Resolvemos deixar a visita a alguns cartões postais de Cingapura para a nossa última manhã, e começamos o dia com uma caminhada na direção da Marina Bay.

Contrastes…

Cingapura é uma cidade bastante compacta – quem gosta de caminhar e escolhe se hospedar próximo a essa região pode facilmente deixar de lado o transporte público.

Ao fundo, o Marina Bay Sands

Caminhamos na direção do Marina Bay Sands, o fabuloso complexo de hotel e cassino, que é o novo cartão de visitas de Cingapura.

O Merlion, símbolo de Cingapura

No caminho, paramos para uma espiada no Merlion, o símbolo de Cingapura – a palavra merlion é a aglutinação de mer (que traz a idéia de ‘mar’) e lion (leão), daí a singular figura de uma cabeça de leão com corpo de peixe… ;-) O peixe representa a origem de Cingapura como uma vila de pescadores, e o leão nos remete ao nome original da cidade, Singapura, que significa “cidade do leão”.

Marina Bay Sands

Paramos para admirar diversas paisagens – desde o Autódromo de Cingapura ao Teatro Esplanade…

Singapore River

Autódromo de Cingapura e a Singapore Flyer

Teatro Esplanade

Singapore River

Decidimos não subir ao Sky Park Observation Deck, no topo do Marina Bay Sands – primeiro, porque já sabíamos que os não-hóspedes não podem usufruir da famosa piscina de borda infinita, mesmo pagando o ingresso de S$ 20 (cerca de US$15); além disso, o dia estava nublado, e as fotos não seriam lá essas coisas…

Marina Bay Sands

Preferimos então guardar na memória apenas a vista espetacular que tínhamos experimentado na noite anterior a bordo da Singapore Flyer, e resolvemos dar uma volta pelo interior do hotel, por seus corredores repletos de lojas e cafés.

Lobby do Marina Bay Sands

Galeria de lojas no Marina Bay Sands

Ao fim da manhã, fizemos um almoço rápido e retornamos ao hotel para buscar as malas e seguir de volta ao Aeroporto de Changi, onde embarcamos no vôo da Singapore Airlines rumo a Denpasar-Bali.

Chegamos a Denpasar já perto das 07:00 da noite. Após os trâmites burocráticos da imigração e a recuperação de bagagem, tomamos o transfer que já tínhamos contratado por email no hotel, o Tjampuhan Hotel & Spa.

Carla no restaurante do Tjampuhan Hotel & Spa 

Paulinho no restaurante do Tjampuhan Hotel & Spa

Em pouco mais de 1 hora estávamos no restaurante do nosso bucólico hotel na vila de Ubud, na região da mata de Bali, prontos para experimentar a nossa primeira Bintang, a deliciosa cerveja indonésia, acompanhada de delicados rolinhos-primavera.

A primeira Bintang

Rolinhos primavera

Cingapura nos ofereceu uma ótima – e muito recomendada – introdução à Ásia. Mas, a essa altura da VAM, depois de 18 dias de viagem, já estávamos ansiosos pelo que nos aguardava em Bali – a princípio, um mergulho na cultura indonésia em Ubud, seguido por vários dias de descanso e mordomia à beira-mar nos resorts de Sanur e Nusa Dua. ;-)

Saímos de Siem Reap na manhã seguinte em um vôo da Jet Star que nos levaria de volta a Cingapura para mais uma noite antes de prosseguir viagem para Bali. A princípio, tínhamos decidido ficar em um hotel próximo ao aeroporto mesmo, descansando à beira da piscina. Mas, com a novela do atraso do vôo no trecho Frankfurt-Cingapura e a insônia no período de adaptação ao fuso-horário, acabamos não dando conta de ver tudo o que gostaríamos na cidade na primeira estada. Além disso, Cingapura nos conquistou de cara – por isso, antes mesmo de partir para a Malásia e o Camboja, já tínhamos decidido trocar a nossa reserva para outro hotel e passear um pouco mais pela cidade.

Museu de Arte de Cingapura

Chegamos no início da tarde e dessa vez tomamos o shuttle no aeroporto até o nosso hotel, na região de Riverside. Quando chegamos na primeira vez, tomamos um táxi para o hotel – não só porque estávamos cansados do vôo desde Frankfurt, mas também porque, dependendo do horário, o táxi pode sair mais barato para duas pessoas do que o shuttle. Depois de instalados, saímos para comer alguma coisa e fomos passeando a pé até a Orchard Road. Demos uma volta por essa avenida, repleta de shopping centers, e retornamos ao hotel no fim da tarde.

