Uma semana na Serra Ga̼cha I РO Vale dos Vinhedos

Antes de começar a escrever o post propriamente dito, vou fazer uma pequena pausa para ler as mentes dos freqüentadores do I&V: “Como assim, Serra Gaúcha?”, “E a novelinha peruana?”, “Ué, a Carla não estava escrevendo a tese?” Essa última é a mais grave… 😳

Bom, eu estou, sim, escrevendo a tese, e rascunhando esse post aos pouquinhos, por conta de um bom estímulo – quem anda acompanhando o planejamento coletivo da lua-de-mel do Murilo já sabe do que se trata… 😉 Resolvi contar aqui a última viagem que fiz à Serra Gaúcha, em julho de 2005, ainda na fase pré-blog, como forma de dar o pontapé inicial em um bate-papo sobre a região que possa ajudar a ele e a quem mais se interessar. Mas aqui vai um disclaimer: eu só fui 3 vezes à região (1990, 2002 e 2005), não sou nenhuma especialista no assunto e nem acho que as minhas dicas ainda sejam seguras – mas sempre valem como ponto inicial de pesquisa, certo?

Dentre as 3 viagens que fiz, a última foi a que realmente me agradou. Na primeira, estava com meus pais e minha irmã de carro, fazendo um roteiro super bacana que nos levou do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul sem pressa, com direito a várias paradas, curtindo o caminho. Na segunda, eu e a Cláudia (minha “sócia” no I&V) queríamos sumir para algum lugar onde não houvesse Carnaval, e compramos um pacote na última hora – foi divertido, dispensamos todos os passeios, alugamos um carro e aproveitamos bastante. Mas foi só na última, quando resolvi fazer tudo diferente, que realmente pude curtir a Serra Gaúcha como ela merece – ou quase, porque uma semaninha só dá mesmo pra ter uma amostra… 😉

Pra começar, resolvi montar duas bases de hospedagem, e dividi a semana entre o Vale dos Vinhedos (2 noites)  e Gramado (5 noites). Voamos do Rio direto a Porto Alegre, e aluguei um carro por toda a semana. Combinei com a locadora (a Lemmertz, excelente, por sinal) que retiraria e devolveria o carro no aeroporto, e assim fizemos. Chegamos por volta do meio-dia e seguimos diretamente para o Vale dos Vinhedos, onde ficamos o resto desse dia, todo o dia seguinte e parte do outro. Após o almoço do terceiro dia, seguimos para Gramado, onde passamos 5 noites. No início da tarde do último dia, tomamos a estrada para Porto Alegre, devolvemos o carro e voamos de volta para o Rio.

Placa indicando as distâncias às vinícolas e hotéis do Vale
Placa indicando as distâncias às vinícolas e hotéis do Vale

Chegando ao Vale dos Vinhedos, fomos almoçar antes mesmo de fazer o check-in no hotel – e não apenas porque a fome era grande, não… Os restaurantes das vinícolas funcionam em um ritmo diferente dos restaurantes das cidades – lá, alguns abrem para o almoço, outros para o jantar, outros não abrem todos os dias, ainda outros só servem grupos enormes e assim por diante. Nós queríamos experimentar o restaurante da Casa Valduga e, depois de pesquisar os horários no site do Vale dos Vinhedos, descobrimos que a nossa única chance seria no dia da chegada, e não poderíamos demorar muito na estrada, porque o restaurante encerrava o horário de almoço às 15:00h!

Casa Valduga (Fonte: http://www.viagemesabor.com.br)
Casa Valduga (Fonte: http://www.viagemesabor.com.br)

Após o almoço “típico italiano”, uma profusão de comidinhas que achei que não acabaria jamais – sopa de capelletti, polenta, galeto, tudo regado a um bom vinho da própria Casa Valduga, e com direito a sagu de vinho de sobremesa (eu amo sagu de vinho!!!), fizemos uma visitinha rápida à própria vinícola, porque o horário de visitação já estava se encerrando.

Seguimos então para o nosso hotel, o Villa Michelon.  Naquela época, ainda não havia tantas opções de hospedagem dentro do Vale dos Vinhedos como há hoje em dia – a minha primeira opção tinha sido a pousada da própria Casa Valduga, a Villa Valduga, mas não havia disponibilidade. Reservei então o Villa Michelon, e foi uma ótima opção – ambiente agradável, quartos imensos (meu ponto fraco…) e um café da manhã absolutamente maravilhoso!

Hotel Villa Michelon (Fonte: http://www.villamichelon.com.br)
Hotel Villa Michelon (Fonte: http://www.villamichelon.com.br)
Quarto no Villa Michelon (Fonte: http://www.villamichelon.com.br)
Quarto no Villa Michelon (Fonte: http://www.villamichelon.com.br)
Restaurante Villa Michelon (Fonte: http://www.villamichelon.com.br)
Restaurante Villa Michelon (Fonte: http://www.villamichelon.com.br)

No dia da chegada não foi possível fazer mais nenhuma programação no Vale, por conta do horário, e resolvemos então ficar pelo hotel mesmo, e descansar bastante da viagem para começar o dia seguinte com bastante disposição.

