Turismo antropológico em Bs.As.: uma visita ao hospital

Depois de encontrar os amigos em frente ao Malba e passar alguns momentos divertidos matando as saudades, como contei neste post sobre a minha curta participação nas Vibaníadas 2012, cheguei de volta em casa e encontrei o maridão ardendo em febre. Já fazia uns 2 ou 3 dias que a febre ia e vinha, controlada com paracetamol, mas eu já estava ficando preocupada, e insisti para irmos consultar um médico.

Hospital General de Agudos Bernardino Rivadavia

Poucas vezes fiz seguro de saúde particular para viajar à Argentina. Na verdade, pelo que me lembro, só tive seguro de saúde quando vinha incluído em algum pacote. Mas isso não foi por descuido meu, e sim porque confiei no acordo que o governo brasileiro mantém com os governos dos outros países do Mercosul – ou seja, o cidadão brasileiro em viagem por esses países tem o direito de usar o sistema de saúde pública. Como sempre tive excelentes referências do sistema de saúde argentino, sempre viajei tranqüila. Essa, entretanto, foi a primeira vez em que precisei verificar na prática como funciona esse acordo – e bateu um certo receio de que a prática não fosse tão perfeita quanto a teoria… 😉

Meu primeiro passo foi entrar no site do Consulado Brasileiro. Na rubrica “emergências médicas”, encontrei a seguinte informação:

Em caso de emergência médica, telefone para o número 107, Serviço de Emergência da Cidade de Buenos Aires, que pode enviar uma ambulância ao seu domicílio ou hotel.

A cidade de Buenos Aires dispõe de hospitais públicos que atendem gratuitamente, em casos de emergência. Confira a lista na página do governo de Buenos Aires na internet: http://buenosaires.gov.ar/

Perfeito, era exatamente a informação que eu buscava. Como o caso não era tão emergencial assim, não vi necessidade de chamar uma ambulância, e parti para a pesquisa dos hospitais públicos que pudessem nos atender. Consultei o site indicado, mas achei um pouco difícil encontrar a informação. Depois de esquadrinhar o site todo – algo péssimo para se fazer quando se tem pressa e preocupação – finalmente encontrei o link onde deveria consultar o hospital que nos atenderia. A partir desse ponto, tudo foi muito fácil: no item “tema”, escolhi “atención hospitalaria”, e no item “tipo de establecimiento”, cliquei em “general”; daí bastou escolher o bairro – no nosso caso, a Recoleta – e logo nos apareceu a indicação do Hospital General de Agudos Bernardino Rivadavia, na Avenida General Las Heras, a cerca de 10 minutinhos de caminhada de casa.

Hospital General de Agudos Bernardino Rivadavia

Em pouco tempo chegamos ao hospital e, a princípio, tivemos a impressão de que estava fechado… Como a entrada da emergência (“guardia” – nada como a necessidade para nos fazer aprender vocabulário novo…) é lateral, tivemos que seguir até o outro lado do edifício.

Entrada da emergência do Hospital Rivadavia

A sala de espera estava vazia, e fui direto até a recepcionista explicar a situação. A primeira coisa que ela nos perguntou foi se tínhamos um seguro de saúde particular – neste caso, ela nos encaminharia ao atendimento particular, ao invés de ocupar o serviço público desnecessariamente. Com a minha resposta negativa, ela apenas pediu o passaporte do meu marido, anotou o nome completo e o número do documento e pediu que aguardássemos.

Pois bem, parece até piada para quem está acostumado com a saúde pública brasileira, mas em menos de 10 minutos fomos atendidos – a princípio por um médico, e logo em seguida por uma equipe! Eles fizeram um milhão de perguntas, se esforçaram para entender o que ele dizia em português, para que eu não precisasse traduzir palavra por palavra, pediram um exame de sangue e um raio X do pulmão. Só depois de descartar todas as possibilidades diagnosticaram uma virose que já estava cumprindo o seu ciclo e deveria ceder em no máximo 2 dias, e que deveria ser controlada com paracetamol mesmo, bem como eu vinha fazendo – mas nada como a aprovação médica para nos dar tranqüilidade… 😉

Saldo da experiência? Fiquei muitíssimo bem impressionada com o atendimento de alto nível a custo zero. Não tivemos que pagar por nenhum exame e, se fôssemos ficar mais tempo na cidade, ele ainda teria direito a ir fazer uma consulta de acompanhamento. Claro, não posso garantir que o atendimento será sempre exemplar, então não aconselho ninguém a mudar os seus hábitos – mas, se você vem se questionando se seria mesmo necessário fazer um seguro para viajar à Argentina, sempre pode levar a minha experiência positiva em consideração!

4 thoughts on “Turismo antropológico em Bs.As.: uma visita ao hospital

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