Archive for May, 2008

Pessoal, essa novela sobre o Peru está rendendo muito mais do que eu esperava… Eu pensei que conseguiria terminar antes de vir pra Riverside – e não deu. Depois pensei que, uma vez aqui, terminaria rapidinho – mais uma vez, não deu. Por fim, tentei correr um pouquinho pra terminar antes de botar o pé (ou melhor, as rodas) na estrada de novo – e não vai dar…

Vou fazer só mais uma pausa breve, de agora até o início de junho. É por uma boa causa. A partir de amanhã, recebo a visita de uma amiga de longa data, a Márcia, companheira de grandes momentos e altas roubadas em várias viagens. Vamos alugar um carro e partir num roteiro intitulado por ela “Thelma e Louise sem as encrencas”… :D (Assim espero!) Já eu batizei esse roteiro, desde a fase embrionária, de “Roteiro do Coelho Maluco da Alice”, lembram? Aquele do “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll (devidamente “disneyzado” depois…), que vivia correndo, sempre apressado, carregando um relógio?

Pois é… Eu ainda não sei como vai funcionar esse roteiro na prática. Mas já posso afirmar 3 coisas antes mesmo de ligar o carro:

- não dá pra seguir os nossos passos com menos de 2 motoristas – as distâncias são imensas e, embora as estradas americanas sejam bastante boas, o limite de velocidade é razoavelmente baixo, e é muito chão para um motorista só, ao menos no tempo em que pretendemos percorrê-las;

- esse roteiro só é possível com um GPS – ao menos na velocidade em que pretendemos fazê-lo: não há tempo para se perder;

- ele funciona melhor se uma das pessoas já conhecer a região (eu, no caso, conheço todas as cidades grandes) e a outra confiar cegamente na primeira para planejar todo o roteiro (a Márcia, for better or worse, confia… ;-) ). Isso possibilita ir direto aos pontos principais, deixando outros menos interessantes de lado.

Por enquanto não vou nem contar quanto tempo pretendemos passar em cada lugar, mas deixo aqui um gostinho do nosso percurso:

- Grand Canyon;

- Las Vegas;

- Death Valley;

- Yosemite National Park;

- Lake Tahoe;

- Napa Valley;

- San Francisco;

- Monterey, Carmel, Big Sur Coast;

- Santa Barbara;

- Los Angeles;

- San Diego.

Depois preparo um roteirinho seguindo os moldes de sempre, com o orçamento bonitinho (menos a passagem, porque ninguém vai querer voar pras cercanias de Riverside, né? Mas dou uma idéia pelos preços que pescar na Internet…)

E quando eu voltar, retomo a novelinha peruana até acabar! Nesse meio tempo, sugiro uma visita ao blog do Arthur, que acabou de voltar do Peru e já botou no ar uns posts mais recheados do que os meus!!! :D

Ou: palavras são necessárias? ;-)

A verdade é que a chegada a Machu Picchu é sempre impactante… Imagino que para quem faz a Trilha Inca e vê Machu Picchu pela primeira vez ao nascer do sol seja ainda mais poético, mas o fato é que ninguém está verdadeiramente preparado para se deparar com aquela cidadela no meio das montanhas, escondida até o último minuto… Não dá pra evitar imaginar o que não deve ter sido para Hiram Bingham, o explorador que no início do século XX finalmente revelou ao mundo o segredo inca escondido por tanto tempo, nunca descoberto pelos colonizadores espanhóis…

Infelizmente não tenho aqui comigo as informações que guardei sobre Machu Picchu, e não vou poder ser precisa nem explicar bem as fotos… Mas compartilho com vocês o meu olhar sobre esse tesouro… ;-)

Ao descer do trem, o cenário não é muito animador… Chegamos à cidadezinha de Aguas Calientes, um povoado que vive do turismo a Machu Picchu, e que oferece hospedagem e alimentação à maioria dos turistas, ou seja, aqueles que não pagam mais de US$ 400 a diária para se hospedar dentro do parque… ;-)

A cidadezinha se desenvolveu em torno da linha do trem – aí estão os restaurantes, boa parte dos hotéis, muitas lojinhas e um grande mercado de artesanato:

O nome desse restaurante aí embaixo não é demais? Até quem não é índio fica feliz com a idéia de um bistrô franco-peruano… :lol:

Claro, há também uma igrejinha!

Compramos então nossos bilhetes para o ônibus Aguas Calientes – Machu Picchu, e começamos a nossa jornada montanha acima…

(Gente, sério que não é só pelo prazer do suspense… O tempo anda escasso mesmo pra atualizar o bloguito!) ;-)

Nossa jornada começou bem antes do sol nascer, bem antes de qualquer horário razoável para uma criatura em férias, mas não antes que Cuzco acordasse… Afinal, ela está acostumada – todos os dias um número enorme de turistas deixa o conforto das suas camas quentinhas e toma o rumo da Estação San Pedro, de onde partem os trens para Machu Picchu. A movimentação é tão rotineira que todos os hotéis começam a servir o café da manhã às 05:00, e sempre há táxis rodando pelas ruas da cidade.

