Buenos Aires


CascoUrbano_Tigre

Fonte: http://www.tigretienetodo.com.ar/sm%20mapa%20centro%20mio.htm (No site o mapa é grande e clicável!)

Como eu (quase) contei no post anterior, dessa vez no Tigre eu tive uma epifania… Percebi que, ao menos no meu caso particular, não é muito interessante chegar lá via Tren de la Costa, mesmo gostando bastante da viagem.  A questão é que o Tren de la Costa chega na estação Delta, que  está próxima do Parque de la Costa, do Puerto de Frutos e da Estação Fluvial, mas mal localizada em relação ao Paseo Victorica, onde estão as atrações que mais me interessam: o pátio do Museo Naval com seus aviões de guerra, a arquitetura linda do Museo de Arte, que já foi um hotel, vários restaurantes à beira do Río Luján… Valeu ter feito esse trajeto ainda dessa vez, porque eu queria muito ir ao Puerto de Frutos. Mas, sob o sol abrasador, acabamos não tendo quase nenhuma disposição para caminhar, e seguimos  um percurso relativamente curto…

O mapa está pequeno, mas acho que dá pra acompanhar… A estação Delta está na parte superior do mapa – saindo da estação, caminha-se para a direita, passando pelo Parque de la Costa e pelo Casino, para chegar ao Puerto de Frutos.

Parque de la Costa

Parque de la Costa

Entrada do Puerto de Frutos

Entrada do Puerto de Frutos

O Puerto de Frutos é um grande mercado onde se encontra de comida a móveis, passando por artesanato, roupas e objetos de decoração. Está situado bem à margem do Río Luján, e dali também saem alguns passeios de barco de curta duração.

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Do Puerto de Frutos tomamos o caminho de volta à estação Delta – atravessamos a estação em direção ao Río Tigre e seguimos pela Avenida Mitre, onde há vários clubes de pesca e remo, até chegar à ponte.

Club Italiano, um dos mais bonitos da Avenida Mitre

Club Italiano, um dos mais bonitos da Avenida Mitre

Cruzamos a ponte em direção à Avenida Lavalle. Se tivéssemos chegado de trem comum, pela estação Tigre, nosso passeio começaria aqui, atravessando a ponte e seguindo pela Lavalle em direção ao Paseo Victorica.

Cruzando a ponte...

Cruzando a ponte...

Vista do Río Tigre

Vista do Río Tigre

Com o sol de meio-dia brilhando sem dó, resolvemos dar uma parada para comer alguma coisa. A escolha foi o Tanto la Quería, um restó-bar super simpático, bem localizado na Avenida Lavalle, próximo à ponte.

Tanto la Quería

Tanto la Quería

O calor era muito… Decidimos então ignorar a varanda ao ar livre, onde batia sol,  e preferimos o salão interno, ainda bem vazio àquela hora:

A varanda do Tanto la Quería

A varanda do Tanto la Quería

O salão interno

O salão interno

Como a fome era pouca, tivemos a idéia de trocar o almoço por um sanduíche. O cardápio trazia um monte de sugestões apetitosas, entre elas um lomito, que de ito não tinha nada… O sanduíche estava uma delícia, mas era imenso!

Lomito? ;-)

Lomito? ;-)

Depois do “almoço” não tivemos disposição de encarar a caminhada debaixo do sol quente até o Paseo Victorica, e achamos melhor tomar o trem de volta a Buenos Aires. Deixei de ir a vários lugares onde gostaria de ter ido, mas consegui o que eu achava mais difícil – apesar do desconforto do calor excessivo, deixar de lado os passeios de barco me fez gostar de ir ao Tigre dessa vez! Faço até planos para, na próxima vez em que for a Bs.As. por no mínimo 1 semana (talvez quando alugar um novo apê), não fazer um bate-e-volta ao Tigre, e sim ficar um fim de semana, pra ter tempo de passear com calma – e, quem sabe, até gostar de passear de barco… 8)

Pois é, que bom que eu não tenho problema nenhum com mudar de idéia!!! :D

A quantos me perguntam, eu sempre repito a mesma ladainha: “Mais vale se hospedar na Recoleta do que no centro. A Recoleta também é um bairro central, de fácil acesso, e muito mais bonita e agradável. O centro de Buenos Aires está decadente, e parece que apenas as operadoras de turismo brasileiras ainda não se deram conta disso.”

