Segunda escala: Puerto Madryn & Península Valdés

No terceiro dia após o embarque no cruzeiro, chegamos a nossa primeira escala em terras patagônicas: Puerto Madryn. A cidade é nada mais nada menos do que a porta de entrada para uma das atrações mais visitadas por amantes da natureza – a Península Valdés. Confesso que esse era um destino que nunca tinha feito parte dos meus planos. Isso nem é difícil de compreender, já que eu sou uma pessoa super urbana, e destinos de ecoturismo praticamente só caem na minha agenda por acidente. Pois foi justo esse o caso… 😉

Puerto Madryn, ante-sala da Península Valdés

O itinerário do cruzeiro previa que o tempo de escala em Puerto Madryn seria das 09:00 às 18:00h – contando desembarcar às 10:00 e retornar às 17:00h, teríamos 7 horas inteiras para aproveitar Puerto Madryn como bem entendêssemos. A questão era: “Aproveitar Puerto Madryn?!?” Nada contra a cidade, que é até bastante simpática – mas não tem maiores atrativos turísticos, e vive muito em função do turismo ecológico tanto na Península Valdés quanto na pingüinera de Punta Tombo.

O Norwegian Sun ancorado em Puerto Madryn

Nem tive que pensar muito para perceber que a escala seria desperdiçada se não tivéssemos ao menos um gostinho do turismo ecológico da região, e comecei a pesquisar o melhor jeito de irmos até a Península. Claro, havia excursões organizadas no navio – mas a um custo médio de US$ 100 por pessoa! Certamente conseguiríamos fazer algo mais interessante e mais barato por conta própria. Depois de consultar algumas agências de turismo receptivo de Puerto Madryn, acabamos decidindo alugar um carro e fazer o passeio sozinhos.

Fonte: http://www.argentour.com/pt/parque_nacional/avistagem_de_baleias.php

Bem-vindos a Puerto Pirámides!

De Puerto Madryn até Puerto Pirámides, a única cidade da Península Valdés, são pouco mais de 90 km de estrada asfaltada. Uma vez lá, os outros caminhos são em estrada de chão – me pareceu um tipo de cascalho, ou ripio, como se diz por lá. Essa particularidade faz com que o trajeto de  cerca de  70 km entre Puerto Pirámides e a Caleta Valdés, a paisagem que mais me atraía a curiosidade na Península, leve mais ou menos 2 horas de viagem.

A praia de Puerto Pirámides

Como eu já disse, para aproveitar uma escala de cruzeiro sem stress é preciso fazer escolhas – e a minha escolha foi esquecer a existência de toda a Península Valdés que não estivesse nos arredores de Puerto Pirámides. Claro, acabei criando uma vontade louca de voltar para visitar esses lugares, mas tudo bem…

Puerto Pirámides vista da praia

Assim que desembarcamos, fomos direto buscar o carro que eu tinha reservado na Budget. Qual não foi a minha surpresa ao ver que a Budget não tem loja própria na cidade, apenas um espaço dentro de uma agência de turismo! Pior: a nossa reserva não tinha sido enviada para a funcionária, que não tinha um carro à nossa espera! Ainda bem que eu tinha o comprovante da reserva impresso, mas ela ainda demorou uma meia hora para providenciar o nosso carro… Mau começo para quem ainda pretendia viajar 90 km antes de chegar ao destino do dia, e com hora marcada para voltar! Outro ponto negativo, mas que muitas locadoras seguem, foi que ela nos entregou o carro praticamente apenas com o cheiro da gasolina – e eu odeio esse stress de ter que procurar um posto para abastecer no início do passeio, quando não se conhece a cidade e em risco constante de que o carro simplesmente fique sem combustível!!! As locadoras que observam essa prática sempre caem váaaaaaaarios pontos no meu conceito, e eu faço propaganda negativa mesmo.