No nosso caso, deu tempo até de tomar o café da manhã com calma – ainda bem, porque eu estou sempre faminta de manhã, e detesto sair sem comer… :roll: E nem precisamos de táxi, já que o Terra Andina fica situado a apenas 5 minutinhos a pé da estação. Então lá fomos nós – nem parecia tão cedo, uma multidão se acotovelava na entrada da estação… De repente, que surpresa: havia uma entradinha separada para os passageiros do Vistadome! Não era assim uma primeira classe, mas já valia como um upgrade pra executiva… ;-)

O trem parte às 6:00 da manhã, e a primeira parte da viagem chega a dar vontade de voltar a dormir enquanto o trem desce a montanha… Sim, é preciso descer dos 3.400 m de altitude de Cuzco para seguir para Machu Picchu, já que o caminho passa pelo Valle Sagrado.

Logo depois, porém, a própria paisagem se encarrega de acordar os mais sonolentos… Estávamos então em pleno Valle Sagrado, e a vista do Rio Urubamba é de deslumbrar qualquer um, mesmo àquela hora da manhã… ;-)

A cada nova paisagem eu ficava mais feliz pelos janelões do Vistadome… Mas ainda não estava muito segura de que não teria conseguido fazer algumas fotos semelhantes pelas janelas do Backpacker…

Foi aqui que eu tive a certeza… Essa neve no alto da montanha eu não teria visto através do teto do Backpacker… :lol:

Depois de quase 4 horas de viagem, chegamos bem perto do nosso destino – a cidadezinha de Aguas Calientes. Dali bastaria tomar o ônibus para subir a montanha e teríamos chegado ao ponto alto da nossa viagem…

Desde o começo do planejamento da viagem – aliás, desde que eu me entendo por gente, e gente que gosta de viajar e queria ir conhecer o Peru – eu sabia que a Trilha Inca não era pra mim… Curiosidade eu tenho, sim – e a Emília, convidada especial do Idas e Vindas no post anterior, ajudou bem a aguçar essa curiosidade… Mas eu me conheço – sempre fui fresca e chata, e depois de arranjar uma hérnia de disco, então, essa aventura não ia dar certo… Assim, eu já fiz os planos trocando a Trilha Inca pelos “trilhos incas”… :lol:

A Peru Rail é a empresa que faz o transporte entre Cuzco e Machu Picchu, assim como de Puno a Cuzco, aliás… Ela pertence ao grupo Orient Express, o que fica bem patente nos trens de luxo que fazem as duas rotas: o Hiram Bingham, de Cuzco a Machu Picchu, e o Andean Explorer, de Puno a Cuzco.

Nota: Nesse post aqui eu dei o passo-a-passo de reserva e compra de bilhetes da Peru Rail.

São 3 tipos de trens turísticos que fazem a ligação entre Cuzco e Machu Picchu (todas as fotos são do site da Peru Rail):

- o Hiram Bingham – um trem de luxo, que ficou só na vontade mesmo; a US$ 588.00 a passagem, acho que nem na próxima encarnação… :P

- o Vistadome – o meu escolhido, um trem panorâmico que tem grandes janelas e boa parte do teto de vidro, para que se aprecie a paisagem; ano passado eu paguei US$ 113.00 ida e volta, mas já vi no site que em 2008 o valor é US$ 142.00 (preços inflacionadíssimos em dólar!!!)

- o Backpacker – o trem convencional, escolhido pela maioria dos turistas que vai a Machu Picchu; para 2008, a tarifa ida e volta é de US$ 96.00.

Há uma boa diferença de preços entre eles, mas a verdade é que não é barato ir a Machu Picchu, seja pela Trilha Inca ou por qualquer dos 3 tipos de trem oferecidos. Claro que o Hiram Bingham é quase uma afronta, mas os outros trens mais “normais” – o Vistadome e o Backpacker – também não são exatamente “baratinhos”… Os preços da atração turística mais famosa do Peru estão completamente fora de qualquer parâmetro praticado no resto do país!

Quando estive lá, em julho de 2007, o meu orçamento foi este:

- Trem Vistadome, Cuzco / Machu Picchu / Cuzco – US$ 113.00;

- Ônibus Aguas Calientes / Machu Picchu / Aguas Calientes – US$ 24.00;

- Ingresso para o Parque Nacional de Machu Picchu, válido por 1 dia – o equivalente a US$ 38.00.

Uma das maiores vantagens que têm aqueles que fazem a Trilha Inca é chegar ao Parque antes que os portões sejam abertos aos turistas; uma forma de aproveitar um pouco dessa calma, mas depois de abertos os portões, claro, é escolher o Vistadome que parte de Cuzco às 6:00 da manhã, que chega a Machu Picchu antes do Backpacker e, portanto, antes da maior parte dos turistas… ;-)

Durante a fase de planejamento, cheguei a pensar em dormir uma noite em Aguas Calientes para voltar a Machu Picchu no dia seguinte. O Bruno Vilaça, em um comentário lá no Viaje na Viagem, me demoveu da idéia com dois ótimos argumentos: primeiro, que só os hóspedes dos hotéis situados dentro do parque podem permanecer lá após o fechamento dos portões, ou seja, adeus pôr-do-sol e nascer do sol na manhã seguinte; segundo, que levando um lanchinho para não precisar sair para almoçar, eu teria tempo mais do que suficiente para percorrer todo o sítio arqueológico. Eu segui a dica, e ela se revelou muito sábia – valeu, Bruno! :D