Pois então eu me contradisse ao escolher o Hotel Lafayette para me hospedar dessa vez? Sim – e não. ;-)

Eu escolhi o Lafayette exatamente por conta de sua localização central. Nesse pouco tempo em Buenos Aires antes de embarcar no cruzeiro, os nossos interesses estavam quase todos concentrados na região central da cidade: queríamos nos hospedar perto do Terminal de Embarque de Cruceros, almoçar no El Potrillo (antigo La Caballeriza de Puerto Madero, agora devidamente rebatizado) na 6a.f. da chegada, passar o sábado no Tigre, ir a um show de tango em Abasto (no Esquina Carlos Gardel) no sábado à noite e espiar a Feria de San Telmo no domingo pela manhã, antes de pegar a bagagem, fechar a conta do hotel e embarcar no navio. O nosso único desvio até a Recoleta foi para encontrar o JB e as meninas para a ótima noite regada a empanadas e vinho no El Sanjuanino. Sendo assim, embora aparentemente tenha sido uma contradição, foi uma contradição calculada, e que serviu perfeitamente aos nossos propósitos. Mas, para que não pareça que estou jogando minhas convicções aos quatro ventos, tenho que deixar bem claro que o Lafayette está situado em uma área mais aprazível do centro, no trecho em que a Calle Reconquista é uma rua de pedestres, a meia quadra da nova filial da Persicco e, dependendo da direção que se tome, a cinco minutinhos de caminhada tanto da Plaza San Martin quanto das Galerías Pacífico (mas sem o burburinho que acompanha o entorno desta…)

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Reservei um quarto triplo por 2 noites, pelo Expedia, a US$ 108 a diária, para pagamento no check-out, sem impostos incluídos. Para minha surpresa e satisfação, não tive que pagar o IVA de 21% em nenhum dos hotéis em que me hospedei na Argentina. Soube que os estrangeiros são isentos do imposto – fiz meu registro nos hotéis com o passaporte, não sei se essa isenção também se aplica ao usar a carteira de identidade…

Eu adoro um quarto enorme!

Eu adoro um quarto enorme!

Com escritório e wi-fi grátis, então... ;-)

Com escritório e wi-fi grátis, então... ;-)

Eu já havia me hospedado no Lafayette em 2000, e tinha boas lembranças. O hotel me agradou também dessa vez – eu só pensaria duas vezes antes de ficar lá novamente por causa mesmo da localização. Os pontos mais positivos, na minha opinião, são o excelente serviço e o tamanho e o conforto dos quartos e banheiros. A decoração é antiga, tradicional, até meio pesada, mas isso não chega a comprometer, principalmente porque o hotel não sofre daquele cheiro de mofo tão característico de muitos hotéis, já bem decadentes, do centro de Buenos Aires… Assim, a questão da decoração torna-se apenas uma questão de gosto mesmo, não de funcionalidade. Ah, a idade do hotel não se mostra nos banheiros, que estão renovados – são espaçosos e bem iluminados.

Por outro lado, os dias que passamos lá foram de calor intenso, e o ar-condicionado demorava bastante para dar conta de refrescar um ambiente tão grande! Também achei o café da manhã meio sem graça… (É curioso que um dos melhores cafés da manhã, entre os hotéis onde já me hospedei em Buenos Aires, tenha sido o do Facón Grande, um hotel simples e despretensioso, quase em frente ao Lafayette…)

No cômputo geral, o Lafayette me parece uma boa escolha para quem busca hospedagem no centro, com qualidade, conforto e boa localização (dadas as restrições do centro, claro). Como eu gosto de uma boa relação custo-benefício… ;-)

Como eu ia dizendo no post anterior, essa viagem teve uma excelente relação custo-benefício. Passamos 22 dias longe de casa, fizemos 4 vôos, um cruzeiro de 2 semanas, e nos hospedamos em hotéis  3 ou 4 estrelas por 7 noites no total (Buenos Aires antes do cruzeiro, Santiago, Mendoza e Buenos Aires depois do cruzeiro) – e a conta não foi nada extorsiva! Vamos aos números:

VÔOS (valores em dólares, não incluindo as taxas de embarque)

- Rio de Janeiro / Buenos Aires / Rio de Janeiro pela GOL: US$ 240

- Santiago / Mendoza pela LAN: US$ 49 (na verdade compramos ida e volta e descartamos a volta)

- Mendoza / Buenos Aires pela LAN: US$ 126

Compramos todas as passagens aéreas em uma agência de viagens.