Singapore Flyer

Nosso plano para a noite era conferir a Singapore Flyer – a roda-gigante mais alta do mundo, de onde se pode ver Cingapura inteira. Dizem que, com sorte e tempo bom, é possível avistar até mesmo a Malásia! O ingresso custa SGD 29.50 (cerca de US$23) por pessoa e a volta completa dura meia hora.

Cingapura vista da Singapore Flyer

Mais Cingapura vista da Singapore Flyer

Depois do passeio, fizemos uma pausa no caminho de volta ao hotel para um jantarzinho rápido. Escolhemos o Thai Express próximo ao Esplanade e saboreamos um pad thai bem honesto.

Pausa para um jantar rapidinho

Nosso pad thai no Thai Express

Voltamos então ao hotel para uma boa noite de sono, já que no dia seguinte ainda pretendíamos dar uma volta pela região do Marina Bay Sands antes de seguir viagem rumo a Bali… ;-)

Entrada do Somadevi Angkor Hotel & Spa (Fonte: http://www.somadeviangkor.com)

A escolha do nosso hotel em Siem Reap foi um processo muito simples. Já tínhamos algumas dicas que diziam que não era uma boa idéia ficar na estrada que leva ao aeroporto, por ser distante de tudo. Como sempre, a nossa intenção era encontrar a melhor relação custo x benefício.

Somadevi Angkor Hotel & Spa foi uma dica de amigos que já haviam se hospedado lá e gostaram. O hotel é mesmo bem localizado – fica a uma distância caminhável do centro sem estar no meio do movimento – e o valor da diária é bastante atraente. Fizemos a nossa reserva pelo Booking, para pagar no checkout, a US$ 61 o quarto duplo.

Quarto simples, mas confortável

Banheiro pequeno, mas funcional

Os quartos são simples, mas amplos, confortáveis e silenciosos. O banheiro é pequeno, mas também não fez feio… ;-)

Vista panorâmica da piscina (Fonte: http://www.somadeviangkor.com)

O ponto alto é sem dúvida a piscina e seu entorno – como se todo o charme tivesse se concentrado nessa área. Felizmente, tivemos a chance de aproveitar bastante no dia da chegada!

A piscina – sem dúvida, um dos pontos altos do hotel

O convidativo entorno da piscina

Mesas para uma refeição à beira da piscina

Recantos...

Mais recantos...

.. Detalhes…

Angkor no pano de fundo do palco

Ficamos satisfeitos também com os serviços que contratamos no hotel – o transfer de ida e volta para o aeroporto saiu a US$ 20 para nós dois, em carro com ar condicionado. O passeio ao Complexo de Angkor também foi feito com motorista e guia indicados pelo hotel, e só temos elogios!

A piscina iluminada para o jantar/show (Fonte: http://www.somadeviangkor.com)

Por fim, o jantar com show de dança “turistão” da última noite também acabou se revelando um super programa. O Somadevi entra então pra lista de hotéis da VAM na categoria “testados e aprovados”… ;-)

O dia seguinte era o ponto alto da nossa visita ao Camboja – um dia inteiro dedicado ao Complexo Arqueológico de Angkor. Embora Angkor Wat seja o sítio arqueológico mais conhecido, o Complexo de Angkor compreende muitos outros, e pode facilmente proporcionar vários dias de passeio àqueles interessados em conhecer de forma mais profunda a história e a cultura Khmer. Nós dispúnhamos de pouco tempo, por isso contratamos, no hotel mesmo, o passeio de um dia inteiro aos Parques Arqueológicos de Angkor Thom, Ta Phrom e Angkor Wat. O custo total do passeio em carro com ar condicionado com motorista e guia em inglês foi de US$ 55, ou US$ 27.50 por pessoa.

