… ;-)

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Saindo do Jardín Japonés, basta dar a volta no quarteirão e atravessar a Avenida Sarmiento para chegar ao Parque 3 de Febrero, na parte conhecida como El Rosedal:

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Em um lugar tão cheio de recantos especiais, o mais especial pra mim é o Patio Andaluz:

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Dependendo da hora em que se termine o passeio pelo parque, uma boa idéia é escolher um dos restaurantes de Las Cañitas ou Palermo para almoçar. E, quem sabe, um sorvetinho na Persicco para a sobremesa… ;-)

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Eu já contei uma vez sobre a minha antiga relutância quanto aos shows de tango… Demorei 7 anos para ter vontade de ir assistir a um – e acabei indo ao Señor Tango, na minha opinião a pior escolha que alguém pode fazer se quiser ir a um show de tango em Buenos Aires… :P O Señor Tango é uma das casas de tango mais freqüentadas pelos turistas, mas o espetáculo não foi do meu agrado, não… Falando primeiro dos pontos positivos, o lugar é muito bonito, o espetáculo é grandioso, os bailarinos e músicos são muito bons, mas no todo o show é hollywoodiano demais, e resvala sem dó para o brega… Ah, isso sem contar a hora em que os cavalos adentram o palco – cavalos em show de tango eu achei meio exagerado… :roll:

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Na minha segunda tentativa, eu assisti ao show de tango mais apaixonante do mundo: o do El Viejo Almacén. O lugar é minúsculo, o conforto é pouco, mas o espetáculo é poderoso – os bailarinos e músicos são estupendos e a própria proximidade da platéia com o palco aumenta a emoção…

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Atualizando: Eu fui ao Viejo Almacén em abril de 2004 – infelizmente, parece que no período de lá para cá (novembro de 2007) muita coisa mudou

Um outro show interessante foi o do Piazzolla Tango. O Piazzolla tem uma vantagem indiscutível sobre as outras casas de tango: fica localizado em plena Florida, na Galería Güemes, o que, para mim, tem um encanto todo especial… Li um conto do Julio Cortázar chamado “El otro cielo”, no qual o personagem principal, ao cruzar a Galería Güemes, em Buenos Aires, saía na Galerie Vivienne, em Paris… Claro que eu faço questão de atravessar a galeria todas as vezes, mas ainda não tive a sorte de sair em Paris, não… ;-) Além dessa atmosfera mágica, o Piazzolla tem a seu favor um teatro lindíssimo, e a coragem de basear um espetáculo de tango praticamente inteiro na obra de Astor Piazzolla, tantas vezes relegado a segundo plano pelos puristas do tango…

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Uma dica: se você se interessar por um dos shows, não perca o seu tempo com os jantares das casas de tango – não valem a metade do preço que se paga. Uma boa idéia é ir apenas assistir ao show, tomar uma taça de vinho e depois sair para jantar em um restaurante à sua escolha. O jantar será melhor para o seu paladar e também para o seu bolso – eu garanto! Ah, sim, e até onde já verifiquei, os ingressos são mesmo mais baratos com os guias das agências de turismo do que diretamente no teatro. Isso significa que, mesmo que você viaje por conta própria, certamente alguém na recepção do seu hotel poderá indicar um guia para te vender ingressos a preços bem melhores que os da bilheteria…

Duas opções que eu ainda não conferi – já que sou novata no terreno do tango – são o Bar Sur e o Café Tortoni, considerados uma experiência mais ”autêntica” do que os grandes shows… Esse ano eu pretendia ir ao Tortoni, mas não resisti à idéia de ir assistir à Tanguera, o musical do Teatro El Nacional, e aí achei que era tango demais para uma Carla só…

Uma volta pelos pontos de visita mais típicos de Buenos Aires obrigatoriamente inclui o bairro de La Boca (onde viviam os imigrantes italianos) e, em especial, o Caminito. Esse é um passeio que nunca fiz a pé - não me sinto segura para andar pelo bairro, a não ser nas ruas mais turísticas. Minha sugestão é tomar um táxi e ir direto ao Caminito, de preferência logo cedo, enquanto os ônibus turísticos ainda estão nas redondezas da Plaza de Mayo… ;-) O táxi vai te deixar bem aqui:

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Nessa região, é interessante tentar ignorar os souvenirs das lojinhas (que são caros e não valem a pena, de qualquer forma) e procurar imaginar como viviam os imigrantes nas construções de chapa colorida. Algumas das lojas são antigos conventillos (cortiços) restaurados, com um pátio principal que servia de área comum ao habitantes do local, onde as mulheres se reuniam para lavar a roupa e as crianças brincavam…

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Se for um domingo, a melhor pedida é tomar outro táxi e partir para a Plaza Dorrego, para a Feria de San Telmo, uma feirinha de antigüidades super bacana. Tem muita bugiganga por lá, mas também dá pra descolar um ou outro objeto bem interessante…

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Continuando o passeio, agora acho que dá pra seguir a pé, não fica muito longe… A idéia é seguir pela Calle Defensa até a Iglesia de Santo Domingo, que fica bem na esquina com a Avenida Belgrano. Essa igreja nem é muito conhecida, mas tem uma história bem curiosa. Ela foi o último ponto de resistência dos argentinos durante a invasão inglesa no século XIX – por esse motivo a rua se chama Defensa, ou seja, defesa. Da Avenida Rivadavia em diante, todas as ruas trocam de nome, e a Calle Defensa se transforma em Reconquista, pois toda essa região teve que ser retomada dos ingleses…

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Uma das torres ainda guarda as marcas das balas dos ingleses – e no interior da igreja estão as bandeiras inglesas que foram capturadas durante as batalhas! No pátio há um monumento a Belgrano, onde estão os restos mortais do general.

Seguindo pela Defensa, vale fazer um desvio na Calle Moreno à esquerda, por 2 quadras, para conhecer a Manzana de las Luces, um quarteirão todo restaurado e preservado. É uma idéia interessante dar a volta no quarteirão para observar a arquitetura. Caminhando mais uma quadra, estamos de volta à Plaza de Mayo – ponto bem central de Buenos Aires, e que pode servir de ponto de partida para outros roteiros. Ainda tenho várias outras sugestões – me aguardem! ;-)