Punta del Este


Não, eu nunca fiz uma escala de cruzeiro em Punta, nem pretendo ser expert no assunto… Mas, tendo ido à cidade em duas ocasiões, e em épocas do ano diferentes, posso compartilhar algumas impressões que talvez ajudem quem está procurando decidir o que fazer no pouco tempo disponível na cidade.

Vista do porto

O primeiro ponto que é necessário ter em mente quando se visita uma cidade em uma escala de cruzeiro é que, não, esse tempo NUNCA vai ser suficiente para se conhecer o lugar. Uma escala de cruzeiro, para ser bem aproveitada, deve ser vista como um aperitivo ao invés da refeição completa, ou como um trailer de cinema no lugar do filme. Uma vez que essa idéia seja realmente absorvida, pode-se aproveitar a escala sem maiores dramas… :mrgreen:

A ponte de "corcovas"

Observando as escalas em Punta de duas grandes companhias que operam cruzeiros no Brasil, a MSC e a Costa Cruzeiros, dá pra notar que o tempo em terra é bastante limitado. Por exemplo, no cruzeiro do MSC Opera que parte de Santos no dia 19/12/2010, o tempo previsto em Punta vai apenas das 13:00 às 19:00h. Considerando que até o desembarque mais uma hora pode ser perdida e que é preciso retornar ao navio com cerca de uma hora de antecedência, o tempo em terra é facilmente abreviado para 4 horas apenas. Já o itinerário do Costa Victoria, que parte do Rio de Janeiro no dia 26/12/2010, prevê a chegada em Punta para as 13:00 e a partida para as 20:00h, ou seja, oferece apenas uma horinha a mais em terra.

Cores do pôr-do-sol em Punta

Claro, a solução mais prática que vem à mente de imediato é “vou contratar um city-tour, assim vejo a cidade toda dentro do tempo disponível e não corro o risco de perder o navio”. Sim, é fato. E, para quem está interessado em ver o máximo possível no pouco tempo oferecido, realmente não vejo solução mais apropriada.

A torre do L'Auberge

Mas, para quem tem aquela velha alergia aos city-tours, como essa aqui que vos fala, qual seria a solução? ;-) O primeiro passo é saber que será preciso fazer várias escolhas…

*Minhas sugestões*:

Eu descartaria de imediato uma ida à praia. Tudo bem, no meu caso pode ser fácil falar, porque moro em uma cidade praiana, e tenho a praia à minha disposição o ano todo… Mas, considerando que as praias mais badaladas de Punta estão distantes do porto, em La Barra, boa parte do tempo disponível se perderia no deslocamento – além disso, quer coisa mais chata do que ficar na praia prestando atenção no relógio, com medo de perder o navio? Não, a praia definitivamente não é uma boa idéia…

Por outro lado, também não adianta se concentrar no pôr-do-sol, porque no verão o sol se põe bem tarde, e todos já estarão a bordo do navio.  Além disso, não seria nada sensato estar longe do porto perto da hora de reembarcar, porque nunca se sabe como estará o caminho de volta,  e não é folclore que o navio não espera os retardatários – não espera MESMO!!!

A praia de José Ignacio

A idéia, então, seria curtir o que Punta tem de mais característico sem se distanciar muito do porto. Algumas possibilidades de roteiro me vêm à cabeça – mas elas são excludentes, é IMPOSSÍVEL fazer tudo isso em algumas poucas horas…

Uma obra de arte em si...

Plano A:

Para quem tem a imagem de Punta associada às curvas brancas do Casapueblo, uma idéia seria almoçar no navio mesmo antes de desembarcar , tomar um táxi e rumar direto para Punta Ballena. O trajeto de ida e volta consumiria uns 40 minutos – restringindo a visita ao museu a pouco menos de 1 hora,  ainda sobrariam  2 horas e meia para passear pela Península com calma.

Plano B:

Quem não fizer questão de sair da Península pode aproveitar um pouco da gastronomia local sem que esse tempo faça falta. A minha sugestão seria um almoço no El Secreto ou no Virazón, bem em frente ao porto. Vale, claro, experimentar um bom clericot! Depois do almoço, ainda daria tempo para passear pela Avenida Gorlero e adjacências, dar uma espiada nas vitrines, e até entrar no Conrad para tentar a sorte…

Plano C:

Para quem busca uma Punta mais tranqüila, uma idéia seria também almoçar no navio antes do desembarque, deixando ainda uma fominha para experimentar os waffles do L’Auberge. O plano seria tomar um táxi direto para lá, comer a sobremesa e voltar para passear um pouco na Península. O trajeto de ida e volta do porto ao L’Auberge não vai tomar mais do que 30 minutos, o que ainda deixa bastante tempo disponível para aproveitar…

Essas são apenas algumas dentre as muitas sugestões possíveis. Seja qual for a opção, a minha dica é: não sofra pelo que não deu pra fazer, aproveite a sua escolha, e faça planos para voltar depois com calma, para ficar uns dias! 8)

L'Auberge

Na tarde do último dia, nos separamos em 2 grupos – eu e Marcio fomos até o L’Auberge, um lugar que nós dois tínhamos muita curiosidade de conhecer.

A torre do L'Auberge

O hotel está presente em praticamente qualquer coisa que se escreva sobre Punta, é impressionante…

Tão bucólico esse caminho...

Desde a entrada, a idéia que se tem é de uma Punta mais bucólica, calma, residencial – uma delícia mesmo…

O salão de chá - waffles...