Mapa geral dos Parques Arqueológicos de Angkor (Fonte: http://www.angkor360.com/angkor-maps)

Angkor sediou as capitais do império Khmer no período entre os séculos IX e XV DC. Suas ruínas estão localizadas em meio a florestas ao norte de Tonle Sap (Grande Lago), próximas à cidade de Siem Reap, e foram declaradas um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1992. O Complexo Arqueológico compreende mais de 1000 templos, que vão desde pilhas de destroços irreconhecíveis espalhados pelos campos de arroz até o magnífico Angkor Wat, considerado o maior monumento religioso do mundo. (Fonte: Essential Architecture)

Portão Sul de Angkor Thom

Começamos nossa visita por Angkor Thom (Grande Cidade), a última capital do Império Khmer, estabelecida no final do século XII pelo Rei Jayavarman VII, como o centro de seu extenso programa de construções. Uma inscrição encontrada na cidade se refere ao rei como o noivo e à cidade como sua noiva. (Fonte: Wikipedia).

À esquerda da entrada, 54 devas (deuses guardiães)

À direita da entrada, 54 asuras (demônios)

O Portão Sul de Angkor Thom é o mais bem preservado, e chega-se a ele por uma passagem de cerca de 50 m sobre um fosso. De cada lado dessa passagem há 54 figuras de pedra – à esquerda, 54 devas (deuses guardiães) e à direita, 54 asuras (demônios).

Turistas chegando de elefante...

Essa é a entrada utilizada pela maior parte dos turistas – vimos turistas chegando de carro, como nós, de tuk-tuk, de bicicleta e até de elefante… ;-)

Parte central de Angkor Thom (Fonte: http://www.canbypublications.com/maps/TempleMapaap2at.htm)

Seguindo pelo caminho principal, chega-se ao principal templo da cidade, o Bayon.

O Templo Bayon

No Bayon

Bayon foi construído no final do século XII ou início do século XIII como o templo oficial do Rei Jayavarman VII, e está situado bem no centro de Angkor Thom. Após a morte de Jayavarman, o templo foi reformado e ampliado por outros reis budistas e hindus de acordo com suas próprias preferências religiosas.

As faces de Loveskara nas torres

Detalhe da face de Loveskara

A característica mais marcante do Bayon são as faces de pedra, de expressão serena, esculpidas em várias de suas torres, conhecidas como as faces de Loveskara. (Fonte: Wikipedia)

Phimeanakas

Lótus

Um pouco mais adiante, chegamos às Phimeanakas ou Vimeanakas, um templo hindu construído no fim do século X, durante o reinado de Rajendravarman.

Terraço dos Elefantes

Terraço dos Elefantes

Em seguida, chegamos ao Terraço dos Elefantes, uma área usada pelo Rei Jayavarman VII como uma plataforma de onde podia avistar o retorno de seus exércitos vitoriosos.  (Fonte: Wikipedia)

Mercado próximo ao Portão Leste de Angkor Thom

Quando percebemos, a manhã já tinha chegado ao fim, e fizemos uma merecida pausa para descansar, ir ao banheiro e beber alguma coisa. A Nanah, nossa dublê de guia e anjo da guarda, nos ofereceu um Red Bull salvador, que nos deu a energia necessária para passear mais um pouco antes de chegar a hora do almoço…

Nanah, nossa ótima guia - e o providencial Red Bull...

Uma grande mancada que demos foi não pegar o contato direto dela para oferecer a quem se interessar em contratar os seus serviços. Ficamos impressionados com o seu preparo! Ela é uma estudante universitária de Ciências Contábeis, que se expressa muito bem em inglês e tem uma rotina semelhante à de muitos dos nossos estudantes universitários: trabalha o dia todo para custear seus estudos e ajudar à família, e à noite cursa a universidade.

Pausa para fotos divertidas…

... de "divindades" ainda desconhecidas

Nos divertimos a valer com ela e suas idéias engraçadas para fotos – sem nunca deixar de lado as informações e comentários sobre os templos e sítios que estávamos visitando e a cultura Khmer em geral.

Nanah, que nos proporcionou um dia excelente com seu conhecimento sobre Angkor e a cultura Khmer

Tomando o rumo de Ta Phrom

Após essa pausa, tomamos então a direção de Ta Phrom. Ao longo do caminho, vimos vários grupos musicais, formados por sobreviventes das explosões de minas durante a Guerra Civil – todos os músicos são deficientes físicos, mutilados pelas explosões, e quase todos ficaram também cegos. Vale a pena ler sobre a Guerra Civil do Camboja aqui - e eu recomendo também assistir a um filmaço dos anos 80 sobre o mesmo assunto, “Os Gritos do Silêncio“.

