Pelos jardins…

O dia seguinte amanheceu lindo – aliás, tivemos muita sorte com o clima ao longo da semana, choveu apenas uma manhã! Fazia um friozinho bem gostoso, o céu estava azul e não havia o menor sinal de chuva, ou seja, era um dia perfeito para ir passear ao ar livre.

Começamos o dia tomando o nosso café da manhã em um local já bem conhecido meu: o Café del Pilar, onde eu já tinha ido várias vezes ano passado. Depois de comprovar que o café continua uma delí­cia, tomamos um táxi para o Jardín Japonés.

O Jardín Japonés, visto do 2o. andar do centro cultural

O Jardí­n Japonés, visto do 2o. andar do centro cultural

O Jardí­n Japonés é um dos meus recantos preferidos dos Bosques de Palermo – rivaliza apenas com o Patio Andaluz e o Rosedal… 😉 Dessa vez, como fomos na primavera, ele estava especialmente bonito. É um lugar onde eu vou sempre que estou em Buenos Aires – em todos esses anos, acho que só deixei de ir uma vez! Pra mim, nunca vai ser um lugar pra dar por visitado – é pra chegar sem pressa, curtir a beleza do jardim, deixar passar o tempo… Há mesmo um restaurante japonês lá dentro, para os apreciadores (entre os quais eu não me incluo… ) Lá as crianças não entram de graça, mas o ingresso delas custa apenas $1 – o ingresso para os adultos custa $5.

Dessa vez, a visita começou diferente… Gosto de observar e fotografar as carpas nos lagos, mas nunca tinha me ocorrido comprar comida para elas, que sempre me pareceram super alimentadas. Mas era exatamente isso o que interessava ao Jonas fazer, então seguimos o mapa para chegar até o vivero, onde há saquinhos de comida para peixes à venda por $3.

Mapa do Jardín Japonés

Mapa do Jardí­n Japonés

Comidinha para os peixes...

Comidinha para os peixes…

Alimentando as carpas...

Alimentando as carpas…

As famintas!

As famintas!

Saí­mos do Jardí­n Japonés no fim da manhã, e seguimos a pé pela Avenida del Libertador em direção ao Parque de Palermo. Querí­amos visitar o Rosedal, mas chegando lá, vimos que o acesso estava fechado naquele dia. Mudamos os planos imediatamente, e decidimos aproveitar o dia bonito no Jardí­n Zoológico.

Como tinhamos tomado café da manhã meio tarde, resolvemos trocar o almoço por um lanche, aproveitando que estávamos em um ótimo lugar para curtir uma das mais deliciosas comidinhas de rua portenhas – o choripan. O choripan é um sanduiche de pão com lingüiça, normalmente servido com molho chimichurri – o nome vem dos ingredientes, chorizo (ou seja, lingüiça) e pan. Os quiosques de choripan são muito comuns na região do Parque de Palermo e na Costanera Sur.

Fonte: We are Never Full (http://www.weareneverfull.com/you-can-keep-your-hot-dogs-make-mine-a-choripan)

Fonte: We are Never Full

Fonte: My Gourmet Online

Fonte: My Gourmet Online

O segundo passeio do dia foi o Jardin Zoológico, onde o ingresso das crianças também é gratuito. Para os adultos, pode-se comprar o ingresso simples, a $12, ou o Pasaporte, a $ 22, que dá direito a visitar também o cinema 3D, a selva subtropical, o reptilário e o aquário. É possí­vel também pagar o ingresso isolado para cada uma dessas atrações, a $6 – e as crianças continuam entrando de graça… 😉

Observando de perto...

Observando de perto…

Eu e o Jonas fizemos uma visita também ao reptilário, onde ele amou ver as cobras (e eu nem tanto, claro…), as tartarugas e os filhotes de jacaré…

Essa senhora tem 109 anos de idade!

Essa senhora tem 109 anos de idade!

Não são lindos os filhotinhos de jacaré?

Não são lindos os filhotinhos de jacaré?

Pose em frente ao elefante...

Pose em frente ao elefante…

A elegância do tigre branco...

A elegância do tigre branco…

Enfim, o rinoceronte!

Enfim, o rinoceronte!

Lindo! Mas precisava ser tão exibido? ;-)

Lindo! Mas precisava ser tão exibido? ;-)

No fim da tarde, tomamos o metrô de volta pra casa. Depois, saí­mos para fazer umas comprinhas básicas, já que a previsão do tempo dava chuva para a manhã seguinte, e decidimos preparar o café da manhã em casa mesmo.