Vale dos Vinhedos visto do Villa Michelon
Vale dos Vinhedos visto do Villa Michelon

Há 4 anos atrás ainda não havia a Lei Seca, ou seja, com moderação nas degustações era possível fazer o circuito do Vale dos Vinhedos de carro. Hoje em dia, vale pesquisar se há alternativas oferecidas pelos hotéis da região ou pela própria APROVALE. Aliás, no site do Vale há um mapa interativo imperdível para quem estiver planejando uma viagem à região, com a localização das vinícolas, hotéis, lojinhas, capelas…

Começamos o dia seguinte com uma visita à Vinícola Miolo, e depois seguimos para a Marco Luigi.  Foi interessante comparar uma visita a uma vinícola grande, do porte da Miolo, com a visita mais intimista que fizemos à Marco Luigi – a visita intimista me agradou mais, embora reconheça que a Miolo foi mais rica em informações, e acabou nos preparando para outras visitas. E devo dizer também que na Marco Luigi experimentei o melhor merlot brasileiro que já tomei em toda a minha vida… 8)

Vinícola Miolo (Fonte: http://www.miolo.com.br/site/PT/content/galeria/galeria_vale_vinhedos.php)
Vinícola Miolo (Fonte: http://www.miolo.com.br/site/PT/content/galeria/galeria_vale_vinhedos.php)
Vinícola Miolo (Fonte: http://www.miolo.com.br)
Vinícola Miolo (Fonte: http://www.miolo.com.br)
Vinícola Marco Luigi
Vinícola Marco Luigi

Com os cafés da manhã espetaculares da serra, nossos almoços acabavam sendo meio tardios – embora não menos espetaculares…  Parece regime de engorda, sim, é algo inacreditável! 😆 Nesse dia, o restaurante escolhido foi o Giuseppe, que fica fora do Vale, mas é bastante tradicional na região. À tarde, resolvemos pegar a estrada até Carlos Barbosa, para uma atividade bem prosaica – uma visitinha à loja de fábrica da Tramontina…

No dia seguinte, que seria o nosso último no Vale, saímos cedo para ir até a Vinícola Salton, que também fica fora do Vale. Sinceramente, não valeu o deslocamento… A bem dizer, para um leigo, logo as visitas começam todas a se assemelhar, o que aumenta bastante o charme das visitas às vinícolas familiares, onde se pode conversar com as pessoas de forma mais próxima, e realmente aprender mais sobre o seu estilo de vida e sobre a produção do vinho sem fazer parte de um grupo de 20 pessoas… De volta ao Vale, fomos direto visitar a Don Laurindo, que é exatamente desse jeitinho que eu descrevi!

Vinícola Salton (Fonte: http://www.salton.com.br)
Vinícola Salton (Fonte: http://www.salton.com.br)
Vinícola Don Laurindo (Fonte: http://www.turismogaucho.rs.gov.br)
Vinícola Don Laurindo (Fonte: http://www.turismogaucho.rs.gov.br)
Vinícola Don Laurindo - vinhedos (Fonte:http://www.sitedovinhobrasileiro.com.br)
Vinícola Don Laurindo – vinhedos (Fonte:http://www.sitedovinhobrasileiro.com.br)

Depois de fazer o check-out do hotel, fizemos a nossa última visita a uma vinícola do Vale, já praticamente na saída – a Vinícola Cordelier. Lá fica um excelente restaurante, o Don Ziero, já testado e aprovado pelos Destemperados… 😉 Tenho lembranças maravilhosas do filé ao molho de uvas que almocei aquele dia! 😀

Vinícola Cordelier (Fonte: http://www.sitedovinhobrasileiro.com.br)
Vinícola Cordelier (Fonte: http://www.sitedovinhobrasileiro.com.br)
Ristorante Don Ziero
Ristorante Don Ziero

Algo que me ocorreu ao longo da preparação desse post é que  essa vida de blogueira é mesmo curiosa! Hoje em dia não me passaria pela cabeça me hospedar nesses hotéis, visitar essas vinícolas e almoçar nesses restaurantes e não ter fotos pra publicar no blog! 😳 Quase todas as fotos que ilustram esse post foram “gentilmente” tomadas da Internet – com as devidas referências “bibliográficas”, é claro, ou não seria a blogueira quase uma doutora… :mrgreen:

Mordendo a maçã

Sem nenhuma pretensão de fazer um post verdadeiramente gastronômico,  resolvi fechar a série novaiorquina com algumas dicas do que valeu a pena experimentar…

Na esquina da Rua 57 com a Oitava Avenida, um café bastante simpático para um lanche rápido é o Café Europa (205 W 57th St).  O local é despretensioso, mas prático para um chocolate ou cappuccino numa tarde de inverno. À noite, as sopas e sanduíches são também uma ótima pedida.

