Mendoza


Depois de 2 dias matando as saudades de Santiago (uau, parece frase de romance de amor… :lol: ), tomamos um vôo para Mendoza. Sim, eu sei que a estrada de Santiago a Mendoza é um dos pontos altos da viagem, que a paisagem é belíssima e tal. Eu acredito – mas como tínhamos pouquíssimo tempo,  e eu fazia questão de aproveitar o máximo que pudesse de Mendoza e suas vinícolas, achei mais sensato fazer um vôo de 30 minutos ao invés de uma linda viagem de cerca de 6 horas…

Plaza Independencia

Escolhemos ficar hospedados em frente à Plaza Independencia, a principal das muitas praças de Mendoza, uma cidade super arborizada. A cidade é toda irrigada por um sistema de canais desenvolvido pelos índios, e que existe, portanto, desde antes da colonização espanhola. É a combinação do clima desértico com essa excelente irrigação que propicia uma produção vinícola de alta qualidade.

Canais de irrigação na Peatonal Sarmiento

Eu tinha feito uma reserva de um carro no aeroporto de Mendoza, mas lá mesmo desisti da idéia – acho que foi uma boa intuição… ;-) Ao invés disso, contratamos um remis para nos levar às vinícolas, com preço fechado. Pagamos entre Ar$ 200 e Ar$ 250 o dia, dependendo do nosso roteiro. Foi uma decisão acertada, por 2 motivos: não tivemos nenhuma preocupação com os caminhos (a sinalização é falha, e teria sido um stress encontrar as vinícolas sem atraso para as  nossas visitas pré-agendadas) e pudemos aproveitar as degustações e os almoços regados a  vinho sem  pensar no carro…

No primeiro dia, tomamos o rumo de Maipu, e fomos direto almoçar na Familia Zuccardi,  onde tínhamos reserva para o almoço e a visita à vinícola. Eu tinha a intenção de ainda visitar o Museo del Vino San Felipe, da Bodega La Rural,  que fica na mesma região, mas nos estendemos muito no almoço e no passeio, e não deu tempo…

Entrada da Familia Zuccardi

No segundo dia, seguimos para Luján de Cuyo, onde tínhamos reserva para ma visita à Catena Zapata e para o almoço no Cavas Wine Lodge. Vou contar esses passeios todos com mais detalhes nos próximos posts.

A pirâmide da Catena Zapata

Cavas Wine Lodge

Como só ficamos esses dois dias em Mendoza, e no dia seguinte voamos de volta a Buenos Aires, nossa programação acabou sendo  bem restrita. Fomos embora já com vontade de voltar, para visitar outras vinícolas, experimentar outros restaurantes… Deixei de conferir uma dica quentíssima para jantar no  1884, o restaurante do Francis Mallmann na vinícola Escorihuela, porque nossos almoços foram tão fartos que era impossível jantar! ;-)

É bem agradável também fazer um passeio a pé pela cidade, dar uma olhada no comércio, nas praças, nos bares…

Avenida San Martin

Plaza España

Plaza España

Mas eu confesso: se soubesse que gostaria tanto de Mendoza, acho que teria deixado para matar as saudades de Santiago em outra ocasião, e teria desembarcado do cruzeiro, ido direto para o aeroporto e voado para Mendoza no mesmo dia, apenas para poder dedicar os 4 dias que tínhamos a esse passeio…  Mas, tudo bem – como eu sempre digo, nada como ter razões para voltar! ;-)

Era uma vez, em um reino muito distante (ou em vários reinos, alguns mais próximos e outros mais distantes), um grupo de pessoas que não se conheciam, mas que tinham um interesse em comum: queriam percorrer o mundo, ver paisagens diferentes das que tinham em casa, saborear outras comidas, falar outras línguas, aprender sobre novas culturas e fazer novos amigos… Essas pessoas falavam sobre seus interesses com a família, os amigos, os colegas de faculdade e do trabalho, e nem sempre eram bem compreendidos – muitos achavam que eles deveriam estar pagando uma prestação de carro ao invés da prestação da passagem aérea, ou que deveriam estar mais interessados em trocar o próprio apartamento, em vez de escolher diferentes apartamentos mundo afora…