O centrinho de Puerto Pirámides

A ida até Puerto Pirámides foi super tranqüila, e em cerca de 1 hora chegamos lá. Para entrar na Península Valdés, que é uma área de preservação ambiental, paga-se uma taxa de Ar$ 45 por pessoa e Ar$ 5 pelo carro.

Um deck no canto da praia

Uma vez na cidade, estacionamos o carro no centrinho e fomos passear a pé. Seguimos até a praia, andamos pelas pedras, admiramos a paisagem… O lugar é lindíssimo, e bem tranqüilo. Deu vontade de voltar em outra ocasião,  e me hospedar em Puerto Pirámides mesmo, para aproveitar com menos cansaço as outras áreas da Península. Afinal, mesmo quem se hospeda em Puerto Pirámides ainda viaja no mínimo 2 horas para ir e 2 para voltar de outros pontos da Península. Me pareceu uma grande roubada se hospedar em Puerto Madryn, por conta da distância.

A caminho da lobería

De volta do passeio, fizemos um bom lanche no centrinho da cidade e pegamos o carro para seguir até a lobería de Punta Pirámides, a cerca de 10 km da cidade, já na direção de volta.

Lobería Punta Pirámides

A época em que visitamos a Península não é das mais adequadas – já não há baleias e ainda não há pingüins (ou seria o contrário?!?) 😉 Mas os lobos marinhos estão sempre por lá…

Os preguiçosos habitantes da lobería…

Cartão de visitas…

Além de observar os bichinhos, ainda ficamos impressionados com a paisagem – tudo é lindo, desde a cor do mar ao contraste com as pedras, a secura do deserto se encontrando com o mar… Amei! 😀

Paisagem imperdível…

Quando estava programando essa escala da viagem, consultei muito o blog do Tony, De Viaje a la Patagónia. Ele não só faz os relatos das viagens, mas dá muitas dicas práticas de transporte, hospedagem, alimentação – em suma, é imperdível para quem quer que esteja planejando algumas horas ou alguns dias na região.

… que vale a viagem! 😉

Pouco antes das 16:00h já estávamos de volta a Puerto Madryn. Ainda tivemos tempo de dar uma voltinha no shopping antes de embarcar novamente no navio! E me deu uma tristeza enorme perceber que várias pessoas que estavam a bordo conosco passaram o dia perambulando por ali – talvez mesmo por não saber que seria possível fazer um passeio tão interessante nos arredores…

5 thoughts on “Segunda escala: Puerto Madryn & Península Valdés

  1. Carla, li o seu ultimo comentario, e resolvi escrever a minha opinião a respeito disso. Parece que está em falta nas pessoas uma curiosidade sobre o mundo. Viajam e não querem buscar o novo, o diferente, a aventura. Preferem fazer o que já é conhecido, esquecendo-se que a graça de uma viagem é exatamente isso que você fez, sair em busca de algo novo, da ” sua praia”, para usar as suas próprias palavras.. Claro que nem sempre dá tudo certo, mas todas as experiências vão fazer parte da nosso baú de histórias e depois podem se transformar em relatos maravilhosos como esses.

  2. Eu compartilho essa sua impressão, Bernardette… Acho que falta mesmo nas pessoas essa curiosidade, essa vontade de abrir os horizontes, sem idéias pré-concebidas… De certo modo, eu diria que é preciso ir a um lugar novo sem expectativas, pra que esse lugar possa se mostrar como é, sem que estejamos esperando que ele seja como qualquer outro que já conhecemos. Acho que é um exercício constante. 😉

  3. Pingback: Idas e Vindas – Viagens e Aventuras » Cruzeiro à Patagônia, com esticada a Santiago, Mendoza e Buenos Aires: índice da viagem

  4. Carla, muito útil e muitíssimo bem apresentado seu blog. Muito caprichado e ilustrativo.
    Farei esta mesma viagem agora em dezembro com minha família. Você disse que na época em que você chegou a Puerto Madryn, não havia mais pinguins…em qual mês você foi?

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