As árvores do Ta Phrom em meio aos templos

Ta Prohm está localizado a cerca de 1 km ao leste de Angkor Thom, e foi fundado pelo Rei Jayavarman VII para ser um mosteiro e universidade. Após a queda do Império Khmer, no século XV, o templo foi abandonado por vários séculos.

Impressionante o tamanho das árvores...

Quando o esforço para conservar e restaurar os templos de Angkor começou, no início do século XX, a École française d’Extrême-Orient decidiu que o Ta Prohm seria mantido mais ou menos nas mesmas condições em que foi encontrado, como uma “concessão ao gosto comum pelo pitoresco”. A combinação fotogênica das árvores crescendo em meio às ruínas e a floresta ao redor fez desse templo um dos mais populares entre os visitantes. (Fonte: Wikipedia)

 

Pausa para o almoço em um restaurante de culinária Khmer...

Ao fim da visita, estávamos prontos para um contato mais próximo com a cultura Khmer – o almoço em um restaurante típico da culinária local, o “Eat at Khmer”.

… onde provamos o delicioso Amok Trei

Escolhemos um prato bastante comum no Camboja, o Amok Trei, feito à base de peixe com leite de coco, cebola, tomate, capim-limão e temperos, como a cúrcuma e a páprica, e servido com arroz de jasmim. Não fosse o capim-limão e o sabor seria bem semelhante ao da culinária baiana, pela mistura do peixe com o leite de coco e condimentos. Mas a maior bossa mesmo foi ver que o peixe vem à mesa dentro do coco verde – simplesmente sensacional! ;-)

… curtindo essa vista maravilhosa!

Após o almoço, seguimos então para Angkor Wat.

A primeira visão de Angkor Wat

Angkor Wat é um complexo de templos construído pelo Rei Suryavarman II, no século XII, o único que funcionou como um centro religioso desde a sua fundação – primeiro como um templo hindu, dedicado ao deus Vishnu, e depois budista. (Fonte: Wikipedia)

Muitos turistas na chegada a Angkor Wat

Angkor Wat é a principal atração turística do Camboja, o que fica bem claro na quantidade de turistas que visitam esse templo em comparação aos outros…

Belíssimo, apesar dos tapumes das obras de restauração…

Infelizmente, vimos a fachada principal um pouco encoberta por tapumes das obras de restauração – ainda assim, a beleza do lugar não se perde.

Por que não uma brincadeira?

Figuras entalhadas na pedra

O Buda onipresente

Fizemos todo o tour pelo sítio arqueológico, e subimos para visitar o templo, onde vimos jovens monges usando as vestimentas tradicionais…

O jovem monge no templo….

E o pequeno monge ainda mais jovem...

Uma última espiada em Angkor Wat ao entardecer...

Ao fim da tarde, fomos ao Bakheng para ver o pôr-do-sol. Muitos dizem que é uma roubada, porque é necessário subir um morro e uma escadaria, e que o lugar fica lotado. Sim, é fato – mas, se você não é uma pessoa sedentária nem está muito acima do peso, o esforço não é tão grande assim. Não me arrependi de ter ido, mesmo que o pôr-do-sol nesse dia nem tenha sido dos mais bonitos… (E eu sempre sou da opinião que é melhor ir lá ver com os próprios olhos e concordar que não vale a pena do que deixar de ir…)

O pôr-do-sol no Bakheng

Por fim, algumas dicas básicas a lembrar nos dias de visita aos templos de Angkor:

1. A área dos templos é área de baixa incidência de malária – ou seja, embora a incidência seja baixa, ela existe, e é preciso se prevenir com um bom repelente;

2. O sol é inclemente e o calor é quase insuportável – é preciso usar um protetor solar com FPS bem alto. O ideal seria reaplicá-lo ao longo do dia, mas achei isso quase impossível, com a quantidade de suor e poeira que se acumula na pele…

3. A poeira é muita e a terra é vermelha – é importante escolher sapatos que sejam confortáveis para caminhar e que possam se sujar, assim como a roupa. Levar um bom chapéu para se abrigar do sol também ajuda. Nenhuma das roupas que eu usei no dia em que fui a Angkor voltou para casa ao fim da VAM – aliás, nem o sapato! Só salvei o chapéu e os óculos de sol… A calça clara foi para o lixo na hora em que voltei ao hotel, vermelha de poeira e toda esgarçada de tanto me sentar nas pedras dos templos… :lol:

Para mais informações sobre Angkor, clique aqui. E para fazer o download de mapas e guia, clique aqui.

