Cuzco


Finalmente, cá estamos nós de volta à nossa novelinha!!! :D

Cuzco me pareceu uma cidade semelhante, em vários aspectos, a algumas das nossas cidades históricas no Brasil. Não é apenas pelo fato (óbvio) de que é uma cidade colonial, que guarda traços tanto da dominação estrangeira quanto da resistência indígena, ou que hoje sobrevive do turismo… Não, pra usar a linguagem popular, o buraco aqui é mais embaixo – a bem dizer, estamos falando do nosso amigo, o estômago… ;-)

Como várias das nossas cidades históricas (é só pensar em Tiradentes, Paraty…), Cuzco também se revelou um destino gastronômico bem interessante. Eu não sou muito fã de sair provando comidinhas diferentes, não. Pra dizer a verdade, sou meio chata com algumas coisas, meio fresca com outras, enfim, não sou a melhor fonte de informações sobre comida típica de lugar nenhum…

E no Peru não poderia ser diferente… Um dos pontos altos da culinária local, o cuy, que é um animalzinho pequenininho, tipo um porquinho-da-índia ou uma preá, passou bem longe da minha mesa… e quando passava perto eu fingia que nem era comigo! Pois então eu lá ia ter coragem de comer aquele bichinho assado inteirinho, ainda com jeito e forma de bichinho, e não de comida? Nem pensar… :roll: (Claro, isso já rendeu mil e uma histórias, tipo um ex-namorado que me disse uma vez que não entendia como eu não me incomodava com o sofrimento dos pobres dos gansinhos enquanto saboreava o meu “patêzinho”… E o pior é que eu não penso mesmo, não, tanto que não sou vegetariana, muito pelo contrário!!! Eu só não quero ver… )

Mas, voltando ao assunto, como nem só de comida típica se fazem os bons restaurantes – e, aliás, um destino gastronômico que se preze não pode viver só de comida típica – fizemos algumas visitas a uns restaurantes bem interessantes de Cuzco. E um ponto em comum que me chamou bastante a atenção foi que, mesmo que o restaurante seja internacional, as entradinhas sempre têm pelo menos um pouquinho de cor local… ;-)

Logo no primeiro dia, fomos almoçar no Inka Grill, que fica bem na Plaza de Armas – como aliás, quase todos! A Plaza de Armas é o ponto central de Cuzco, todos os caminhos levam a ela…

Enquanto olhávamos o menu, chegou a nossa entradinha: batatas chips, sim, algo tão comum… Mas batatas de vários tipos diferentes, alguns que eu nem nunca tinha visto (o Peru e a Bolívia produzem mais variedades de milho e batatas do que somos capazes de imaginar, algo assim como 200 tipos diferentes de batatas e 700 de milho!!!) – acompanhadas de um molhinho de ervas muito gostoso e refrescante, porque devia ter hortelã na composição:

Nosso almoço em si foi simples: pedimos um filé de frango grelhado acompanhado de um gnocchi al funghi - era dia 29, né, dia de comer gnocchi com uma nota de um dólar embaixo do prato!!! (29 de julho de 2007, vejam só como essa novelinha tá um atraso só!!!) Não dá água na boca só de olhar? (E eu estou aqui me torturando às 2:30 da tarde sem almoço, só pra não perder a oportunidade de usar a conexão… :roll: )

Atualização: nosso almoço no Inka Grill custou cerca de 22 soles por pessoa = pouco menos de R$15,00! ;-)

Um outro lugar que fez sucesso foi o Mesón de Espaderos, também na Plaza de Armas, claro… Aliás, o único restaurante que experimentamos fora da Plaza de Armas foi um desastre – era uma trattoria até bonitinha, mas uma comida sem graaaaaaça… Mas o Mesón de Espaderos agradou muitíssimo…

- e aqui pedimos um prato típico do Peru, o lomo saltado:

Atualização: E eu me esqueci de anotar quanto gastamos nesse almoço, mas os preços não variavam muito, não…

Na verdade, o lomo saltado fez tanto sucesso com a gente que um outro dia decidimos pedi-lo de novo, mas em outro restaurante, o De Mi Pueblo:

Outro sucesso – uma delícia!!! :D

Atualização: O almoço no De Mi Pueblo custou 25 soles – a cerveja encareceu um pouquinho a conta… Mesmo assim, isso significa algo em torno de R$ 16,00!

