Archive for August, 2007

Nossa primeira parada do city-tour foi, paradoxalmente, fora da cidade. Nosso destino era o Valle de la Luna, onde a paisagem, como era de se esperar, faz pensar em paisagens lunares… :roll:

La Paz está situada no fundo de um vale, e os arredores da cidade são, hoje em dia, um município independente, chamado El Alto, que é também o nome do aeroporto. Não poderia ser mais apropriado, já que o aeroporto está situado cerca de 500 m acima do nível da cidade, e é o mais alto do mundo. Aliás, ouve-se isso em La Paz o tempo todo – o aeroporto é o mais alto do mundo, o estádio é o mais alto do mundo, e assim vai… Achei interessante notar que lá as áreas residenciais mais valorizadas são as mais baixas – e nem é difícil imaginar por quê! Afinal, para quem vive ao nível do mar já é difícil agüentar os 3.600 m de altitude do centro da cidade. Os 4.100 de El Alto, então… :P

Daí seguimos para o Valle de la Luna, a cerca de 20 km de La Paz.

img_0970.jpg

A grande atração do vale são as formações rochosas esculpidas pelo vento – bom, a gente sabe que são o efeito da erosão, que as figuras são produto da nossa imaginação, mas não é uma curtição dizer que foram “esculpidas pelo vento”, como se fosse proposital? ;-)

Uma das mais interessantes é essa aqui, o “Sombrero de la Dama”:

img_0974.jpg

Sempre fico meio perdida para enxergar o porquê desses nomes, mas esse ficou fácil até pra mim…

Atualizando…

Tinha me esquecido dessa foto! Entre as esculturas do vento, vimos um músico tocando violão – achei lindo o contraste entre a roupa vermelha que ele usava e os tons neutros da paisagem! Ele fez a maior pose para as nossas câmeras e depois, claro, nos ofereceu algum artesanato… ;-)

img_0976.jpg

Un matecito de coca más e seguimos nosso caminho de volta à cidade!

Quem gosta de cinema já sabe que “A Liberdade é Azul”, “A Igualdade é Branca” e até que “A Fraternidade é Vermelha”… Pois eu descobri que a paz é tudo isso junto, com ainda uns toques de amarelo, rosa, laranja, verde, vinho e o que mais se puder imaginar… ;-) Se eu tivesse que escolher apenas um adjetivo para descrever La Paz, não seria alta, nem fria, nem bonita ou hospitaleira – seria COLORIDA!!!

img_1001.jpg

No centro de La Paz são principalmente os mercados os responsáveis pelo festival de cores – são tantos casacos, bolsas, gorros, tapetes e outros artigos, tudo tão colorido que eu até achava minhas roupas meio sem graça… Sabe, da próxima vez acho que vou escolher uma blusa verde, um casaco amarelo, uma calça azul, um gorrinho branco e – isso!, vou fantasiada de bandeira do Brasil pra entrar no clima multicor!!! :lol:

Infelizmente não pudemos ficar em La Paz os dois dias que tínhamos planejado, por conta dos incidentes com o nosso vôo de ida. O jeito foi sacrificar a nossa ida a Tiwanaku, para podermos ao menos ver a cidade de La Paz em si. Trocamos então o passeio que tínhamos contratado por um city-tour com direito a uma visita ao Valle de la Luna, que fica a uns 20 km da cidade. Bom, eu não sou nada fã de city-tours, acho que porque gosto de desbravar os caminhos, não curto ser levada aos lugares… Mas naquele dia não houve outro meio – com apenas 1 dia na cidade e a ameaça constante do soroche pairando sobre as nossas cabeças, o único jeito de conhecer a cidade sem muito cansaço seria a mordomia de um carro com motorista à nossa disposição… Até porque, como nos disse o motorista, em La Paz, se não se desce, se sobe – ou seja, ladeiras, ladeiras e mais ladeiras, e a mais de 3.500 m de altitude!!!

Outra notinha da blogueira: Pessoal, minha casa continua um horror, ainda nem desfiz a malinha de São Paulo. Mas já estava um vexame deixar esse blog abandonado por tanto tempo. Então, vamos na base dos posts homeopáticos mesmo, Ok? Afinal, piano, piano, si va lontano… ;-)

Diz a piadinha corrente em La Paz: “Aqui temos o aeroporto mais alto do mundo, o estádio mais alto do mundo, a estação de esqui mais alta do mundo – só não temos os homens mais altos do mundo…” ;-) Com a vida levada assim, nas alturas, nada mais importante para o forasteiro do que adaptar-se da melhor forma possível, e no menor tempo possível, para não deixar de aproveitar a viagem.

A regra de ouro é caminar despacito y comer poquito, ou seja, não sobrecarregar o aparelho respiratório/circulatório nem o digestivo, para evitar o soroche, o mal de altitude. Mesmo para quem é “cão vira-lata” como eu e não sofre com enjôos ou qualquer outro tipo de complicações comuns em viagens, alguns efeitos são inevitáveis: um pouco de tontura e a sensação de falta de ar são esperados, mas passam em pouco tempo. Para prevenir qualquer sintoma mais grave, os hotéis servem uma xícara de mate de coca logo no check-in - no nosso caso, como chegamos de madrugada, ficou para o dia seguinte, e eu tomei o meu matecito preventivo todos os dias no café da manhã. O resultado pode até ser psicológico, efeito da auto-sugestão, mas o fato é que não sofri absolutamente nada com o soroche. 8)

img_1140.jpg

Ah, é importante lembrar que o mate de coca não é droga, não, hein, gente! Tou fora de fazer apologia de substâncias ilícitas… :P Não há nada de ilegal ou proibido no uso das folhas de coca na Bolívia e no Peru - e o chá, sinceramente, não é mais estimulante do que o nosso inocente cafezinho… E as balinhas, então? Parecem uns caramelinhos de leite, uma delícia!

img_1189.jpg

Mas, se mesmo assim aparecer uma dor de cabeça mais forte, enjôos e/ou sangramentos nasais, é melhor tomar uma medida um pouco mais drástica, ou seja, Soroche Pills nas idéias! As pílulas são vendidas em qualquer farmácia e devem ser tomadas 3 vezes ao dia – e custam baratinho, cerca de US$ 0.30 a unidade.