Mais tarde, curtimos um jantarzinho calmo ali no La Strada, próximo ao Village Recoleta – a quadra inteira está super deprimente, com vários lugares fechados. Tudo bem, a região já não era point há algum tempo, mas agora está mesmo com cara de “atrás do cemitério”! Por fim, fomos em busca de um Freddo onde houvesse variedade de sabores para agradar ao pequeno, que queria um sorvete de menta com baunilha… A figurinha não gosta de sorvete de chocolate, ou doce de leite, ou qualquer desses sabores mais comuns – pode, uma criança que não toma sorvete de chocolate?!? :roll:

Entre livros e praças, barcos e museus…

Uma das minhas maiores preocupações nessa viagem com o Jonas era mantê-lo entretido com atividades que interessassem bastante a ele – porque eu queria que ele gostasse da viagem, claro, mas também porque foi a primeira vez em que ele ficou tanto tempo (1 semana inteira!) longe da mãe.  Procurei bolar um roteirinho que intercalasse lugares que interessariam especificamente a ele com outros que agradassem também aos adultos. No fim das contas, foi uma ótima surpresa: nós também nos divertimos a valer com a programação infantil e ele se revelou um turista mirim cheio de disposição! No dia da nossa chegada nem fomos passear – entre o atraso do vôo e os procedimentos de alugar o apartamento, que acabaram também atrasando, perdemos praticamente a tarde toda! Resolvemos só sair para um jantarzinho rápido e fomos dormir cedo para acordar com bastante disposição. No dia seguinte, depois do café da manhã super gostoso no El Trébol, fomos caminhando até a Librería El Ateneo Grand Splendid.

El Ateneo Grand Splendid

El Ateneo Grand Splendid

A idéia era mostrar ao Jonas o teatro transformado em livraria – e também deixar que ele se divertisse um pouco no espaço infantil. Eu nem esperava que ele se interessasse tanto, já que os livros eram todos em língua estrangeira, mas ele curtiu à beça!

O espaço infantil da Ateneo

O espaço infantil da Ateneo

Compenetradíssimo...

Compenetradíssimo…

Saindo da livraria, caminhamos mais um pouco para tomar o metrô na Estação Callao. Achei engraçadíssimo notar como, com uma criança por perto, as nossas expectativas podem ser completamente viradas de cabeça pra baixo. Acho que eu esperava por tudo, menos que o ponto alto da manhã passasse a ser justamente a ida de metrô até o centro… Foi a primeira vez que o Jonas andou de metrô e ele amou essa história de pegar um trem que passa debaixo da terra e depois subir uma escadinha pra voltar pra rua – vendo por esse ponto de vista, não é mesmo o maior barato?!? 😉

Nenhum ônibus turístico estragando a foto?!?

Nenhum ônibus turístico estragando a foto?!?

Fomos turistar um pouquinho na Plaza de Mayo. Procurei incluir várias atividades ao ar livre, pra aproveitar os dias bonitos – e porque criança precisa correr, brincar, gastar energia… Aproveitando que não havia nenhum ônibus turístico à vista (em tantas idas a Buenos Aires, essa foi a primeira vez em que consegui fotografar a fachada da Catedral desobstruída!), resolvemos entrar para uma visita rápida, na medida do interesse do Jonas. Eu queria que ele visse também coisas que não são especificamente voltadas para as crianças, mas respeitando a pouca idade dele – então entramos na Catedral, mostramos o teto, o altar principal, o chão de mosaico e já tomamos o caminho da saída. Afinal, ele vai ter o resto da vida pra observar detalhes de catedrais, se quiser… 😉

Olhando para o alto...

Olhando para o alto…

... para frente...

… para frente…

... e para baixo!

… e para baixo!

De volta à Plaza, demos mais uma volta, fizemos algumas fotos e eu emprestei a minha câmera pra que ele escolhesse o que iria fotografar – com a câmera bem presa ao pulso, claro, a tia aqui do lado o tempo todo e a proibição expressa de correr… 😉

A famosa casinha cor-de-rosa...

A famosa casinha cor-de-rosa…

E não é que algumas fotos ficaram bem interessantes? Essa aqui embaixo eu acho super bacana – dá pra notar que foi feita de um ponto de vista mais baixo do que estamos acostumados…

O ponto de vista do pequeno...

O ponto de vista do pequeno…

E surgiram umas “pérolas” também, como o vôo rasante do pombo… (Isso lá é foto que se publique?!? Essa tia tá passando dos limites da corujice…)

Vôo rasante...