Para continuar a lista dos top 5, eu não poderia deixar de incluir o Chez Maggy – são duas filiais desse restaurante tão despretencioso quanto charmoso e aconchegante. E aqui ainda tivemos música ao vivo!

As entradinhas típicas, claro – umas 327 espécies diferentes de amendoins torradinhos…

… mesmo que o pedido principal seja uma pizza!!! ;-)

Atualização: No Chez Maggy gasta-se pouco… Nosso lanche custou 15 soles por pessoas, ou seja, R$ 10,00! :D

E para completar a lista, eu não poderia deixar de botar água na boca de todos com a fabulosa sobremesa do restaurante do Hotel Terra Andina – o helado tempura!!! Pois bem, trata-se de uma daquelas maravilhosas sobremesas que unem o quente ao frio, o crocante ao macio, ou seja, inacreditável!!! E engordativo, claro, mas férias que são férias significam aproveitar, em todos os sentidos!!! :D

Atualização: O helado tempura pode até pesar na dieta, mas no bolso, jamais!!! Apenas 8 soles, ou menos de R$6,00. ;-)

À noite tomamos o rumo da Plaza de Armas novamente. E eu não sabia que isso seria possível, mas a Catedral me pareceu ainda mais impactante…

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A vida do centro histórico de Cuzco se concentra ao redor da praça. Sob os arcos, cada portinha se abre para uma loja, um restaurante, uma agência de turismo, uma pousadinha…

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Nas ruelinhas estreitas que começam na praça, o movimento não tem hora pra acabar…

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Mas a imagem da noite cusquenha que fica gravada na memória mesmo é essa… ;-)

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A vida de toda cidade de colonização espanhola gira em torno de sua Plaza de Armas – e não seria diferente em Cuzco. Assim, uma vez cumpridas as obrigações burocráticas do check-in no hotel e da compra dos bilhetes de trem para Machu Picchu, foi para a Plaza de Armas que nos encaminhamos.

O Hotel Terra Andina fica situado a 6 quadras da Plaza de Armas, uma caminhada curtinha, de cerca de 10 minutos, pela Calle Santa Clara. No mapinha acima dá pra traçar o caminho direitinho: no canto inferior esquerdo está a estação de onde parte do trem para Machu Picchu, ao lado da Iglesia de San Pedro. A Calle Unión, onde fica o hotel, é a que sobe paralela à Calle Desamparados – ainda bem que não é nessa que fica o hotel, né? ;-)

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 A Calle Marqués Mantas com a Iglesia de La Merced ao fundo

Daí é só seguir pela Calle Santa Clara em direção à Iglesia de Santa Clara, cruzar o Arco de Santa Clara, continuar na mesma rua, que passa a se chamar Marqués Mantas, passar pela Plaza de San Francisco e pela Iglesia de La Merced.

Se formos andando pelo lado direito da rua, atravessamos a Avenida del Sol, uma das principais de Cuzco: 

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Mais 2 minutinhos e avistamos a Plaza de Armas de Cuzco, com a Iglesia de la Compañía à direita e a imensa Catedral em frente! Pausa para uma foto… :D

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A Iglesia de la Compañía ao fundo

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A Catedral de Cuzco

Uma vez devidamente registradas no hotel, nosso próximo passo, antes de estarmos liberadas para o reconhecimento da cidade, foi seguir direto para o escritório da Peru Rail para buscar as nossas passagens de trem para Machu Picchu. A pressa tinha um motivo: era domingo, e aos domingos o escritório fecha ao meio-dia. Como não tínhamos a menor intenção de deixar para o dia seguinte o que poderíamos fazer naquele dia mesmo, fomos pra rua.

Um detalhe importante é que os bilhetes da Peru Rail são comprados no escritório da companhia, e não na bilheteria da estação de trem San Pedro, de onde partem os trens para Machu Picchu. O Hotel Terra Andina fica situado a 5 minutos da estação, mas para ir ao escritório tivemos que tomar um táxi.

