Archive for December, 2007

A idéia de visitar a Bolívia me acompanha desde que estive no Chile pela primeira vez, em setembro de 2000. Naquela ocasião, quando visitei os Geysers del Tatio, soube que estava a apenas 10 km da fronteira entre o Chile e a Bolívia – não tive a oportunidade de cruzar a fronteira, mas a distância insignificante aguçou a minha curiosidade…

Três anos mais tarde, quando fui a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, tive a chance de cruzar a fronteira com a Bolívia inúmeras vezes, tanto de carro, para conhecer o free shop de Puerto Quijarro ou a igrejinha colonial e o píer de Puerto Suárez, quanto de barco, passeando pelo Rio Paraguai – e a curiosidade aumentou… ;-)

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A igrejinha colonial de Puerto Suárez e o marco da divisa Brasil-Bolívia visto do Rio Paraguai

Quando surgiu a idéia desta viagem, o foco principal da nossa atenção era o Peru, não a Bolívia. Queríamos curtir o centro histórico de Cuzco, visitar as ruínas de Machu Picchu, conferir os restaurantes de Lima. Mas, com 15 dias de férias nas mãos e as lembranças de alguns programas da TV a cabo sobre o Lago Titicaca, o roteiro original começou a ser adaptado e a tomar a forma atual.

A princípio, o mais importante era inserir o lago no roteiro, fosse pelo lado peruano ou pelo boliviano. Analisando o mapa, o mais sensato parecia ser aproveitar a proximidade do lago com La Paz e a estrutura turística de Copacabana, até porque a distância de Lima a Puno, a cidade-base para os passeios pelo lado peruano do Titicaca, é bastante considerável.

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Mapa: Turisbus

E foi assim que começaram as pesquisas sobre a Bolívia. Se iríamos chegar por La Paz, teríamos que dedicar ao menos uns dias à cidade, e não partir para Copacabana de imediato – e assim começamos a descobrir a riqueza histórica e cultural das civilizações pré-incaicas e pré-colombianas, além de toda a beleza natural de um país que oferece montanhas, lagos gelados, selva amazônica, cidades históricas e desertos de sal, tudo em um só pacote… ;-)

Infelizmente, o nosso período de férias, que parecia até generoso a princípio, começou a parecer escasso para dar conta de tantos atrativos! E foi então que decidimos ver o que fosse possível no pouco tempo que nos cabia na Bolívia, sem lamentações, mas sabendo que estávamos deixando várias e várias atrações para uma outra oportunidade.

Originalmente, o nosso roteiro já continha pouco tempo na Bolívia: eram 4 noites, distribuídas do seguinte modo:

  • 3 noites em La Paz: chegaríamos à cidade de madrugada, e teríamos 2 dias inteiros para visitar a cidade em si, o Valle de la Luna e o sítio arqueológico de Tiwanaku;
  • 1 noite em Copacabana: sairíamos de La Paz bem cedo para chegar à Copacabana ainda pela manhã, contando aproveitar a tarde para um passeio à Isla del Sol.

Pois bem: quase tudo correu como o planejado, exceto pelo fato de que o nosso vôo de ida para La Paz foi cancelado e perdemos o primeiro dia das férias:cry: Tivemos então que rever as nossas prioridades: resolvemos sacrificar a ida a Tiwanaku e substituí-la por um city-tour por La Paz, para pelo menos tentar ter uma noção da cidade. Resumo da ópera? Parece que funcionou, mas preciso voltar a La Paz com mais calma e devo a mim mesma uma visita a Tiwanaku;-) Em Copacabana, tudo deu absolutamente certo!

No dia em que eu voltar à Bolívia – e eu espero que não demore! – quero dedicar uns 15 dias ao país, nada de 4 ou 5, apenas…

Para começar, talvez eu chegasse por Santa Cruz de la Sierra, para conhecer uma outra Bolívia, mais rica e moderna por conta do petróleo e do gás, mais envolvida em sua herança européia. Aproveitaria para visitar a região das missões. Dedicaria algum tempo às belezas naturais do Salar de Uyuni e suas lagunas multicolores. Visitaria a cidade de Potosí, grande produtora de prata na época colonial. Iria a Sucre, a capital constitucional da Bolívia, um importante centro cultural do país. Passaria ao menos um dia em Oruro, outra cidade de herança colonial. Voltaria a La Paz, dessa vez com tempo para ir a Tiwanaku. E provavelmente terminaria o périplo novamente em Copacabana, curtindo a vista maravilhosa do Lago Titicaca… :D