Vôo rasante…

Seguindo a idéia de intercalar os programas infantis e os adultos, fomos almoçar no antigo La Caballeriza do Puerto Madero (agora rebatizado de Parrilla Argentina) – é o restaurante favorito do meu pai, o primeiro onde vamos almoçar sempre que estamos em Buenos Aires… Pois o Jonas também ficou apaixonado pelo restaurante, tanto que voltamos a almoçar lá no último dia! Logo depois do almoço, voltamos aos programas feitos pensando nele –  uma visita a um dos dois buques-museo que ficam permanentemente ancorados no Puerto Madero: a Fragata Sarmiento e a Corbeta Uruguay. Escolhemos a Uruguay apenas pela localização, bem em frente ao restaurante.

Corbeta Uruguay

Corbeta Uruguay

Os ingressos são baratíssimos: apenas $2 por pessoa, e crianças não pagam – o fato é recorrente em diversas atrações, o que achei sensacional! Nada como a gratuidade da entrada infantil para estimular os pais a levarem os seus pequenos para visitar museus e outras atrações…

Apreciando a paisagem...

Apreciando a paisagem…

O Jonas amou a visita ao barco, que percorreu inteirinho DUAS vezes – haja fôlego!!! 😀

Trabalho...

Trabalho…

... mais trabalho...

… mais trabalho…

... e pose!

… e pose!

Voltamos para a Recoleta de táxi e fizemos uma paradinha rápida no La Biela para um cafezito. Como era feriado (12 de outubro – Día de la Raza), os gramados das praças da Recoleta estavam repletos, com muitos querendo aproveitar o solzinho delicioso da primavera…

Solzinho bom...

Solzinho bom…

… enquanto outros procuravam defender o dinheirinho suado de cada dia:

Duas figuras...

Duas figuras…

Estávamos a caminho da atração mais esperada do dia: o Museo Participativo de Ciencias / Prohibido No Tocar, que fica dentro do Centro Cultural Recoleta. Só fui descobrir esse museu quando comecei a fazer pesquisas sobre atividades para crianças, e fiquei também super interessada. O Jonas estava super ansioso – imagina só, um museu onde não apenas se pode, mas se DEVE mexer nos objetos!!!

Centro Cultural Recoleta

Centro Cultural Recoleta

O museu realmente agrada a curiosos de todas as idades – nós todos brincamos um bocado lá dentro! 😉 São mais de 10 salas, com experimentos relativos a diferentes ciências – alguns agradam mais às crianças pequenas, outros já demandam um conhecimento mais específico (coisas que eu fiz questão de esquecer assim que pude…), e são mais adequados aos maiores… Fiquei com pena que o meu irmão, que é químico, não estivesse lá – pra ele, aquilo seria como a Disney! 😉 A maioria das atrações é muito divertida, e vale a pena visitar com calma – descobre-se desde a explicação para certas ilusões de ótica até como funciona um GPS! Claro que, mais uma vez, a visita com uma criança pequena não vai ser muito extensa, ou deixaria de ser divertida – seguimos o ritmo do Jonas, brincamos um bocado com ele nos experimentos mais fáceis de compreender e desviamos a atenção dele quando os assuntos se tornavam complexos demais para a idade dele. Afinal, ele sempre vai poder voltar depois…

Museo Participativo de Ciencias

Museo Participativo de Ciencias

Mas nesse museu as crianças não entram de graça… De qualquer forma, os ingressos também são muito em conta: apenas $ 15 por pessoa!

Que fôlego!

Que fôlego!

Ao final da tarde, já não sobravam muitas forças. É sério, quem encara o ritmo de uma criança todos os dias deveria receber uma medalha, ou ser canonizado, não sei… 😆 Voltamos então para o apê, fomos tomar banho, relaxar um pouquinho e saímos apenas para uma pizza perto mesmo de casa. Depois, fomos dormir relativamente cedo para acordar também cedo e poder aproveitar bastante o dia seguinte!

Paradas estratégicas…

Esse ano, as nossas paradas estratégicas para recarregar as baterias e apreciar os deliciosos restaurantes portenhos não foram muito inovadoras… Revisitamos alguns clássicos, em parte porque eu queria levar o Jonas a lugares já testados e aprovados e que eu sabia que ele ia gostar; e também porque meus pais já não iam a Buenos Aires há mais de 2 anos, e queriam matar suas próprias saudades! Um dos nossos clássicos revisitados  foi o ex-La Caballeriza de Puerto Madero – qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o restaurante favorito do meu pai havia mudado de nome! Quando soube, fiquei receosa que a qualidade da comida também houvesse mudado – mas felizmente tudo continua igualito, igualito… Já na volta, a Angela postou um link em um comentário, que explica que o restaurante precisou trocar de nome por ordem judicial – pensei em sociedade desfeita imediatamente… Se houve mesmo uma briga de sócios, os outros podem ter ficado com a marca, mas o de Puerto Madero deve ter conservado o chef… 😉 Na minha opinião, sempre foi o único La Caballeriza realmente bom – assim, como apenas o nome mudou, resolvi nem repetir o restaurante aqui no blog, já que ele apareceu no post do ano passado… (Ah, sim, agora ele se chama Parrilla Argentina – quanta criatividade…)

Os pratos continuam idênticos!