Seguimos então a rotina diária de tomar táxis no Peru. O primeiro passo manda perguntar no hotel quanto se deve pagar para ir até um determinado destino. Muitas vezes um funcionário mesmo do hotel trata um táxi na rua – e eles sempre conseguem bons preços! Caso isso não aconteça, e seja necessário pegar um táxi por conta própria, vem o segundo passo. A ordem então é barganhar. O taxista faz o preço, normalmente muito acima do que seria o preço correto. Por exemplo, em uma corrida de 6 soles, ele diria 10 soles ou mais. Nesse momento, se eu disser que pago 6, que seria o preço justo, ele fará a contra-proposta de 8 soles. A técnica então, é jogar a primeira contra-proposta lááááá embaixo. Assim, quando ele diz 10 soles, eu devo responder algo como “Le pago 3 soles”. Claro que ele nunca vai aceitar esse valor, e vai propor os 6 soles que eu já sabia que deveria pagar desde o princípio… ;-)

A pechincha é um fato cultural. Cansei de ler artigos de viagem, em sites, blogs e afins, principalmente os escritos por americanos, em que só faltavam dizer que seria a coisa mais politicamente incorreta do mundo pechinchar com “esses pobres coitados sul-americanos que mal têm o que comer”… :P Quem diz isso não entendeu o espírito da coisa – o vendedor jamais vai cobrar por um artigo menos do que seria necessário para que ele ganhe o seu sustento. Assim, o primeiro preço que ele cobra é sempre exorbitante para os padrões dele, mesmo que para nós seja muito barato – não entrar no jogo equivale a ignorar uma regra social pré-estabelecida. No início, eu achava que poderia ser constrangedor; depois, relaxei e no fim das contas estava me divertindo horrores!!! :D

Chegamos então ao escritório da Peru Rail. Já na entrada eu estava achando tudo lindo, com esse trenzinho irresistível para uma foto… (Fiz a foto, mas só depois de buscar os bilhetes – mesmo em viagem, primeiro a obrigação!)

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Uma vez dentro do escritório, o cenário era desolador: uma enorme quantidade de pessoas aguardava atendimento para comprar os bilhetes. Nós tínhamos reservado as nossas passagens para a 3a.f. seguinte, mas estávamos considerando a possibilidade de trocar a viagem para a 2a. ou para a 4a.f., já que apenas na 3a. haveria o Mercado Indígena em Pisac. Fomos então buscar informações a respeito, e foi aí que eu vi o quanto tinha sido sensato reservar os bilhetes com antecedência – era simplesmente impossível conseguir lugar nos trens pelos próximos 10 dias! E nós estávamos viajando no Vistadome, o trem panorâmico, mais caro do que o Backpacker, o trem convencional. Não sei o que fazem as pessoas que chegam a Cuzco sem reservas…

Principalmente para quem viaja na alta temporada, fazer as reservas é indispensável. O processo é simples: basta preencher um formulário no site e aguardar a confirmação da reserva por email. Na chegada a Cuzco, basta ir ao escritório com o passaporte e o dinheiro (dólares cash, porque a companhia não aceita cartões…) para retirar os bilhetes.

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No meio de toda essa gente, nós não tivemos que esperar nem 20 minutos para pegar os nossos. Eles distribuem senhas diferenciadas – para quem tem reservas, para o tipo de trem, etc. É um  pouco confuso acompanhar nos monitores, a princípio, porque ora aparece a letra E, ora a letra B, ora uma outra letra qualquer, os números vêm fora de seqüência, é uma confusão…

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Mas logo chamaram a nossa senha, compramos os nossos bilhetes (em dólares cash, não esqueçam…) e, livres de obrigações, começamos a desbravar Cuzco… ;-)

Faz algum tempo, ainda na era pré-Internet, o meu critério quando eu escolhia um hotel para me hospedar era muito simples. Eu fazia uma pergunta básica: cabe no meu bolso? ;-) A segunda pergunta era: é bem localizado? Se as duas respostas fossem afirmativas, o hotel estava aprovado. Se apenas a segunda fosse negativa, muitas vezes o hotel acabava sendo aprovado também – afinal, ônibus, metrô e canelinhas estão aí pra isso mesmo… Mas como os guias impressos trazem as descrições apenas, sem fotos dos hotéis, e como o Trip Advisor ainda nem sonhava existir, muitas vezes o hotel “escolhido” era uma roubada daquelas… :lol:

No meio das roubadas, volta e meia aparecia um hotelzinho lindo, ou aquele B&B cheio de charme, que a gente passava a recomendar aos amigos… Quando a Internet se tornou um meio comum de pesquisar e reservar hospedagem antes de viajar, estava aberto o caminho para aumentar (e muito!!!) a margem de acerto dessas escolhas. (Para quem estiver interessado em mais detalhes, a Sylvia ensinou o caminho das pedras com detalhes no antigo VnV do WordPress).