Fonte: http://farm3.static.flickr.com/2093/2322979865_c1241971e0.jpg?v=0
Fonte: http://farm3.static.flickr.com/2093/2322979865_c1241971e0.jpg?v=0

Em um dia de passeio pelas imediações do South Street Seaport, os fãs da cozinha mexicana não vão se arrepender de dar um crédito ao Red (19 Fulton St).  Os nachos, burritos e quesadillas são super gostosos, bastante em conta e condimentados quase à mexicana… 😉

Fonte: http://www.arkrestaurants.com/section_home.cfm?section_id=1&location_id=1&restaurant_id=12
Fonte: http://www.arkrestaurants.com/section_home.cfm?section_id=1&location_id=1&restaurant_id=12

Um lugar onde fomos mais de uma vez,  por conta da localização perfeita ao lado do hotel, foi o Angelo’s (117 W 57th St), um italiano que lota na hora do almoço. As pizzas, saladas e massas são deliciosas – e o preço, bastante razoável para os padrões novaiorquinos.

Fonte: http://www.angelospizzany.com/locations.htm
Fonte: http://www.angelospizzany.com/locations.htm

Um achado que eu muito recomendo é o Seeda Thai II (309 W 50th St), um tailandês super aconchegante, com uma comida deliciosa e um atendimento primoroso. Detalhe: gostamos do ambiente quando passsamos a caminho do teatro, e o maître nos garantiu que manteria a cozinha aberta até a nossa volta – me encantei com a delicadeza e mais ainda com o jantar… 😉

Fonte: http://hellskitchennyc.blogspot.com/2007/07/seeda-thai-ii-never-disappoints.html
Fonte: http://hellskitchennyc.blogspot.com/2007/07/seeda-thai-ii-never-disappoints.html

Uma noite nos dirigimos ao Meatpacking District, para conferir a dica de uma amiga minha: o Buddha Bar (17 Little West 12th St). Fiquei encantadíssima com a decoração do lugar, muito bacana! O ambiente é super gostoso, as músicas, ótimas; mas o jantar não foi nada demais…

Fonte: http://thefreshnesstheory.wordpress.com/2009/01/26/i-wanna-go-to-new-york-haha/
Fonte: http://thefreshnesstheory.wordpress.com/2009/01/26/i-wanna-go-to-new-york-haha/
Fonte: http://iwandahnial.wordpress.com/2009/03/16/restoran-%E2%80%9Cbuddha-bar%E2%80%9D-melecehkan-agama-buddha/
Fonte: http://iwandahnial.wordpress.com/2009/03/16/restoran-%E2%80%9Cbuddha-bar%E2%80%9D-melecehkan-agama-buddha/
Fonte: http://zoice.com/2008/11/14/architecture-the-buddha-bar/
Fonte: http://zoice.com/2008/11/14/architecture-the-buddha-bar/

Na noite em que estávamos hospedados no Hotel On Rivington, resolvemos aproveitar a reserva preferencial para hóspedes e experimentar o Thor (107 Rivington St). Jantar delicioso, ótimo vinho, serviço impecável – ótima opção no Lower East Side! 😉

Fonte: http://nymag.com/daily/food/2007/01/thor_just_wants_to_fit_in.html
Fonte: http://nymag.com/daily/food/2007/01/thor_just_wants_to_fit_in.html
Fonte: http://www.guidebook.se/?p=349
Fonte: http://www.guidebook.se/?p=349
Fonte: http://nymag.com/nymetro/food/reviews/restaurant/14783/
Fonte: http://nymag.com/nymetro/food/reviews/restaurant/14783/

Na última noite, a pedida foi um show de jazz em um lugar que há muito tentava a minha imaginação: o Oak Room do Algonquin Hotel. A cantora da semana era Sheera Ben-David – e a noite foi literalmente um espetáculo. A moça tem uma voz maravilhosa, a escolha do repertório também foi ótima e o ambiente por si só já valeria a visita.

Fonte: http://www.algonquinhotel.com/oak-room-supper-club
Fonte: http://www.algonquinhotel.com/oak-room-supper-club
Fonte: http://www.hotelplanner.com/Hotels/18858/Reservations-Algonquin-Hotel-New-York-New-York-59-West-44th-St-10036
Fonte: http://www.hotelplanner.com/Hotels/18858/Reservations-Algonquin-Hotel-New-York-New-York-59-West-44th-St-10036

O Algonquin sempre me encantou por ter sido onde morou a escritora Dorothy Parker – e freqüentado por muitos outros escritores, como William Faulkner, Sinclair Lewis,  Derek Walcott, Gertrude Stein, Simone de Beauvoir, Maya Angelou… O próprio Oak Room era um ponto de encontro de escritores,  e o Rose Room abrigou a famosa Round Table – seus membros, comandados por Dorothy Parker, almoçaram ali todos os dias por 10 anos, a partir de 1919. Em 1996 o hotel foi considerado um ponto turístico literário – não bastasse ter sido onde William Faulkner esboçou o discurso de aceitação do Prêmio Nobel de 1958… 😉

Isso não foi tudo, foi apenas o melhor… Também não bastou para matar as saudades de NY, onde eu não ia há anos – mas foi interessante conhecer alguns lugares onde tinha muita vontade de ir, e outros que nem sabia que existiam. A sensação é a mesma de todas as vezes em que vou até lá – taí uma cidade verdadeiramente inesgotável, já estou precisando voltar! 😀

Daí tantas Idas & Vindas… 😉