CRUZEIRO

Comprei o cruzeiro na mesma agência de viagens, que negociou diretamente com a NCL, e conseguimos uma promoção para cabine tripla em que o 3o. passageiro viajava por um valor bem abaixo. O cruzeiro custou US$ 929 para os 2 primeiros passageiros, mais US$ 389 pelo terceiro, ou seja, US$ US$ 2247 pela cabine – isso significa US$ 749 por pessoa, na divisão igualitária. A esse valor é preciso somar US$ 465 de taxas portuárias por passageiro, perfazendo US$ 1214 por pessoa com transporte, hospedagem, alimentação e entretenimento incluídos, por um período de 15 dias! :D Há também as gorjetas, que são opcionais – uma sugestão de US$ 12 por dia por passageiro, que são automaticamente incluídos na conta da cabine, mas podem ser extornados mediante solicitação. Entretanto, embora o valor possa parecer alto à primeira vista, o serviço é tão esmerado que US$ 12 ao dia são uma pechincha! Com as gorjetas incluídas, o total chega a US$ 1382 por pessoa.

HOTÉIS

Consegui as seguintes tarifas, em quartos triplos, exceto em Mendoza, onde ficamos em um duplo e um single:

- 2 noites no Lafayette Hotel, em Buenos Aires (centro, próximo à Plaza San Martin): US$ 108/noite pelo Expedia = US$ 216 no total ou US$ 72 por pessoa;

- 2 noites no Hotel Neruda, em Santiago (Providencia): US$ 140/noite pelo Hotelbook = US$ 280 no total ou cerca de US$ 94 por pessoa;

- 2 noites no Hotel Argentino, em Mendoza (Plaza Independencia): US$ 90/noite (duplo) + US$ 75/noite (single) pelo Venere = US$ 330 no total ou US$ 110 por pessoa;

- 1 noite no Urban Suites Recoleta, em Buenos Aires (Recoleta): US$ 135 pelo Booking = US$ 45 por pessoa.

Fiz as reservas dando o número do cartão de crédito apenas como garantia contra no-show, para fazer o pagamento no check-out. A exceção foi a reserva no Urban, pelo Booking, que foi paga antecipadamente. Em nenhuma dessas reservas tive que pagar impostos locais – tanto no Chile quanto na Argentina os estrangeiros são isentos dos impostos (o IVA argentino encarece a diária em 21%), desde que se registrem no hotel com o número do passaporte. (Não tenho certeza se isso também vale para quem viaja com a Carteira de Identidade… Mas pelo que entendi da explicação que me deram no Urban, é preciso ter um número de passaporte para justificar a isenção do IVA.)

Não estou computando nesse orçamento os gastos com transporte dos aeroportos e portos para os hotéis, nem os custos com passeios, alimentação, entretenimento e transporte em geral. Temos então, o seguinte orçamento geral para 22 dias de férias – que vale um daqueles brindes do I&V:

Vida mansa no Cavas Wine Lodge, Mendoza

Vida mansa no Cavas Wine Lodge, Mendoza

Vôos: US$ 415

Cruzeiro: US$ 1382

Hospedagem: US$ 321

TOTAL: US$ 2118 (uma média de US$ 96/dia)

Mas, lembrando do conhecido comercial, comemorar o fim do doutorado com uma viagem dessas realmente não tem preço… 8)

Na véspera do dia de vir embora, os planos iniciais eram tomar o Tren de la Costa e ir passear na região do Tigre. Eu não sou lá muito fã do passeio, mas acho uma opção interessante para levar uma criança – pode-se fazer um passeio curto de barco, visitar o Museo Naval e ver os aviões de guerra, ir ao Parque de la Costa… Além disso, faz algum tempo que tenho vontade de voltar ao Tigre para fazer um passeio diferente pela cidade, de preferência um que não inclua os benditos passeios de barco que duram horas a fio…

Mas o nosso pequeno turista já não estava muito a fim de experiências diferentes nesse dia, não… Depois de quase uma semana inteira apenas na companhia da tia e dos avós, a rotina já estava fazendo falta – e a saudade da mãe batendo forte! ;-) Com o mocinho já meio cansado das aventuras, achamos melhor não insistir e fazer uma programação mais suave, que não envolvesse uma viagem de trem aos arredores da cidade…

A atração principal do dia foram novamente os Bosques de Palermo. Começamos pelo Parque 3 de Febrero, onde as crianças têm espaço suficiente para brincar, correr e ainda podem curtir um passeio de pedalinho pelo lago:

Gastando energia...

Gastando energia...

