Archive for September, 2007

Foi uma surpresa!!! Acordamos bem cedinho para seguir viagem para Copacabana e a paisagem que vimos do lado de fora do hotel em nada lembrava o colorido do dia anterior. Nessa manhã de frio, La Paz estava branquinha, branquinha:

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Foram 30 cm de neve ao longo da noite, algo tão inesperado para nós quanto para os moradores da cidade. Apesar do frio intenso, não é comum nevar em La Paz propriamente dita. A bem dizer, por conta do aquecimento global, até mesmo o Nevado Chacaltaya, a estação de esqui mais alta do mundo (claro… ;-) ) vinha perdendo neve continuamente nos últimos anos, a ponto de não servir mais para a prática do esporte. Depois das neves de 2007, parece que o processo se tornou mais lento, felizmente.

Para os paceños, entretanto, mais do que para os turistas, o frio que fez este ano é um estorvo – a população em geral é muito pobre, a maioria das casas não conta com aquecimento… Apesar de deixar a paisagem linda, a neve atrapalha os mercados ao ar livre, o transporte – e para um povo que depende tanto do comércio e do transporte público, realmente a rotina fica difícil…

Quando pegamos a estrada vimos que por ali também a neve poderia causar transtornos – as pistas estavam muito molhadas, escorregadias e, nos trechos menos conservados, cheias de buracos como em boa parte das estradas brasileiras… :P (Mas no geral eu me surpreendi com as estradas bolivianas: a maioria das estradas que liga os locais turísticos está pavimentada, ou seja, a Bolívia está se preparando direitinho para o aumento do fluxo turístico que eles merecem receber…)

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Alguém consegue resistir a fazer uma bolinha nessa neve tão branquinha? Eu não, apesar de quase ter congelado as mãos… ;-)

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Não sei se é o restaurante mais alto do mundo – não sei nem mesmo se é o mais alto de La Paz… Mas, ao se tomar o elevador panorâmico para chegar ao Utama, o restaurante no último andar do Hotel Plaza, no centro da cidade, a impressão que se tem é que se está, sim, a caminho do topo do mundo…

A vista é espetacular – pelas vidraças do restaurante vê-se a principal avenida da cidade, El Prado, toda iluminada:

Mas as luzes não estão apenas abaixo, no centro da cidade… Ao contrário, as luzes de El Alto se estendem para cima até onde a visão pode alcançar, em um lindo efeito de claro/escuro que, diga-se de passagem, se assemelha muito à visão das favelas cariocas à noite – quem já passou por São Conrado e viu a Rocinha toda iluminada como uma imensa árvore de Natal sabe do que eu estou falando…

Pelo que pude perceber, o Utama é freqüentado basicamente por estrangeiros de passagem por La Paz – não me pareceram bolivianos os ocupantes das outras mesas… ;-) Na Bolívia, assim como no Peru, em outros países da América Latina e, claro, aqui no nosso Brasil, um restaurante como esse (considerado em alguns sites o melhor de La Paz) está muito além do alcance do bolso da maior parte dos habitantes da cidade…

Apesar disso, para nós, brasileiros, os custos de La Paz são uma festa! O táxi do Hotel Columbus ao Plaza, uma corrida de cerca de 15 minutos, nos custou o equivalente a míseros R$ 6,00. E o nosso jantar, absolutamente delicioso – pãezinhos caseiros de entrada, lagostins com legumes ao vapor e torta de limão de sobremesa, tudo de comer rezando! – saiu por volta de R$ 23,00 por pessoa. É certo que estávamos evitando o vinho, por causa da altitude, mas ele não teria inflacionado muito a nossa conta, não… ;-)

Desde o princípio, o planejamento da nossa viagem foi guiado pela relação custo-benefício. A idéia era escolher o melhor possível, fosse em hospedagem, transporte ou alimentação, sempre a um bom preço. Em termos de hospedagem, fixei as buscas em hotéis 3 e 4 estrelas, porque o preço era excelente tanto na Bolívia quanto no Peru – ao mesmo tempo, ao descartar os hotéis 0, 1 ou 2 estrelas, eu garantia (ao menos para ficar com a consciência tranqüila… ;-) ) um mínimo de conforto.

Em La Paz, me encantei desde o início pelo Hotel Residencial Rosario La Paz – e foi de olho nele que contactei a Turisbus, a agência que contratei para toda a nossa estada na Bolívia.  Infelizmente, o Rosario estava lotado… :cry: Ainda ficamos na lista de espera por algumas semanas, mas não houve jeito mesmo, e tivemos que partir para a carta guardada na manga.

Essa carta na manga era o Hotel Columbus, um 3 estrelas bem simpático, localizado perto do Estádio de La Paz, fora da muvuca do centro mas próximo o suficiente para não atrapalhar os nossos passeios. A tarifa, então, era mais do que convidativa: US$ 39.00 o quarto duplo.