Jantar Khmer… 

... no Hotel Somadevi

Chegamos de volta ao hotel tão cansados que decidimos jantar por lá mesmo, ao invés de ir para a cidade. Resolvemos experimentar o buffet Khmer seguido de um show de dança típica, ao custo de US$ 15 por pessoa. Claro que era um programa “turistão”, mas foi muito divertido – o jantar estava uma delícia, e o show de dança foi super bonito.

Nosso jantar, à espera do show de dança

Dança típica cambojana

Dança típica cambojana

Dança típica cambojana

Fim do show - Feliz 2011!!!

A melhor parte foi que, ao fim do show, já estávamos no hotel, prontos para uma noite de sono revigorante. No dia seguinte, tínhamos que tomar o vôo de volta a Cingapura… ;-)

Você pode ler outros posts sobre o Camboja aqui:

- no Dividindo a Bagagem;

- no Mikix;

- no MauOscar;

- no O que eu fiz nas férias.

Quando começamos a planejar a VAM, uma das nossas primeiras preocupações foi pesquisar que tipo de cuidados com a saúde deveríamos tomar em uma viagem tão longa e para locais tão diferentes daqueles onde estávamos acostumados a ir.

A pesquisa, como sempre, começou pelo Viaje na Viagem. O próprio VnV nos levou ao Mikix no Mundo - mais especificamente ao post onde a Mirella fala sobre os cuidados e vacinas que eles tomaram antes da viagem ao Sudeste Asiático.

Com base nesse post começou a nossa preparação. Nossa  primeira providência foi uma visita ao Centro de Vacinação de Adultos da UFRJ, onde ganhamos uma carteirinha de vacinação que hoje em dia faz inveja a muita criança por aí, de tão completinha… ;-)

Carteira de vacinação bem preenchida...

O viajante brasileiro está relativamente acostumado à cobrança da vacina contra a febre amarela em viagens a certas regiões do Brasil e outros países da América do Sul. Quando se vai à Ásia, determinados países, como a Tailândia, também fazem essa exigência. É importante notar, entretanto, que não há febre amarela na Ásia! Os países asiáticos que nos cobram a vacina têm a intenção de proteger os seus próprios habitantes contra uma possível contaminação, e não proteger a saúde do turista ocidental contra o que ele possa encontrar por lá… :shock:

Nós começamos a buscar informações cerca de 6 meses antes de embarcar. Foi um bom prazo, mas poderíamos ter começado ainda antes, para ter tempo de fazer toda a imunização antes de ir, já que algumas vacinas, como a contra hepatite B, têm intervalos grandes entre uma dose e outra. Resultado: viajamos devendo vacinas e, na volta, ainda tivemos que completar a carteirinha…

Em um primeiro momento, fizemos uma imunização básica. Como já tínhamos a vacina contra febre amarela válida, tomamos as seguintes vacinas:

- Gripe H1N1;

- Influenza;

- Tríplice viral (caxumba, rubéola e sarampo) – é importante se você não tiver tido essas doenças ainda; caso contrário, estará automaticmente imunizado. O sarampo, embora esteja praticamente erradicado no Brasil, ainda é relativamente comum na Europa, por exemplo – melhor não correr  o risco…

- Dupla (tétano e difteria – 1a. dose de 3) – na verdade, todos deveriam manter a vacina contra tétano válida, já que estamos sempre sujeitos a acidentes…

Hepatite B (1a. dose de 3).

Nesse meio tempo, começamos a ler bastante sobre uma especialidade médica ainda pouco conhecida, mas que parecia ser indicada exatamente para o nosso caso: a Medicina do Viajante. Em primeiro lugar, comprei o livrinho do Dr. Fernando Lucchese, intitulado Boa Viagem!, em que ele explica o que vem a ser a Medicina do Viajante e descreve alguns cuidados básicos que todo viajante deve tomar para se aventurar pelo mundo com segurança. Descobrimos também alguns sites com informações relevantes, como esta matéria sobre Medicina do Viajante e o site Viaje com Saúde.

Ao longo das pesquisas, descobrimos que a UFRJ tem um serviço especializado em Medicina do Viajante: o Centro de Informação em Saúde para Viajantes (CIVES), vinculado ao Departamento de Medicina Preventiva. No site, além de encontrar informações valiosíssimas sobre vacinas e afins, o turista pode também agendar sua consulta individual gratuita com um médico especialista em Medicina do Viajante, que vai analisar minuciosamente o seu roteiro de viagem e recomendar os cuidados necessários.