Com as devidas precauções tomadas, é só manter o ritmo do caminar despacito y comer poquito - para aprovechar mucho!!!

Notinha de desculpas antecipadas da blogueira: Pessoal, me desculpem se o blog andar meio abandonado por uns dias, Ok? Devo me mudar até o fim da semana, então a atolação está grande… Mas vou fazer o possível para manter um certo ritmo nos posts, mesmo que esse ritmo seja leeeento… ;-)

Em tempos de caos aéreo, quem não pretende abrir mão de viajar de avião precisa levar 3 itens absolutamente indispensáveis na bagagem: desprendimento, paciência e doses maciças de bom humor. Pois bem, eu estava armada até os dentes com esses artefatos, digamos, “bélicos”, para a guerra dos aeroportos, mas fui agradavelmente surpreendida.

Não, vocês não me entenderam mal. A bem da verdade, eu passei por várias e várias situações chatas em aeroportos, mas nenhuma delas aconteceu por causa do malfadado “caos aéreo” – ou melhor, esse tipo de caos poderia ter acontecido em qualquer época, desde que eu me entendo por viajante…

Como o meu vôo internacional se originava em São Paulo, e eu comprei a passagem quando os atrasos em aeroportos já eram uma constante, fiz questão de deixar uma boa margem de segurança entre a chegada do meu vôo do Rio e a partida do meu vôo para La Paz. Na 2a.f., dia 23/07, meu primeiro dia de férias, o tempo amanheceu horrível: nevoeiro no Rio e chuva em São Paulo. Diante desse quadro meteorológico, nem os “óculos cor-de-rosa” que eu costumo usar davam conta de me convencer que o meu vôo decolaria do Galeão no horário. Dito e feito. Meu vôo marcado para as 11:00 h da manhã levantou vôo pouco depois das 13:00. De certa forma, foi até bom… Eu tinha dado uma margem de segurança de quase 6 horas, e não me parecia má idéia dividir o “chá-de-aeroporto” entre Galeão e Guarulhos.

Chegamos a Guarulhos perfeitamente dentro do horário para fazer o check-in para o vôo de La Paz. Mas qual não foi a nossa surpresa ao saber que não seguiríamos viagem naquele dia… O avião da TACA que nos levaria até Lima para uma conexão para La Paz não chegaria a São Paulo no horário, por uma razão totalmente alheia ao nosso caos aéreo: um passageiro havia passado mal no vôo proveniente de Lima, o avião tinha retornado para a cidade, e só chegaria a São Paulo com várias horas de atraso. Assim, todos os passageiros perderiam suas conexões, e estavam sendo acomodados em hotéis nas redondezas do aeroporto até o próximo vôo.

Fiquei decepcionada, claro – bateu uma frustração, sem dúvida. Mas não deu pra deixar de dar uma boa risada quando percebi que o meu planejamento tão cuidadoso tinha redundado numa furada do tamanho de um primeiro dia de férias em Guarulhos… :lol: Assim, onde naquele meu planejamento se lê “reconhecimento geral da cidade de La Paz”, leia-se “uma voltinha no shopping de Guarulhos pra ajudar a passar o tempo até o próximo vôo para La Paz”…

Desprendimento, paciência e bom humor – taí a minha receita infalível para salvar as férias!

Neste exato momento em que escrevo esse post, o Idas e Vindas conta 20.440 acessos desde o início de fevereiro. Humm, sério mesmo? Eu não esperava isso, não… Comecei o blog inspirada no Riq, no Arnaldo e no Rodrigo, achava que seria uma grande diversão contar as minhas viagens, mostrar minhas fotos, e imaginava que as pessoas mais próximas iriam gostar de ler os meus relatos… Mas 20.000 acessos em tão pouco tempo? Puxa, gente, sinceramente eu não esperava tanto, não… :oops:

img_1550.jpg

Ofereço então este brinde a todos vocês que me deram a honra de fazer uma visita, ler as minhas histórias, fazer perguntas, comentários e sugestões – e que já estão a postos para os próximos capítulos… ;) Vou voltar à ativa rapidinho, assim que conseguir me desembaraçar do stress pós-férias, pós-aeroportos, pós-malas e tal… (Acreditam que eu inventei de planejar viagem, montar casa, tirar férias e me mudar, tudo praticamente ao mesmo tempo?!? Alguém interna essa louca… :roll: )

Agora me parece que estou fechando uma etapa aqui no blog, ao encerrar os relatos da viagem ao Uruguai e à Argentina, porque esses são países que eu conheço, onde me sinto bastante à vontade. A próxima etapa vai ser quase uma aventura, vou me atrever a contar uma viagem por territórios antes completamente desconhecidos para mim… Me acompanham? 8)