Sexta escala: Puerto Chacabuco

Navegamos por 2 dias consecutivos, sem nenhuma novidade na paisagem externa a não ser uma curiosidade – vimos os destroços de um naufrágio…

A única atração externa em 2 dias…

Finalmente chegamos então a Puerto Chacabuco.

Bem-vindos a Puerto Chacabuco!

Essa escala era a mais misteriosa para mim. Nunca tinha ouvido falar nesse lugar, e não foi muito fácil descobrir informações na Internet…

O Norwegian Sun ancorado em Puerto Chacabuco

Puerto Chacabuco e sua vizinha Puerto Aysén são as portas de entrada de uma das regiões mais bucólicas e menos visitadas da Patagônia – a Patagônia Aysén. A cidade “grande” mais próxima é Coyhaique, que fica a quase 80 km de distância.

As ruas tranqüilas de Puerto Chacabuco

Desembarcamos e demos uma volta a pé pela cidade. As conclusões  a que chegamos em poucos minutos de passeio foram que:

1. As paisagens são belíssimas!

2. Não há nada pra fazer além de admirar as tais paisagens belíssimas… ;-)

Paisagem belíssima com picos nevados
Paisagem belíssima com mata
Paisagem belíssima com barquinho… ;-)

Ao fim do passeio chegamos ao Mirador Chacabuco, em frente ao Hotel Loberías del Sur, que me pareceu ser o único da cidade…

Hotel Loberías del Sur

Como já tínhamos passado 2 dias navegando, e a perspectiva de um dia em terra firme não poderia ser frustrada por falta de passeios, decidimos tomar um ônibus até Puerto Aysén, a apenas 15 km de distância.

Paisagem belíssima no caminho para Puerto Aysén

Puerto Aysén é uma cidade um pouco “menos pequena” do que Chacabuco. Tem uma Plaza de Armas bem bonita:

Plaza de Armas de Puerto Aysén

E tem também agências que oferecem passeios que devem ser bem interessantes para os que curtem esses roteiros de ecoturismo – trilhas, cavalgadas e afins. Não é a minha praia – mas, dada a oferta de paisagens belíssimas ( ;-) ), deve ser uma opção super bacana para os que gostam desse tipo de passeio.

Deixando Puerto Chacabuco

No início da tarde partimos novamente.

Paisagem belíssima com céu azul…

Só pra não perder o costume, navegamos por uma sucessão de  paisagens inacreditáveis. Fazia um frio enlouquecedor, mas o dia estava lindo –  nuvens  branquinhas, uns rasgos de céu azul e sol. Não vou nem tentar descrever as imagens, nem me arrisco a legendar as fotos – melhor deixar que a beleza da região dos fiordes chilenos fale por si só…

Ao fim do dia ainda fomos brindados com um entardecer de cores  suavemente maravilhosas…

Continuamos margeando a costa ao longo da noite, com destino à próxima escala: Puerto Montt.

Quinta escala: Punta Arenas

Bem-vindos a Punta Arenas!

Oito dias após o embarque em Buenos Aires, finalmente chegamos ao Chile – mais especificamente, à mais austral das cidades chilenas, Punta Arenas.

Ancoramos no Chile – literalmente!

O Norwegian Sun ancorou no Estreito de Magalhães de manhã cedo, para uma permanência de 12 horas, a maior de todo o percurso. Não sei o motivo exato dessa permanência tão longa, mas cheguei a achar engraçado que algumas das excursões oferecidas no navio chegavam a prever vôos para o Parque Nacional Torres del Paine ou até mesmo para a Antártida!!! Surreal… ;-)

O Norwegian Sun no Estreito de Magalhães – que de estreito não tem nada…

O Estreito de Magalhães me surpreendeu… Pra começar, eu esperava que ele realmente fosse estreito – que nada, como nos enganamos com os mapas! E senti o navio balançar muito mais navegando por ali do que em pleno Atlântico Sul, a caminho das Malvinas ou do Cabo Horn!