No nosso caso, a médica que nos atendeu recomendou ainda umas tantas outras vacinas, de acordo com os locais que iríamos visitar:

- Hepatite A (não disponível na rede pública; 2 doses) – outra vacina importante mesmo para quem não vai viajar, já que sempre estamos sujeitos a consumir água e/ou alimentos contaminados;

- Febre tifóide (não disponível na rede pública; dose única) - recomendada pela médica porque visitaríamos áreas onde há incidência da doença;

- Poliomielite (reforço) – assim como o sarampo, a poliomielite está erradicada no Brasil. No entanto, foi recomendada pela médica pela mesma razão acima – ou seja, tivemos que tomar gotinhas como as crianças… :lol:

- Raiva (pré-exposição; 3 doses) – a pré-exposição à raiva é recomendada quando há a possibilidade de ter contato com animais desconhecidos, que podem estar infectados; no nosso caso, a médica fez a recomendação principalmente por causa dos macacos de Bali.

Ao longo da consulta ela nos explicou que os cuidados variam muito de acordo com o perfil do viajante (como a idade, por exemplo) e o tipo de transporte e hospedagem escolhidos. As viagens aéreas oferecem menor risco de exposição a doenças do que as viagens terrestres, assim como um hotel que tenha ar condicionado oferece mais proteção contra os mosquitos (agentes transmissores de várias doenças, inclusive a malária) do que um hotel mais simples, apenas com ventilador. Também recebemos instruções no sentido de beber apenas água mineral e evitar comer na rua, mesmo em lugares onde houvesse locais comendo. A lógica que nos explicou a médica é que nós temos as nossas próprias bactérias, a que já estamos acostumados e somos imunes; isso não significa, porém, que seríamos imunes às bactérias encontradas do outro lado do mundo. Na dúvida, dada a longa duração da viagem, melhor evitar correr riscos… ;-)

Um ponto que nos preocupava bastante era a prevenção da malária, já que não existe uma vacina e a quimioprofilaxia é uma questão controversa, como se pode ver neste  post do Travelfish. Aprendemos muito não apenas na consulta, mas também nessa discussão no VnV, que começa neste comentário aqui.

No caso específico da malária, o que aprendemos foi o seguinte:

- as vitaminas do complexo B só seriam eficazes para repelir os mosquitos no caso da ingestão em altíssimas quantidades, ou seja, na prática, não funciona;

- os repelentes comuns têm pouca duração, e precisam ser reaplicados a cada 40 minutos, ou seja, o processo torna-se um tanto quanto inviável; há repelentes de alta eficácia, como o Exposis, que dura até 10 horas por aplicação. (É difícil de encontrar – eu comprei pela Internet, no site da Rozenlândia Baby)

- existe um mapeamento das áreas de incidência de malária – o ideal é consultar um especialista, levando o seu roteiro detalhado, inclusive com os meios de transporte utilizados, para saber se as áreas que você vai visitar são de alta, média ou baixa incidência. A medicação escolhida para a profilaxia varia de acordo com isso, porque já existe resistência a alguns medicamentos. No nosso caso, visitamos apenas áreas de baixo e médio risco, sempre viajando de avião, o que diminui a exposição à doença. A médica que nos atendeu indicou a quimioprofilaxia com mefloquina, que é fácil de seguir (1 pílula por semana) e apresenta poucos efeitos colaterais. (Outras substâncias têm mais efeitos colaterais, como irritações estomacais e intolerância ao sol, por exemplo.)  Mas acabamos decidindo fazer uma prevenção apenas com repelente e roupas compridas.

Esses foram os nossos passos para estarmos protegidos ao longo da viagem. Isso não significa que todo mundo que vai à Ásia tenha que fazer o mesmo – no nosso caso, o tempo de viagem foi longo, quase 3 meses, o que aumenta o risco de qualquer contaminação, e preferimos nos cercar de toda a cautela possível. ;-)

Por fim, resta lembrar que prevenção nunca é demais e fazer um bom plano de saúde. Nós escolhemos o seguro-saúde da World Nomads, que nos custou cerca de US$ 300 para os 77 dias de viagem.

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