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A Bolívia foi uma grande surpresa para mim no quesito alimentação. Por mero desconhecimento e um pouco de preconceito (assumo, né, fazer o quê…) eu não contava que a comida me agradasse muito – esperava temperos carregados e sabores “exóticos” no mau sentido… ;-)

Pois bem, dou a mão à palmatória e a cara a tapa… :lol: A culinária boliviana me conquistou de imediato. É uma cozinha delicada, com base em uma enorme variedade de frutas, legumes, verduras e grãos – só de batatas eles produzem mais de 200 tipos diferentes!!! (Fiquei pensando nas nossas “batatas” – e similares – e não consegui sair do básico: batata inglesa, batata doce, batata baroa, aipim, inhame… Alguém sabe de outras mais? Será que temos tão pouca variedade assim?!? :P )

Mas é verdade que a minha amostragem foi bastante limitada… Passamos poucos dias no país, fizemos nossas refeições em bons restaurantes, evitamos comer na rua. Embora haja por toda La Paz uma quantidade imensa de barraquinhas vendendo empanadas e salteñas, e o cheirinho fosse delicioso, não confiei o suficiente na higiene para provar esses petiscos na rua, não…

Provei depois as empanadas bolivianas em uma lanchonete da Peatonal próxima à Plaza Murillo – e achei deliciosas! São completamente diferentes das argentinas e das chilenas: a massa é um pouco mais seca, mais crocante, e o formato mais arredondado; regulam em tamanho com as argentinas, e são menores que as chilenas; normalmente são assadas, como na Argentina, enquanto no Chile costuma-se fazer bastante a empanada frita; e o sabor mais comum é o queijo, enquanto na Argentina a empanada mais típica é a de carne. Enfim, acho que isso basta para dar início ao Tratado Portilho sobre as Empanadas… :lol:

Os preços em geral também são bastante convidativos. Aqui vão alguns exemplos, em bolivianos (para converter rapidamente para real, basta dividir por 4):

  • 1 garrafa de água mineral (500 ml): 3b
  • 1 refrigerante em lata: 5b
  • Lanche de empanada com café ou chá: 5b
  • Jantar no Utama (La Paz), com sobremesa mas sem vinho: 94,50b
  • Almoço no Peña Colonial (Copacabana), sem sobremesa: 26,60b

img_0020.JPG img_0026.JPG Os maravilhosos lagostins do Utama… hummm!!!

img_1108.jpg img_1109.jpg O delicado spaghetti com truta do lago do Peña Colonial

Um dos restaurantes de que mais gostamos foi o Kota Kahuaña, do Hotel Rosario del Lago em Copacabana – mas desse não sei o preço, pois a nossa hospedagem incluía pensão completa.

img_1077.jpg img_1071.jpg O restaurante Kota Kahuaña…

11-food-8.jpg img_1073.jpg img_1074.jpg … e suas delícias de dar água na boca… ;-)

Ainda volto com um balanço geral do roteiro e depois seguimos rumo ao Peru!!! :D

Montamos base em duas cidades da Bolívia: passamos 2 noites na capital La Paz e uma na pequena Copacabana. Dessa vez nem mesmo cotei o valor da hospedagem em agências de viagem aqui no Brasil. Nas minhas primeiras pesquisas pela Internet encontrei preços tão convidativos que decidi resolver tudo online, mesmo… ;-)

La Paz é uma capital relativamente bem servida de hospedagem. Há hotéis para todos os gostos e bolsos. No site da Asia Rooms é possível ter uma idéia, analisando as diárias para quarto duplo dos hotéis 5 estrelas Europa (US$ 87), Presidente (US$81), Radisson (US$76) e Plaza (US$ 64).

Como a nossa proposta era de uma viagem mais econômica, optamos por escolher o nosso entre os hotéis mais básicos. Nesse quesito, o campeão em custo-charme-benefício foi o Hotel Residencial Rosario, onde deixamos nossos nomes em uma lista de espera que, infelizmente, não deu em nada… O Hotel Rosario virou então um projeto a ser concretizado em uma próxima vez… (Eu sei, ninguém mais agüenta as minhas lamentações sobre a falta de vagas no Rosario… Mas o que fazer? Virou uma cisma daquelas!)

Ficamos então no funcional Hotel Columbus, que nos serviu bastante bem, embora sem o charme do Rosario… (Pára de reclamar, Carla! :D )

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Já em Copacabana, o Hotel Rosario del Lago se revelou melhor do que a nossa expectativa – em termos de charme, bom serviço, excelente localização e um restaurante nota 10… Sem contar, claro, o preço absolutamente imbatível: US$ 41 o quarto duplo!

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No próximo post, vou fazer um balanço geral sobre alimentação na Bolívia! Em breve, espero… ;-)