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Depois de 2 semanas “morando” no navio, eu já estava tão confortável com aquela rotina que tive vontade de ficar lá mais 2 semanas para fazer o percurso inverso…Como essa não era uma opção, já que tínhamos reservas de hotéis em Santiago, Mendoza e Buenos Aires, além de bilhetes aéreos já comprados, não tive outra saída senão desembarcar – morrendo de pena! ;-)

Antes mesmo de completar o cruzeiro eu já estava tão encantada que investi em um NCL Freestyle Cruise Rewards – fiz um depósito de US$ 250 para um cruzeiro futuro, a ser usado dentro do período de 4 anos a partir da data da compra, e que imediatamente rende ao comprador US$ 100 de bônus para serem usados a bordo; ou seja, na verdade eu compro um desconto de US$ 250 no futuro por US$ 150 no presente… ;-) Achei uma forma muito simpática de fidelizar o cliente.

Dia D - o desembarque...

O desembarque foi bastante organizado. A nossa obrigação era liberar as cabines no máximo às 10:00h da manhã, mas não tínhamos a obrigação de deixar o navio com hora marcada – quem quisesse poderia aproveitar as dependências do navio pelo tempo que fosse, apenas não teria mais acesso à cabine. Poderíamos desembarcar a qualquer momento, depois que a cor referente ao deck da nossa cabine fosse chamada. Nós tínhamos planejado seguir nesse dia direto para Santiago, e então achamos melhor desembarcar assim que possível para aproveitar bem o dia.

Conforme desembarcavam, os passageiros eram acomodados em um ônibus que os levava do navio até o terminal de passageiros. O processo é um pouco demorado, e ainda temos que esperar no terminal pela fiscalização da bagagem – toda a bagagem de mão é “conferida” por cães farejadores, em busca de produtos de origem animal e vegetal, que são proibidos (e não apenas de drogas, como seria possível pensar).

Com a bagagem liberada, tomamos então um táxi para o Terminal Rodoviário de Valparaiso. Eu já tinha recebido a dica de que não valia a pena pagar o transfer super inflacionado oferecido pela NCL para nos levar até Santiago, e que seria super simples ir até a rodoviária de Valparaiso e seguir para Santiago de ônibus. Dito e feito! ;-) Há várias empresas que fazem o trajeto Valparaiso – Santiago, por isso são muitas saídas diárias. Chegamos, escolhemos a empresa pelo próximo horário de saída, compramos o bilhete e, em cerca de meia-hora estávamos acomodados no nosso ônibus a caminho de Santiago. O valor do bilhete é super em conta, 10.500 pesos chilenos, cerca de R$ 20 – mas o detalhe é que não se aceita cartão de crédito, é preciso pagar em espécie.

Duas horas e mais um táxi depois, chegamos ao nosso hotel com muita vontade de matar as saudades de Santiago… :D

Puerto Montt foi a última escala do cruzeiro.

O Norwegian Sun ancorado em Puerto Montt

Essa era uma velha conhecida, desde que eu tinha ido aos Lagos Andinos em setembro de 2000 – mas eu quase não a reconheci!

O shopping de Puerto Montt

Puerto Montt foi uma das cidades chilenas que mais cresceram nos últimos 10 anos, e eu tive que puxar pela memória para encontrar a cidade que tinha visitado. Alguns pontos turísticos ajudam nessa hora…

A igreja de madeira construída sem um único prego!

O monumento aos imigrantes alemães

Mas o nosso objetivo não era passar o dia em Puerto Montt… Tínhamos  o dia inteiro, e a intenção era pegar um carro e ir passear em Puerto Varas e Frutillar, as vizinhas menores e mais interessantes… ;-)

Puerto Varas e o Lago Llanquihue

O Lago Llanquihue

Puerto Varas é uma das pontas do Cruce de Lagos – a outra ponta é Bariloche, na Argentina.

Todos os portos do Cruce de Lagos

Dá pra ver o vulcão?

Demos a sorte de pegar um dia de sol esplendoroso. Fiquei feliz por conseguir ver o vulcão Osorno do outro lado do lago. Em 2000 eu tinha passado 3 ou 4 dias de tanta chuva na cidade que era impossível ver o vulcão!

Movimento na avenida à beira do lago

A cidade estava bem cheia – em parte, acredito, por causa do próprio cruzeiro. Uma escala de cruzeiro sempre mexe com a rotina das cidades menores e mais turísticas do roteiro…

Ainda Puerto Varas

Como a cidade estava tão movimentada, achamos que seria mais agradável ir almoçar em Frutillar, e para lá seguimos. De Puerto Montt a Puerto Varas são 20 km, e dali a Frutillar, mais 20.

Outra imagem do vulcão!

Frutillar também está à margem do Lago Llanquihue.

Ilhazinha...

