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Mon 20 Dec 2010

Nosso roteiro - clique para ver a imagem maior!
Até que nós começamos a planejar a viagem em escala bem modesta. A princípio, pensamos em apenas emendar o recesso de Natal e Ano Novo com 1 mês de férias, o que nos daria entre 35 e 40 dias de viagem. Depois, percebemos que havia a possibilidade de estender as férias, emendar com licenças e somamos 77 dias. Fiquei morrendo de pena de não chegar aos 80 dias de Jules Verne…
O mapinha aí em cima não mostra a nossa viagem completa, apenas o itinerário do bilhete RTW. Tivemos que incluir as outras paradas por nossa conta, em vôos low cost, já que as regras e restrições do bilhete impediram a inclusão de vários lugares onde gostaríamos de ir.
Aqui vai então o nosso roteiro, com datas, vôos e links para os nossos hotéis. Viajem com a gente – vai ser super bacana ter companhia!!!
DEZEMBRO
25 – Vôo TAP Rio / Lisboa;
26 – Lisboa – Hotel Ibis Liberdade;
27 – Lisboa;
28 – Lisboa;
29 – Ida de carro de Lisboa para o Porto, com paradas ao longo do caminho – Hotel Mercure Porto Centro;
30 – Porto;
31 – Porto;
JANEIRO
01 – Vôo TAP Porto / Milão + Ida de trem para Gênova – Hotel AC Genova;
02 – Gênova;
03 – Gênova; Volta para Milão de trem no fim da tarde – Hotel Carlyle Brera;
04 – Milão; Vôo Lufthansa Milão / Cingapura (conexão em Frankfurt);
05 – Cingapura – Hotel Marina Mandarin;
06 – Cingapura;
07 – Vôo Air Asia Cingapura / Kuala Lumpur – Piccolo Hotel;
08 – Kuala Lumpur;
09 – Vôo Air Asia Kuala Lumpur / Siem Reap – Somadevi Angkor Hotel & Spa;
10 – Siem Reap;
11 – Vôo Jet Star Siem Reap / Cingapura – Changi Village Hotel Peninsula Excelsior Hotel;
12 – Vôo Singapore Cingapura / Bali; Ubud: Hotel Tjampuhan Spa;
13 – Ubud;
14 – Ubud;
15 – Ida para Sanur – Hotel Griya Santrian;
16 – Sanur;
17 – Sanur;
18 – Sanur;
19 – Ida para Nusa Dua – Hotel Meliá Bali;
20 – Nusa Dua;
21 – Nusa Dua;
22 – Vôo Thai Bali / Bangkok – Baiyoke Sky Hotel;
23 – Bangkok;
24 – Bangkok;
25 – Vôo Bangkok Airways Bangkok / Chiang Mai – Ping Nakara Boutique Hotel & Spa;
26 – Chiang Mai;
27 – Vôo Air Asia Chiang Mai / Phuket – Renaissance Phuket Resort & Spa;
28 – Phuket;
29 – Phuket;
30 – Ferry Phuket / Koh Phi Phi – Phi Phi The Beach Resort;
31 – Koh Phi Phi;
FEVEREIRO
01 – Ferry Koh Phi Phi / Phuket – The Nap Patong;
02 – Vôo Bangkok Airways Phuket / Koh Samui – Villa Tanamera;
03 – Koh Samui;
04 – Koh Samui;
05 – Vôo Bangkok Airways Koh Samui / Bangkok – Bangkok Marriott Resort & Spa;
06 – Bangkok;
07 – Vôo Thai Bangkok / Hanoi – Hanoi Old Centre Hotel Hanoi Royal View Hotel;
08 – Vôo Vietnam Airlines Hanoi / Hue – Pilgrimage Village Hotel;
09 – Hue;
10 – Vôo Vietnam Airlines Hue / Hanoi – Hanoi Royal View Hotel Sheraton Hanoi Hotel;
11 – Hanoi;
12 – Hanoi;
13 – Ida para a Baía de Halong – Cruzeiro Indochina Sails;
14 – Baía de Halong;
15 – Vôo Asiana Hanoi / Tóquio (conexão em Seul);
16 – Tóquio – Grand Prince New Takanawa Hotel;
17 – Tóquio;
18 – Tóquio; À noite: vôo ANA Tóquio / Honolulu; aqui cruzamos a linha internacional de data, e ganhamos um dia – chegamos a Honolulu na manhã desse mesmo dia, então vamos viver o dia 18/02 duas vezes…
18 – Honolulu – Sheraton Princess Kaiulani;
19 – Cruzeiro NCL Pride of America;
20 – Cruzeiro: Maui;
21 – Cruzeiro: Maui;
22 – Cruzeiro: Big Island;
23 – Cruzeiro: Big Island;
24 – Cruzeiro: Kauai;
25 – Cruzeiro: Kauai;
26 – Honolulu – Hilton Hawaiian Village;
27 – Honolulu;
28 – Vôo United Honolulu / San Francisco – ficaremos hospedados na casa de amigos, ou seja, no melhor hotel da viagem…
MARÇO
01 – San Francisco;
02 – San Francisco;
03 – Vôo San Francisco / Orlando – Quality Inn & Suites near Florida Mall;
04 – Orlando;
05 – Orlando;
06 – Orlando;
07 – Orlando;
08 – Vôo Continental Orlando / Miami – The Ocean Reef Suites;
09 – Miami;
10 – Miami;
11 – Vôo TAM Miami / Rio de Janeiro – e chegamos em casa…
Vamos nos divertir muito, mas vamos também sentir saudades das nossas famílias e dos nossos amigos – viajem com a gente, Ok?
Atualização em 29/04/2011: Ao longo da viagem, achamos por bem trocar as reservas de alguns hotéis – esses aparecem riscados no planejamento inicial, e substituídos pelos links dos hotéis onde efetivamente nos hospedamos.
Fri 17 Sep 2010
No terceiro dia após o embarque no cruzeiro, chegamos a nossa primeira escala em terras patagônicas: Puerto Madryn. A cidade é nada mais nada menos do que a porta de entrada para uma das atrações mais visitadas por amantes da natureza – a Península Valdés. Confesso que esse era um destino que nunca tinha feito parte dos meus planos. Isso nem é difícil de compreender, já que eu sou uma pessoa super urbana, e destinos de ecoturismo praticamente só caem na minha agenda por acidente. Pois foi justo esse o caso…