Punta Arenas vista do Estreito de Magalhães

Punta Arenas é uma cidade bem grandinha, e me pareceu um pouco menos convidativa às caminhadas do que Ushuaia. Além disso,  a Avenida Bernardo O’Higgins, que margeia o Estreito de Magalhães,  e onde se concentram os melhores bares e restaurantes, com vista para o estreito,  estava em obras… Somei o fato de que era uma manhã de 2a.f.  e o trânsito não estava lá essas coisas e, pronto, criei uma certa antipatia…

Trânsito de 2a.f., com vista para o estreito…

Tive mais uma frustração em Punta Arenas… Eu queria aproveitar que não tinha visto os pingüins na Península Valdés e visitar uma pingüinera. Nada feito… Nós tínhamos 12 horas de escala na cidade, então não nos preocupamos em tomar café da manhã correndo ou desembarcar depressa… Grande erro!!! As saídas dos passeios são sempre pela manhã, e não chegamos a tempo… :(

Construções históricas na Plaza Muñoz Garnero

Por outro lado, não indo à pingüinera descobrimos que Punta Arenas tem palacetes históricos lindíssimos bem no centro da cidade, no entorno da Plaza Muñoz Garnero – e acabamos mudando o foco do passeio, de pingüins para palácios… ;-)

O Palacio Sara Braun
Um clichê: a igreja em frente à praça…

Demos até um alô para Fernão de Magalhães, ou Hernando de Magallanes,  como é conhecido por lá:

Homenagem à Fernão de Magalhães, descobridor do estreito
Hernando de Magallanes, não – ele era português!!!

Para mim, o ponto alto da visita foi a visita ao Museo Regional de Magallanes:

Museo Regional de Magallanes

O museu é pequeno, fica em um palácio completamente restaurado, e conta a história do descobrimento e da colonização da Patagônia.  Não faltam fotos, mapas da época, histórias de conflitos, enfim, imperdível para quem curte História… ;-)

Por fim, na falta de um almoço delicioso em um restaurante com vista para o estreito – e sem vontade de almoçar com vista para um canteiro de obras… – voltamos para o navio para encarar 2 dias de navegação antes do próximo porto…

Quarta escala: Ushuaia

Chegando a Ushuaia

Chegamos a Ushuaia bem cedo. Estava previsto que ficaríamos na cidade apenas durante a manhã, porque à tarde faríamos o passeio pelo Canal de Beagle para observar os glaciares no próprio navio. Nosso tempo, como de costume, era restrito – e isso implicava fazer escolhas, claro…

O Norwegian Sun no fim do mundo

A primeira escolha que fizemos foi abrir mão de tudo o que demandasse muito tempo – então, nada de trilhas no Parque Nacional ou atividades semelhantes. No dia em que eu voltar a Ushuaia (sim, essa é uma das cidades do roteiro onde tenho vontade de voltar!), aí eu vou considerar a possibilidade de fazer um passeio no Parque Nacional… ;-)

Longe de casa…

Também descartamos logo de início os passeios com um jeitão muito “turístico”, como o Tren del Fin del Mundo. Se eu tinha apenas uma manhã em Ushuaia, não pretendia usá-la para cumprir nenhum tipo de obrigação turística. Afinal, não faz sentido ir tão longe de casa pra ficar cumprindo tarefas! ;-)

Movimento na Avenida San Martin

Nossa opção foi a mais simples de todas: flanar!!! :D Resolvemos andar pela cidade a esmo e criar a nossa própria impressão inicial. Foi ótimo: caminhamos pela Avenida San Martin, espiamos as vitrines, paramos em um café para espantar o frio com um chocolate quente…

Ainda na Avenida San Martin

Para os que gostam de umas comprinhas, ainda fica a dica: Ushuaia é uma zona franca… ;-)

Voltando ao porto…

Ao fim do passeio, voltamos para o navio para almoçar com tranqüilidade. Depois do almoço, seguimos para um dos decks superiores, de onde me pareceu que a visão dos glaciares seria mais privilegiada.