Um belo dia, um membro desse grupo (que até então não se reconhecia como um grupo, claro…) resolveu escrever um livro sobre a sua própria paixão por viagens – e o livro virou um manual imperdível para os outros membros do grupo, que passaram a desconfiar que não estavam sozinhos nessa história… Passado mais algum tempo, o autor do livro decidiu criar um blog, que os outros foram descobrindo devagarinho – quem chegava começava a bater papo, assim como quem não quer nada, ia ficando, contando aos outros, e o grupo ia crescendo…

Passado mais algum tempo, um dos freqüentadores da aconchegante sala de visitas virtual sugeriu: “Vamos levar essa história pro mundo real?” E rolou um encontro intimista, com meia dúzia de participantes, mas que foi um baita pontapé inicial – e provocou novos encontros, transformando os amigos virtuais em amigos reais, e qualquer lugar do mundo em um palco possível para novos encontros.

Claro, o autor do livro e do blog é o Ricardo Freire; o blog, que tem o mesmo nome do livro, é o Viaje na Viagem; o autor da proposta de encontro real é o JB – e nós todos, que lemos o VnV, comentamos e damos pitacos nas viagens alheias (e até nos inspiramos a criar nossos próprios blogs!) somos os trips, os membros desse grupo que  descobriu um jeito muito bacana de fazer novas amizades.

Por isso, hoje em dia, quando descobrimos que estaremos na mesma cidade que algum outro  trip, bate aquela vontade de marcar um encontro, para um café que seja, que permita levar a amizade do plano virtual para o plano real  – e os encontros costumam ser divertidíssimos, repletos de boas histórias!

Assim foi que eu e o JB descobrimos que estaríamos em Buenos Aires mais ou menos na mesma época: ele por uma semana, com a filhota Bia, e uma amiga dela, e eu com os meus pais às vésperas do embarque no cruzeiro. Combinamos, antes de viajar, uma reuniãozinha no El Sanjuanino, para saborear as melhores empanadas de Buenos Aires, acompanhadas de um belo Malbec da Catena Zapata. (O JB também contou sobre esse encontro aqui.)

Meus pais, eu, JB e Bia no El Sanjuanino, Buenos Aires

Meus pais, eu, JB e Bia no El Sanjuanino, Buenos Aires

Já em Mendoza aconteceu uma cena muito engraçada… Eu e o PêEsse trocamos alguns emails a respeito da programação das nossas viagens:  eu estaria em Santiago e Mendoza após o desembarque do cruzeiro, e ele iria com a esposa fazer uma “eno-viagem” mais ou menos pela mesma região e mais ou menos na mesma época. Acabamos descobrindo que eu chegaria a Mendoza no dia em que eles iriam embora, o que desmontou os nossos planos de combinar uma ConVnVenção de fato, uma pena… Mas não é que, em pleno lobby do Hotel Argentino de Mendoza, nos encontramos totalmente por acaso? Não nos conhecíamos pessoalmente, e passamos bem uns 5 minutos no mesmo recinto, um sem saber quem era o outro, até que eu dei o meu nome para a recepcionista, o que o fez voltar do meio do caminho para 2 minutos de papo e uma foto “para a posteridade”! :D

O PêEsse e eu no lobby do Hotel Argentino, Mendoza

O PêEsse e eu no lobby do Hotel Argentino, Mendoza

Como eu ia dizendo no post anterior, essa viagem teve uma excelente relação custo-benefício. Passamos 22 dias longe de casa, fizemos 4 vôos, um cruzeiro de 2 semanas, e nos hospedamos em hotéis  3 ou 4 estrelas por 7 noites no total (Buenos Aires antes do cruzeiro, Santiago, Mendoza e Buenos Aires depois do cruzeiro) – e a conta não foi nada extorsiva! Vamos aos números:

VÔOS (valores em dólares, não incluindo as taxas de embarque)

- Rio de Janeiro / Buenos Aires / Rio de Janeiro pela GOL: US$ 240

- Santiago / Mendoza pela LAN: US$ 49 (na verdade compramos ida e volta e descartamos a volta)

- Mendoza / Buenos Aires pela LAN: US$ 126

Compramos todas as passagens aéreas em uma agência de viagens.