Por falar em delícia, o ponto alto da tarde no L’Auberge é o chá acompanhado de waffles - nós até tínhamos boa vontade pra experimentar, mas acabamos deixando para uma próxima visita, já que tínhamos almoçado há pouco tempo… ;-)

Muito verde e tranqüilidade

Acabamos só fazendo um passeio pelo hotel – conhecemos o espaço aberto e ainda pedimos para visitar um quarto.

Êta vidinha mais ou menos... ;-)

As diárias no L’Auberge são um pouco mais em conta do que no Las Cumbres – na baixa, começam em US$ 150 e podem chegar até US$ 390 na suíte mais simples no réveillon.

Tudodebom.com.br!!!

Mas, apesar de ter achado o hotel um espetáculo, tenho que admitir que ainda prefiro o Las Cumbres… :mrgreen:

O porto de Punta...

Na manhã seguinte, voltamos a passear pela Península, mais uma vez sem pressa e sem “tarefas” a cumprir.

... e seus habitantes!

Nossa primeira parada foi o porto, onde passamos um tempão observando os pescadores alimentando alguns pássaros e lobos marinhos com restos de peixes…

Fotogênico esse bichinho...

Dali fomos de carro até a pontinha da Península, onde eu não tinha ido da outra vez. O propósito era dar uma olhadinha no farol e nas sereias:

Marcio, Andréa, Clyffson, Paulinho e eu

O farol de Punta del Este

As sereias

Voltamos então à região da Gorlero para um merecido café:

Marcio, Andréa e Clyffson

Paulinho e eu

E fomos então dar um passeio pelas lojinhas, ver vitrines, andar sem rumo…

O "segredo" de Punta...

Mais tarde, quando bateu a fome, resolvemos experimentar um restaurante que não tinha sido indicado por ninguém – o El Secreto… ;-)

Às novas amizades!

Nós já tínhamos passado em frente várias vezes e simpatizamos com o ambiente. (Eu adoro experimentar novos lugares, por minha conta e risco – é sempre uma chance de se descobrir um lugar super legal fora das recomendações mais manjadas…)

Um risotto delicioso...

Experimentei um risotto sensacional – de pesto, tomates secos e nozes, uma delícia!!!

... e um vinhozinho pra acompanhar!

Como o almoço foi aprovado pelo controle de qualidade do quinteto, fica a dica: o El Secreto fica na Rambla Artigas, bem ao lado do Virazón! ;-)

Um brinde à amizade!

Depois de 2 dias desbravando Punta como um sexteto, chegou a hora de nos despedirmos do JB, que iria voltar a Montevidéu na manhã seguinte.

Andréa, Clyffson, Marcio, Paulinho, eu e JB

Marcamos a última noite do sexteto com um jantar no Lo de Tere, um dos mais tradicionais de Punta – já tínhamos lido ótimas referências dele nos Destemperados

A fachada do Lo de Tere

Os pratos que pedimos fizeram bastante sucesso. Eu estava em busca de um jantarzinho leve, e optei por um dos pratos mais emblemáticos do restaurante, o Black Crab:

Recheio de siri e molho de camarões - delícia... ;-)

Os outros pratos pedidos também estavam muito apetitosos – mas não me lembro dos nomes… :oops:

O prato da Andréa

O prato do Marcio

Para finalizar, o JB pediu uma sobremesa de encher os olhos:

Homenaje al dulce de leche

Foi uma noite super agradável, mas arrisco dizer, sem querer diminuir os méritos do Lo de Tere, que a noite teria sido agradável em qualquer outro lugar – afinal, nada como estar em boa companhia, não? ;-)

Paulinho, eu e JB

Andréa, Clyffson e Marcio

Depois do pôr-do-sol espetacular que tínhamos visto no Casapueblo no dia anterior, eu imaginava que seria difícil encontrar um mais bonito… Mas Punta é famosa pela profusão de locais de onde se pode admirar um belo pôr-do-sol, e nós estávamos a caminho de um deles: o Hotel Art Las Cumbres.

Chegando ao Las Cumbres

Não ter ido ao Las Cumbres tinha sido uma das minhas grandes frustrações na viagem de 2007, então eu tinha grandes expectativas, o que é sempre um tanto quanto perigoso, porque pode trazer mais frustração…

Eu, Paulinho e JB

Luz de fim de tarde...

Fizemos uma reserva para o chá da tarde – mas eu nem pensei em chá ou qualquer outra coisa quando vi o quanto o lugar era maravilhoso! Fomos direto para o lado de fora, todos impressionados com o visual… De novo, não vou nem tentar transmitir em palavras… ;-)

Depois dessa overdose de beleza, entramos para o salão de chá. E… sinceramente? Eu voltaria ao Las Cumbres a qualquer momento, me hospedaria lá de bom grado, mas não faria questão de tomar o chá, não… Talvez eu tenha ficado mal acostumada pelo chá do Hotel Alvear, de Buenos Aires, mas não vi muita graça!

Nada como amigos ao redor de uma mesa...

Quanto ao hotel em si, essa é uma outra história… Eu adoraria voltar a Punta e me hospedar no Las Cumbres – aliás, o melhor é plagiar o Riq e dizer logo que eu queria MORAR no Las Cumbres:D

Eu "morando" no Las Cumbres... ;-)

Simulei agora uma reserva no site do próprio hotel, e vi apartamentos disponíveis para outubro a US$ 218. Não é barato, mas arrisco afirmar que valerá cada centavo… Eu guardaria a opção na manga como uma ótima alternativa para uma última noite em Punta, em grande estilo! E a turminha abaixo concorda comigo – em gênero e número… :D

Andréa, JB, Clyffson, eu, Marcio e Paulinho

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