Até a próxima, Ushuaia! ;-)

A vista era linda mesmo – mas o clima não ajudou muito o nosso “passeio pela Europa”, ou seja, pela Avenida das Geleiras… Cada um dos glaciares ao longo desse trecho do Canal de Beagle foi nomeado em homenagem a um país europeu – fica a idéia para um giro europeu temático… :lol: Como choveu ao longo de todo o passeio, todas as fotos acabaram ficando com esse mesmo tom de cinza…

Holanda
Itália
Itália com zoom…
França
Portugal
Alemanha
Romanche
Espanha

Para ler um pouco mais sobre a Avenida das Geleiras, e ver lindas fotos feitas em um dia de sol, vale dar uma passadinha aqui:

A volta: de Punta Arenas a Ushuaia, no Viaje na Viagem

Para ler tudo sobre Ushuaia, também no VnV, basta clicar aqui.

E quem se empolgar e quiser saber mais sobre a Patagônia Argentina, com ou sem cruzeiro, pode seguir este caminho aqui.

Dobrando o Cabo Horn

Chegando ao Cabo Horn

No dia seguinte finalmente chegamos ao Cabo  Horn. Demos muita sorte com o mar, que não estava revolto como é comum naquela região. Infelizmente não posso dizer o mesmo do clima – pegamos bastante chuva, além de muito vento forte…

O povo reunido no deck da piscina

Todos receberam na cabine, na noite anterior, um convite para participar de uma “cerimônia de  batismo” na chegada ao Cabo Horn, no deck da piscina. Meu desconfiômetro apitou na hora: “Batismo? Piscina? Com esse frio? Isso só pode ser alguma piadinha de mau gosto…” :mrgreen:

O “batismo”… ;-)

Vista de longe, a brincadeira não deixou de ser engraçada… Quem se aventurou a arriscar um bocado de água gelada na cabeça foi “batizado” pelo capitão do navio – eu, claro, assisti a tudo do deck superior, rindo um bocado e fazendo as minhas fotos em paz…

O Cabo Horn

Logo depois pudemos ver o famoso Cabo Horn de perto, fizemos a circunavegação, foi super bacana. O Norwegian Sun é um navio grande demais para aportar ali, então não há desembarque no Cabo Horn nesse cruzeiro, como há quando os navios são menores. Mas eu fiquei bem satisfeita mesmo assim!

Certificado “oficial”!

E não é que, mesmo sem a água gelada na cabeça, também ganhamos os certificados que comprovam que circunavegamos o Cabo Horn?!? Acho que vou inclui-lo no meu currículo… 8)

Por curiosidade, o poema do certificado é de autoria de Sara Vial, e está inscrito (em espanhol, no original)  em um monumento lá mesmo no Cabo Horn.

Terceira escala: Islas Malvinas ou Falkland Islands?

Ao sair de Puerto Madryn, navegamos uma noite, um dia e mais uma noite para finalmente aportar nas Ilhas Malvinas / Falkland. Esse era o ápice da viagem para mim, o ponto que mais despertava a minha curiosidade. Na véspera, como o tempo não estava muito bom, correu um boato pelo navio de que talvez não fosse possível desembarcar em Port Stanley, já que o navio não entra na baía, e não seria seguro para os tenders em caso de mar revolto. Nunca exercitei tanto o meu pensamento positivo… ;-)

O Norwegian Sun ancorado próximo a Port Stanley

O meu fascínio pelo arquipélago tem uma explicação bem prosaica… Eu sempre gostei muito de História, e tinha apenas 15 anos quando eclodiu a Guerra das Malvinas, em 1982. Era a primeira vez na vida em que eu acompanhava um conflito político de grandes proporções – e, claro, tomei o partido da Argentina apaixonadamente, como convém aos adolescentes… ;-)

Port Stanley vista do pier

A história das ilhas é cercada de controvérsias desde o seu descobrimento. Desde a época da guerra, a minha tendência natural era a de julgar que as Malvinas deveriam ser reincorporadas à Argentina, uma vez que foram tomadas pelos britânicos na primeira metade do século XIX, em plena expansão imperialista. Por esse aspecto, a minha postura política é a de concordar plenamente com esse adesivo que vi colado em uma loja em Ushuaia:

“Fueron, son y serán argentinas”

Mas depois de visitar as ilhas, já não sei mais… Continuo não sendo a favor de mantê-las como território britânico, continuo pensando que geograficamente pertencem à Argentina – mas já não sei se sou a favor de que sejam reincorporadas… O que me fez repensar o meu ponto de vista foi saber que as ilhas eram praticamente desabitadas ao serem tomadas pelos britânicos, e que a população de falklanders (ou kelpers, como também são chamados) está estabelecida nas ilhas há 9 gerações, mantendo a língua, a cultura e os hábitos herdados dos seus antepassados britânicos, sem qualquer contato com a cultura argentina. Não houve nas ilhas uma mistura das culturas britânica e argentina, que criasse uma cultura híbrida, com um pé na Grã-Bretanha e outro na Argentina. Muito pelo contrário – para os habitantes das ilhas, os argentinos são os invasores que irromperam pelo arquipélago em 1982 e acabaram com a paz reinante. E, vendo as coisas pelo ponto de vista do cidadão comum, me parece bem difícil discordar… ;-)

“Em memória daqueles que nos libertaram” – 14 de junho de 1982

Deixando a política de lado, vamos dar um passeio por Port Stanley… Deixamos o navio em tenders, para um trajeto de cerca de 15 minutos até o pier.

Tomando o rumo de Port Stanley
Primeira impressão

O clima nas Malvinas / Falkland é famoso pela sua imprevisibilidade… A foto aí embaixo não é uma montagem, nem brincadeirinha no Photoshop!

Impossível errar a previsão do tempo – chove E faz sol!!!

Depois de muito sacudir no tender (o mar é super mexido!), finalmente chegamos:

Bem-vindos! :D

Por mais que as histórias de colonização e dominação tenham o seu lado triste, eu nunca deixo de me impressionar como certos povos conseguiram esticar seus tentáculos até pontos tão recônditos do mundo… A Inglaterra está mesmo presente em cada detalhe – na arquitetura, na forma de organizar a cidade, no trânsito, na comida…

Não aceitamos pesos argentinos… ;-)
Arquitetura facilmente reconhecível…
Trânsito na mão inglesa
Pubs na Philomel Hill
Penguin News, o jornal local

Nosso passeio consistiu basicamente em uma volta a pé pela cidade, ao longo da Ross Road desde o pier até o Liberation Memorial, voltando pela John Street e descendo a Philomel Hill. Vimos os marcos turísticos principais e sobrevivemos a um vento cortante de congelar as orelhas – literalmente!

Ross Road
John Street

A primeira parada foi a Christ Church Cathedral:

Christ Church Cathedral
Highlights das ilhas
De volta pra rua!

Em seguida paramos para ver o Whalebone Arch – como diz o nome, é um arco feito da mandíbula de uma baleia…

Whalebone Arch

Nosso passeio nos levou ainda um pouco mais adiante:

Impossível não pensar em guerra aqui…
Town Hall – a prefeitura de Port Stanley
Mais uma igreja…

Depois de uma manhã na cidade, decidimos voltar ao navio a tempo de almoçar e curtir um pouco de conforto climático – porque o vento nas ilhas, sinceramente, me pareceu mais adequado a ingleses e argentinos… :mrgreen: Quando partimos, ainda vimos belíssimas paisagens de outras partes das ilhas, menos urbanas:

Paisagem de encher os olhos…
Mar tão azul e areia tão branquinha…

Ouvi lá uma história que me aguçou muito a curiosidade … Ao longo da guerra, os argentinos minaram várias praias, que depois foram transformadas em reservas de pingüins. Explico: o peso de um homem detona uma mina, mas o peso de um pingüim não! Assim, os pingüins vivem em paz, protegidos pelas minas plantadas pelo próprio ser humano, sem que este possa interferir…

Um belíssimo pôr-do-sol no Atlântico Sul…

Vimos esse pôr-do-sol maravilhoso quando já tínhamos tomado o nosso rumo de volta à costa argentina. Nossa “missão” era chegar ao Cabo Horn em apenas 24 horas… ;-)