CRUZEIRO

Comprei o cruzeiro na mesma agência de viagens, que negociou diretamente com a NCL, e conseguimos uma promoção para cabine tripla em que o 3o. passageiro viajava por um valor bem abaixo. O cruzeiro custou US$ 929 para os 2 primeiros passageiros, mais US$ 389 pelo terceiro, ou seja, US$ US$ 2247 pela cabine – isso significa US$ 749 por pessoa, na divisão igualitária. A esse valor é preciso somar US$ 465 de taxas portuárias por passageiro, perfazendo US$ 1214 por pessoa com transporte, hospedagem, alimentação e entretenimento incluídos, por um período de 15 dias! :D Há também as gorjetas, que são opcionais – uma sugestão de US$ 12 por dia por passageiro, que são automaticamente incluídos na conta da cabine, mas podem ser extornados mediante solicitação. Entretanto, embora o valor possa parecer alto à primeira vista, o serviço é tão esmerado que US$ 12 ao dia são uma pechincha! Com as gorjetas incluídas, o total chega a US$ 1382 por pessoa.

HOTÉIS

Consegui as seguintes tarifas, em quartos triplos, exceto em Mendoza, onde ficamos em um duplo e um single:

- 2 noites no Lafayette Hotel, em Buenos Aires (centro, próximo à Plaza San Martin): US$ 108/noite pelo Expedia = US$ 216 no total ou US$ 72 por pessoa;

- 2 noites no Hotel Neruda, em Santiago (Providencia): US$ 140/noite pelo Hotelbook = US$ 280 no total ou cerca de US$ 94 por pessoa;

- 2 noites no Hotel Argentino, em Mendoza (Plaza Independencia): US$ 90/noite (duplo) + US$ 75/noite (single) pelo Venere = US$ 330 no total ou US$ 110 por pessoa;

- 1 noite no Urban Suites Recoleta, em Buenos Aires (Recoleta): US$ 135 pelo Booking = US$ 45 por pessoa.

Fiz as reservas dando o número do cartão de crédito apenas como garantia contra no-show, para fazer o pagamento no check-out. A exceção foi a reserva no Urban, pelo Booking, que foi paga antecipadamente. Em nenhuma dessas reservas tive que pagar impostos locais – tanto no Chile quanto na Argentina os estrangeiros são isentos dos impostos (o IVA argentino encarece a diária em 21%), desde que se registrem no hotel com o número do passaporte. (Não tenho certeza se isso também vale para quem viaja com a Carteira de Identidade… Mas pelo que entendi da explicação que me deram no Urban, é preciso ter um número de passaporte para justificar a isenção do IVA.)

Não estou computando nesse orçamento os gastos com transporte dos aeroportos e portos para os hotéis, nem os custos com passeios, alimentação, entretenimento e transporte em geral. Temos então, o seguinte orçamento geral para 22 dias de férias – que vale um daqueles brindes do I&V:

Vida mansa no Cavas Wine Lodge, Mendoza

Vida mansa no Cavas Wine Lodge, Mendoza

Vôos: US$ 415

Cruzeiro: US$ 1382

Hospedagem: US$ 321

TOTAL: US$ 2118 (uma média de US$ 96/dia)

Mas, lembrando do conhecido comercial, comemorar o fim do doutorado com uma viagem dessas realmente não tem preço… 8)

« Previous Page