Este é o Stadium Hernando Siles, o estádio mais alto do mundo – lá é tudo assim, “o mais alto do mundo”… ;-)

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Fiz a foto a partir da Avenida Illimani, onde fica o Columbus:

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O hotel fica localizado a apenas 500 m da Plaza Murillo, o que é bem animador até que a gente se lembra que em La Paz só há ladeiras, e que estamos em um dos pontos mais baixos do centro… Ou seja, 500 m ladeira acima a 3.500 m de altitude não é exatamente a minha definição de férias perfeitas… :lol: Por outro lado, o táxi é muito barato (muito mais barato do que em Buenos Aires, por exemplo, só para efeito de comparação…), e isso resolve qualquer problema de transporte.

Os quartos do Columbus são simples, mas confortáveis e espaçosos o suficiente para garantir boas noites de sono. Mas o ponto alto do hotel é mesmo o serviço: delicado, prestativo e atencioso.

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Apesar disso, se eu voltar a La Paz um dia quero ficar no Rosario, o hotel que eu tinha escolhido a dedo e a cliques de mouse… Eu diria que o Columbus me serviu bem, mas não chegou a me encantar. Quando, dois dias mais tarde, me hospedei no Rosario del Lago em Copacabana, senti aumentar a frustração por não ter conseguido o de La Paz…

O principal mérito do nosso city-tour foi a economia de tempo – algo que só me aparece como uma vantagem porque não tínhamos como recuperar o dia perdido em Guarulhos, e precisávamos aproveitar cada minutinho do dia que nos restava em La Paz. Vimos em uma manhã o que provavelmente levaríamos o dia todo por conta própria – e ainda nos vimos com uma tarde inteirinha nas mãos para percorrer a cidade por nossa conta. Ok, eu sei que uma tarde é pouco, que um dia é pouco – mas não dá pra ficar se lamentando, né?

Fomos direto para o Mercado de las Brujas, o lugar certo para todos os que desejam ficar ricos, se livrar do chefe, conquistar um marido ou lançar um feitiço sobre um desafeto… Eu? Bem, eu só queria xeretar mesmo… ;-) Estava super curiosa para ver se esse mercado seria parecido com os nossos mercados populares, onde também se encontra até o que não se sabia que existia…

O táxi nos deixou bem em frente ao mercado:

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Lá dentro, uma profusão de potinhos, ervinhas e amuletos de toda sorte:

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Como ainda não cheguei ao ponto de acreditar que um amuleto poderia me trazer riqueza, inteligência (ou um marido! :lol: ), seguimos adiante pela Calle Linares, repleta de lojinhas de artesanato:

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Nessa mesma rua fica o Museo de la Coca – que, por incrível que pareça, é muito pouco conhecido em La Paz! Comentei com a recepcionista do hotel, perguntei ao motorista de táxi, e ninguém conhecia… :( Como eu tinha visto várias recomendações em sites sobre La Paz, e tinha o endereço, estava disposta a procurar. Mas não foi necessário: encontramos o museu por acaso enquanto nos divertíamos nas lojinhas de artesanato. A entrada fica aqui, em meio às lojinhas dessa galeria, na Calle Linares 960:

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E logo se chega à entrada do museu:

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A visita é muito interessante: vários painéis de fotos contam a história das folhas de coca, a tradição andina de mascar as folhas, a relevância cultural desse rito e, claro, o momento em que a tradição descambou para a produção e consumo de cocaína. Instrutivo e divertido a um só tempo – recomendo!

Quando terminamos a visita, ainda demos uma voltinha pelas ladeiras do centro de La Paz, mas já era hora de tomar um táxi de volta ao hotel, descansar um pouco e escolher um bom restaurante para jantar… :D

Minha curta estada em La Paz não foi mais do que um passeio – e, como seria impossível ter uma noção mais do que superficial da cidade em tão pouco tempo, procurei apenas me deixar levar e absorver o máximo que pudesse das cores, cheiros e sons paceños.  E não vi pela janelinha, não! Fizemos o city-tour pela manhã, mas à tarde voltamos por nossa conta para sentir a cidade mais de perto… ;-)

Um dos primeiros lugares que visitamos foi a Calle Jaen, preservada tal como era na época colonial. Todo o calçamento é original, e os edifícios são mantidos impecáveis – hoje em dia, praticamente todos são sedes de museus, como o Museo de Metales Preciosos, o Museo del Litoral Boliviano, o Museo Costumbrista e outros.

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Aqui La Paz já começa a dar uma amostrinha do seu gosto pelas cores:

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Visitamos o Museo de Metales Preciosos e seguimos o nosso caminho rumo à Plaza Murillo, a praça central de La Paz. Não pude deixar de observar que os ônibus antigos (adoro!) contribuem para deixar a cidade ainda mais alegre – há de todas as cores, e eu até tentei fotografar vários, mas só esse azulzinho saiu bem na foto… :lol:

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Chegamos, então, à Plaza Murillo. No centro de La Paz, praticamente todos os caminhos levam a ela – sempre que se desce uma rua, é na direção da praça que se vai. E ela se revela assim, de sopetão, majestosa, imponente, linda na sua mistura de Europa e América: arquitetura colonial, povo indígena e turistas de todo o mundo buscando histórias pra contar… ;-)

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