Igreja em Frutillar

É uma pequena cidade de colonização alemã, o que transparece na arquitetura e na gastronomia.

Restaurante Colonos del Lago

Mas nós escolhemos uma comidinha bem chilena mesmo – um belo congrio que me deixou saudades… ;-)

Congrio a la plancha con papas fritas

O restaurante era muito agradável – com um ambiente interno e outro externo:

Mesinhas do lado de fora...

... ou do lado de dentro

No meio da tarde pegamos o carro e voltamos para Puerto Montt. Mais um dia de navegação e então faríamos o desembarque final em Valparaiso. Foram 2 semanas de cruzeiro e eu teria de bom grado feito tudo de novo, na direção inversa… ;-)

Navegamos por 2 dias consecutivos, sem nenhuma novidade na paisagem externa a não ser uma curiosidade – vimos os destroços de um naufrágio…

A única atração externa em 2 dias...

Finalmente chegamos então a Puerto Chacabuco.

Bem-vindos a Puerto Chacabuco!

Essa escala era a mais misteriosa para mim. Nunca tinha ouvido falar nesse lugar, e não foi muito fácil descobrir informações na Internet…

O Norwegian Sun ancorado em Puerto Chacabuco

Puerto Chacabuco e sua vizinha Puerto Aysén são as portas de entrada de uma das regiões mais bucólicas e menos visitadas da Patagônia – a Patagônia Aysén. A cidade “grande” mais próxima é Coyhaique, que fica a quase 80 km de distância.

As ruas tranqüilas de Puerto Chacabuco

Desembarcamos e demos uma volta a pé pela cidade. As conclusões  a que chegamos em poucos minutos de passeio foram que:

1. As paisagens são belíssimas!

2. Não há nada pra fazer além de admirar as tais paisagens belíssimas… ;-)

Paisagem belíssima com picos nevados

Paisagem belíssima com mata

Paisagem belíssima com barquinho... ;-)

Ao fim do passeio chegamos ao Mirador Chacabuco, em frente ao Hotel Loberías del Sur, que me pareceu ser o único da cidade…

Hotel Loberías del Sur

Como já tínhamos passado 2 dias navegando, e a perspectiva de um dia em terra firme não poderia ser frustrada por falta de passeios, decidimos tomar um ônibus até Puerto Aysén, a apenas 15 km de distância.

Paisagem belíssima no caminho para Puerto Aysén

Puerto Aysén é uma cidade um pouco “menos pequena” do que Chacabuco. Tem uma Plaza de Armas bem bonita:

Plaza de Armas de Puerto Aysén

E tem também agências que oferecem passeios que devem ser bem interessantes para os que curtem esses roteiros de ecoturismo – trilhas, cavalgadas e afins. Não é a minha praia – mas, dada a oferta de paisagens belíssimas ( ;-) ), deve ser uma opção super bacana para os que gostam desse tipo de passeio.

Deixando Puerto Chacabuco

No início da tarde partimos novamente.

Paisagem belíssima com céu azul...

Só pra não perder o costume, navegamos por uma sucessão de  paisagens inacreditáveis. Fazia um frio enlouquecedor, mas o dia estava lindo -  nuvens  branquinhas, uns rasgos de céu azul e sol. Não vou nem tentar descrever as imagens, nem me arrisco a legendar as fotos – melhor deixar que a beleza da região dos fiordes chilenos fale por si só…

Ao fim do dia ainda fomos brindados com um entardecer de cores  suavemente maravilhosas…

Continuamos margeando a costa ao longo da noite, com destino à próxima escala: Puerto Montt.

Bem-vindos a Punta Arenas!

Oito dias após o embarque em Buenos Aires, finalmente chegamos ao Chile – mais especificamente, à mais austral das cidades chilenas, Punta Arenas.

Ancoramos no Chile - literalmente!

O Norwegian Sun ancorou no Estreito de Magalhães de manhã cedo, para uma permanência de 12 horas, a maior de todo o percurso. Não sei o motivo exato dessa permanência tão longa, mas cheguei a achar engraçado que algumas das excursões oferecidas no navio chegavam a prever vôos para o Parque Nacional Torres del Paine ou até mesmo para a Antártida!!! Surreal… ;-)

O Norwegian Sun no Estreito de Magalhães - que de estreito não tem nada...

O Estreito de Magalhães me surpreendeu… Pra começar, eu esperava que ele realmente fosse estreito – que nada, como nos enganamos com os mapas! E senti o navio balançar muito mais navegando por ali do que em pleno Atlântico Sul, a caminho das Malvinas ou do Cabo Horn!