Os pratos continuam idênticos!

Outro clássico que não poderia faltar, porque eu AMO e sempre recomendo, era o El Sanjuanino, com suas empanadas perfeitas! E a tia-madrinha coruja informa: foi o Jonas quem fez a foto abaixo… 😉

El Sanjuanino

El Sanjuanino

Simples e aconchegante

Simples e aconchegante

Carne picante, queso con cebolla...

Carne picante, queso con cebolla

Um dia em que estávamos pelas imediações do Buenos Aires Design, bem na hora do almoço, resolvemos conferir algum dos restaurantes das terrazas. Eu nunca tinha ido a nenhum, talvez por puro preconceito mesmo. O lugar é super hiper mega turístico, o que sempre me fez pensar em preços estratosféricos aliados a má qualidade… 😳 Pois bem, gostamos da aparência do Prima Fila, um restaurante italiano – difícil errar assim, principalmente em uma cidade como Buenos Aires, com toda aquela imigração italiana!

Prima Fila - Las Terrazas

Prima Fila – Las Terrazas

Minhas fotos não ficaram muito boas, mas felizmente encontrei essas do Guia Oleo, que estão bastante fiéis… 😉 O ambiente me agradou – um pouco grande, mas aconchegante. O serviço também foi bem atencioso.

Tranqüilo e agradável

Tranqüilo e agradável

O ponto negativo do Prima Fila foi justamente o que, a princípio, me chamou a atenção como positivo: o menu infantil. Achei interessante que eles tivessem pratos feitos para as crianças, mas o Jonas não aprovou o que experimentou, um gnocchi que estava mesmo muito sem graça… Em compensação, a lasanha vegetariana, com massa verde e recheio de queijo, abobrinha e beringela estava fantástica!!! 😀

Uma lasanha vegetariana impecável...

Uma lasanha vegetariana impecável…

Quando comecei a ler sobre passear com crianças em Buenos Aires, uma informação que sempre aparecia é que os pequenos são super bem recebidos nos restaurantes em geral – dos mais simples aos mais sofisticados.  E foi exatamente o que vimos na prática! Na última noite, quando já estávamos bem cansados, resolvemos procurar algum lugar perto de casa pra comer uma pizza. Fomos ao Pertutti, na Ave. Santa Fé, em algum ponto entre a Uriburu e a Callao – por incrível que pareça, ele não consta do Guia Oleo!

Per Tutti, em plena Ave.Santa Fe

Pertutti, em plena Ave.Santa Fé

Visto da rua, o Pertutti não impressiona – a entrada é modesta, tem algumas mesas na calçada. O movimento em frente é tanto que nem fiz uma foto. Quando entrei, fiquei surpresa com o tamanho do restaurante! E mais ainda quando a recepcionista nos indicou uma mesa no andar de cima, onde havia recreação para os pequenos! AMEI!!! 😀

Um espaço de recreação infantil...

Um espaço de recreação infantil…

Esse “aquário” é o espaço recreativo, onde uma monitora cuida das crianças, conta histórias, orienta brincadeiras… Há alguns joguinhos eletrônicos também, para as crianças maiores.  O Jonas se encantou de imediato, e passou um tempão jogando Wii, antes e depois da pizza – aliás, se dependesse dele, talvez tivesse dispensado a própria pra continuar brincando! 😉

... que o Jonas amou...

… que o Jonas amou…

Engraçado que eu ainda fiquei meio preocupada, sem saber se ele ia se virar bem por conta da língua diferente… Que nada, ele se fez entender e entendeu direitinho o que diziam a ele! Até desenho animado na TV ele assistiu!!! E quando eu perguntei: “Você tá entendendo o que eles dizem?”, quase morri de rir com a resposta: “Eu tou, tia! Eles falam português quase o tempo todo!!!” Eu mereço… :roll:

... talvez mais do que a pizza!

… talvez mais do que a pizza!

E vale lembrar que os preços dos restaurantes continuam super amigáveis para nós brasileiros e nossos reais… Nossas contas dificilmente superavam os R$ 25 por pessoa!!! (E quanto mais eu escrevo, mais saudade me dá – assim fica difícil não voltar!!! :mrgreen: )