Ultimamente, a pergunta básica continua sendo a mesma, mas várias outras passaram a ser muito importantes. Eu considero fundamental que um hotel seja bem localizado – e isso nem sempre quer dizer que ele fica no meio de tudo – muitas vezes, ele fica em um bairro mais tranqüilo, mas de fácil acesso às atrações. Também acho importantíssimo que o próprio ambiente do hotel seja agradável – se for bonito e bem decorado, então! E eu gosto muito de ambientes amplos, então costumo adorar aqueles hotéis antigos, que fazem pensar em mil histórias de outros tempos…

Pois bem: o meu xodó nessa viagem ao Peru foi o hotel em que nos hospedamos em Cuzco, o Terra Andina, esse mesmo da foto aí embaixo:

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O Terra Andina não foi a minha primeira opção em Cuzco. Há muito tempo eu guardava nos meus arquivos uma referência ao Hotel Ruinas, que era a minha primeira escolha na cidade. Ao longo das pesquisas, me encantei também com o Hotel Picoaga. Era uma decisão difícil, e também importante – Cuzco era a cidade onde passaríamos mais tempo, 4 noites no total, e a que tinha os hotéis mais caros e concorridos. Não dava pra errar… :roll:

No fim das contas, o “bolso” decidiu por mim… Encontrei uma promoção no site da Go 2 Peru, e resolvi os hotéis de Puno, Cuzco e Lima de uma tacada só. De acordo com essa promoção, alguns hotéis ofereciam descontos bárbaros, que podiam chegar até a 45%, desde que pagos com antecedência no cartão de crédito Visa. Foi aí que vi a diária do Terra Andina a US$ 65.00, quando o normal era vê-lo nos outros consolidadores a cerca de US$80.00, a mesma faixa do Ruinas e do Picoaga, um pouco mais caros, por volta de US$ 90.00, US$ 100.00.

A princípio pode até parecer uma economia boba, afinal cada uma de nós economizou US$ 30.00 pelas 4 noites de hospedagem. Mas basta pensar que esses US$ 30.00 já fizeram uma das noites sair praticamente de graça, ou que foram suficientes para custear quase toda a nossa alimentação nos dias em que passamos na cidade que a gente tem uma nova dimensão do que significam US$ 30.00 a mais para gastar no Peru… ;-)

Não cheguei a visitar os outros hotéis – até gostaria de ter ido, mas não lembrei disso enquanto estávamos lá. De qualquer modo, eu não tinha nem motivo para xeretar outro hotel… A nossa chegada ao Terra Andina já mostrou de cara a qualidade que teria a nossa estada – nossas malas foram levadas para o quarto enquanto preenchíamos as nossas fichas confortavelmente instaladas nas poltronas, saboreando um matecito de coca. Ah, essa área do hotel é toda servida por Internet wireless e o computador que aparece na foto é para uso dos hóspedes - de graça! 8)

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Uma das características que eu buscava no hotel onde fosse me hospedar em Cuzco era esse átrio, que é uma característica marcante da colonização espanhola. No caso do Terra Andina, o átrio é o restaurante do hotel, onde é servido o café da manhã. Por esse motivo, não é uma boa idéia ficar em um quarto que dê janelas para essa parte interna… Afinal, todos os dias há hóspedes de partida para Machu Picchu, e o trem deixa Cuzco às 06:00 h da manhã – dá pra imaginar a que horas começa o movimento no restaurante, né?

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O nosso quarto ficava no andar de cima, na parte dos fundos – até dava pra ouvir um pouco do movimento, mas nada que chegasse a atrapalhar o sono, não… E o quarto era excelente, bem confortável e aconchegante. Não era tão grande, o espaço para as malas era um pouco restrito, mas tínhamos um ótimo armário…

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E o melhor de tudo é que o nosso banheiro era ESPETACULAR!!! Além de branquíssimo e limpíssimo, era imenso, confortável e bem aquecido – maravilhoso a ponto de merecer duas fotos no blog, o que deve ser uma honra para qualquer banheiro!!! :lol:

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