Punta Arenas vista do Estreito de Magalhães

Punta Arenas é uma cidade bem grandinha, e me pareceu um pouco menos convidativa às caminhadas do que Ushuaia. Além disso,  a Avenida Bernardo O’Higgins, que margeia o Estreito de Magalhães,  e onde se concentram os melhores bares e restaurantes, com vista para o estreito,  estava em obras… Somei o fato de que era uma manhã de 2a.f.  e o trânsito não estava lá essas coisas e, pronto, criei uma certa antipatia…

Trânsito de 2a.f., com vista para o estreito...

Tive mais uma frustração em Punta Arenas… Eu queria aproveitar que não tinha visto os pingüins na Península Valdés e visitar uma pingüinera. Nada feito… Nós tínhamos 12 horas de escala na cidade, então não nos preocupamos em tomar café da manhã correndo ou desembarcar depressa… Grande erro!!! As saídas dos passeios são sempre pela manhã, e não chegamos a tempo… :(

Construções históricas na Plaza Muñoz Garnero

Por outro lado, não indo à pingüinera descobrimos que Punta Arenas tem palacetes históricos lindíssimos bem no centro da cidade, no entorno da Plaza Muñoz Garnero – e acabamos mudando o foco do passeio, de pingüins para palácios… ;-)

O Palacio Sara Braun

Um clichê: a igreja em frente à praça...

Demos até um alô para Fernão de Magalhães, ou Hernando de Magallanes,  como é conhecido por lá:

Homenagem à Fernão de Magalhães, descobridor do estreito

Hernando de Magallanes, não - ele era português!!!

Para mim, o ponto alto da visita foi a visita ao Museo Regional de Magallanes:

Museo Regional de Magallanes

O museu é pequeno, fica em um palácio completamente restaurado, e conta a história do descobrimento e da colonização da Patagônia.  Não faltam fotos, mapas da época, histórias de conflitos, enfim, imperdível para quem curte História… ;-)

Por fim, na falta de um almoço delicioso em um restaurante com vista para o estreito – e sem vontade de almoçar com vista para um canteiro de obras… – voltamos para o navio para encarar 2 dias de navegação antes do próximo porto…

Chegando a Ushuaia

Chegamos a Ushuaia bem cedo. Estava previsto que ficaríamos na cidade apenas durante a manhã, porque à tarde faríamos o passeio pelo Canal de Beagle para observar os glaciares no próprio navio. Nosso tempo, como de costume, era restrito – e isso implicava fazer escolhas, claro…

O Norwegian Sun no fim do mundo

A primeira escolha que fizemos foi abrir mão de tudo o que demandasse muito tempo – então, nada de trilhas no Parque Nacional ou atividades semelhantes. No dia em que eu voltar a Ushuaia (sim, essa é uma das cidades do roteiro onde tenho vontade de voltar!), aí eu vou considerar a possibilidade de fazer um passeio no Parque Nacional… ;-)

Longe de casa...

Também descartamos logo de início os passeios com um jeitão muito “turístico”, como o Tren del Fin del Mundo. Se eu tinha apenas uma manhã em Ushuaia, não pretendia usá-la para cumprir nenhum tipo de obrigação turística. Afinal, não faz sentido ir tão longe de casa pra ficar cumprindo tarefas! ;-)

Movimento na Avenida San Martin

Nossa opção foi a mais simples de todas: flanar!!! :D Resolvemos andar pela cidade a esmo e criar a nossa própria impressão inicial. Foi ótimo: caminhamos pela Avenida San Martin, espiamos as vitrines, paramos em um café para espantar o frio com um chocolate quente…

Ainda na Avenida San Martin

Para os que gostam de umas comprinhas, ainda fica a dica: Ushuaia é uma zona franca… ;-)

Voltando ao porto...

Ao fim do passeio, voltamos para o navio para almoçar com tranqüilidade. Depois do almoço, seguimos para um dos decks superiores, de onde me pareceu que a visão dos glaciares seria mais privilegiada.

Até a próxima, Ushuaia! ;-)

A vista era linda mesmo – mas o clima não ajudou muito o nosso “passeio pela Europa”, ou seja, pela Avenida das Geleiras… Cada um dos glaciares ao longo desse trecho do Canal de Beagle foi nomeado em homenagem a um país europeu – fica a idéia para um giro europeu temático… :lol: Como choveu ao longo de todo o passeio, todas as fotos acabaram ficando com esse mesmo tom de cinza…

Holanda

Itália

Itália com zoom...

França

Portugal

Alemanha

Romanche

Espanha

Para ler um pouco mais sobre a Avenida das Geleiras, e ver lindas fotos feitas em um dia de sol, vale dar uma passadinha aqui:

A volta: de Punta Arenas a Ushuaia, no Viaje na Viagem

Para ler tudo sobre Ushuaia, também no VnV, basta clicar aqui.

E quem se empolgar e quiser saber mais sobre a Patagônia Argentina, com ou sem cruzeiro, pode seguir este caminho aqui.