Fazia um sol lindo nesse dia, e o convite para curtir o friozinho de primavera nesse “Central Park” portenho era realmente irrecusável.

Parque 3 de Febrero

Parque 3 de Febrero

Prosseguindo o passeio pela beira do lago, chega-se à entrada de um dos recantos mais lindos e tranqüilos de Buenos Aires – o Rosedal.

Paseo del Rosedal

Paseo del Rosedal

Detalhes que fazem a diferença...

Detalhes que fazem a diferença...

Embora o Rosedal seja um dos meus lugares favoritos, rivalizando apenas com o Patio Andaluz (ainda fechado para obras) e o Jardín Japonés, eu nunca tinha tido o privilégio de visitá-lo em plena primavera.  Fica a dica!!! :D

Campo de flores...

Campo de flores...

Rosas...

Rosas coloridas...

Tradicionalmente vermelhas...

... ou tradicionalmente vermelhas...

Por vezes tão lindas quanto imensas...

Por vezes tão lindas quanto imensas...

... e às vezes mais discretas...

... e às vezes mais discretas...

... e em cores menos votadas...

... e em cores menos votadas...

Outras flores também têm vez!

Outras flores também têm vez!

O Jonas aproveitou o espaço livre…

O pequeno correu por todo o parque!

O pequeno correu por todo o parque!

Mas logo se cansou de ver tanta flor... ;-)

Mas logo se cansou de ver tanta flor... ;-)

Demos uma última espiadela nas rosas campeãs, vencedoras de exposições:

Medalha de ouro!

Medalha de ouro!

Medalha de prata!

Medalha de prata!

Não consigo ler a plaquinha... Será a medalha de bronze?!?

Não consigo ler a plaquinha... Será a medalha de bronze?!?

Essa é a campeã do melhor perfume!!!

Essa é a vencedora do melhor perfume!!!

Com esse passeio fechamos com chave de ouro a nossa programação em Buenos Aires. Deixamos vários dos planos que constavam do roteiro inicial para uma nova visita, sem culpa e sem dramas. O objetivo maior da viagem eu acredito que foi alcançado: o Jonas se divertiu à beça, curtiu Buenos Aires de um jeito bem leve e adequado para uma criança da idade dele, não foi forçado a fazer nenhum programa de adulto que não quisesse e gostou dos que acabou fazendo. Saldo da brincadeira? Criei um “monstrinho”, ou seja, um pequeno vibana que já tem a maior vontade de voltar… :lol:

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Após o passeio por La Boca, tomamos um táxi para San Telmo. Dessa vez não tivemos a opção de ir à famosa feira de antigüidades, porque chegamos a Buenos Aires em um domingo à tarde e fomos embora no sábado seguinte – mas aproveitamos que estávamos por perto para passear um pouco pelo Mercado e almoçar na Brasserie Pétanque

Mercado de San Telmo

Mercado de San Telmo

Aproveitei para mostrar ao Jonas os objetos antigos – ele se interessou durante uns 10 minutos, se tanto… :D

Relógios do vovô...

Vimos os relógios do vovô,...

Notas e moedas antigas...

... notas e moedas antigas...

Também faço coleção!!!

... e muitas caixinhas de fósforos!!!

Do Mercado seguimos a pé sem pressa pela Calle Defensa, e paramos para almoçar na Brasserie Pétanque.

Calle Defensa

Calle Defensa

Passamos em frente à Iglesia de Santo Domingo, que foi reaberta depois de uma restauração. Essa igreja é um símbolo da resistência argentina à invasão inglesa no início do século XIX – a partir do ponto onde está situada a cidade não foi tomada pelos ingleses – daí o nome Defensa para esse trecho da rua, e também o nome Reconquista para a sua continuação… ;-)

Que bom que preservaram as marcas das balas de canhão na torre da igreja – que os monumentos sejam restaurados, mas sem apagar a História!

As marcas continuam lá!

As marcas continuam lá!

Entramos para ver o acervo de bandeiras inglesas tomadas durante a reconquista da cidade – ficam em um pequeno recinto na lateral do altar:

Rivalidade antiga...

Rivalidade antiga...

A igreja fica na esquina da Defensa com a Avenida Belgrano. Dali continuamos a pé até a Plaza de Mayo,  onde tomamos um táxi de volta para casa.  Foi o nosso dia mais turístico e cultural, e eu tinha pensado que talvez o Jonas não curtisse muito, porque nenhum dos passeios era especificamente voltado para crianças… Mas não é que ele me surpreendeu?!? ;-)

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