- Puerto Madryn, ante-sala da Península Valdés
O itinerário do cruzeiro previa que o tempo de escala em Puerto Madryn seria das 09:00 às 18:00h – contando desembarcar às 10:00 e retornar às 17:00h, teríamos 7 horas inteiras para aproveitar Puerto Madryn como bem entendêssemos. A questão era: “Aproveitar Puerto Madryn?!?” Nada contra a cidade, que é até bastante simpática – mas não tem maiores atrativos turísticos, e vive muito em função do turismo ecológico tanto na Península Valdés quanto na pingüinera de Punta Tombo.

- O Norwegian Sun ancorado em Puerto Madryn
Nem tive que pensar muito para perceber que a escala seria desperdiçada se não tivéssemos ao menos um gostinho do turismo ecológico da região, e comecei a pesquisar o melhor jeito de irmos até a Península. Claro, havia excursões organizadas no navio – mas a um custo médio de US$ 100 por pessoa! Certamente conseguiríamos fazer algo mais interessante e mais barato por conta própria. Depois de consultar algumas agências de turismo receptivo de Puerto Madryn, acabamos decidindo alugar um carro e fazer o passeio sozinhos.

Fonte: http://www.argentour.com/pt/parque_nacional/avistagem_de_baleias.php

- Bem-vindos a Puerto Pirámides!
De Puerto Madryn até Puerto Pirámides, a única cidade da Península Valdés, são pouco mais de 90 km de estrada asfaltada. Uma vez lá, os outros caminhos são em estrada de chão – me pareceu um tipo de cascalho, ou ripio, como se diz por lá. Essa particularidade faz com que o trajeto de cerca de 70 km entre Puerto Pirámides e a Caleta Valdés, a paisagem que mais me atraía a curiosidade na Península, leve mais ou menos 2 horas de viagem.

- A praia de Puerto Pirámides
Como eu já disse, para aproveitar uma escala de cruzeiro sem stress é preciso fazer escolhas – e a minha escolha foi esquecer a existência de toda a Península Valdés que não estivesse nos arredores de Puerto Pirámides. Claro, acabei criando uma vontade louca de voltar para visitar esses lugares, mas tudo bem…

- Puerto Pirámides vista da praia
Assim que desembarcamos, fomos direto buscar o carro que eu tinha reservado na Budget. Qual não foi a minha surpresa ao ver que a Budget não tem loja própria na cidade, apenas um espaço dentro de uma agência de turismo! Pior: a nossa reserva não tinha sido enviada para a funcionária, que não tinha um carro à nossa espera! Ainda bem que eu tinha o comprovante da reserva impresso, mas ela ainda demorou uma meia hora para providenciar o nosso carro… Mau começo para quem ainda pretendia viajar 90 km antes de chegar ao destino do dia, e com hora marcada para voltar! Outro ponto negativo, mas que muitas locadoras seguem, foi que ela nos entregou o carro praticamente apenas com o cheiro da gasolina – e eu odeio esse stress de ter que procurar um posto para abastecer no início do passeio, quando não se conhece a cidade e em risco constante de que o carro simplesmente fique sem combustível!!! As locadoras que observam essa prática sempre caem váaaaaaaarios pontos no meu conceito, e eu faço propaganda negativa mesmo.

- O centrinho de Puerto Pirámides
A ida até Puerto Pirámides foi super tranqüila, e em cerca de 1 hora chegamos lá. Para entrar na Península Valdés, que é uma área de preservação ambiental, paga-se uma taxa de Ar$ 45 por pessoa e Ar$ 5 pelo carro.

- Um deck no canto da praia
Uma vez na cidade, estacionamos o carro no centrinho e fomos passear a pé. Seguimos até a praia, andamos pelas pedras, admiramos a paisagem… O lugar é lindíssimo, e bem tranqüilo. Deu vontade de voltar em outra ocasião, e me hospedar em Puerto Pirámides mesmo, para aproveitar com menos cansaço as outras áreas da Península. Afinal, mesmo quem se hospeda em Puerto Pirámides ainda viaja no mínimo 2 horas para ir e 2 para voltar de outros pontos da Península. Me pareceu uma grande roubada se hospedar em Puerto Madryn, por conta da distância.

- A caminho da lobería
De volta do passeio, fizemos um bom lanche no centrinho da cidade e pegamos o carro para seguir até a lobería de Punta Pirámides, a cerca de 10 km da cidade, já na direção de volta.

- Lobería Punta Pirámides
A época em que visitamos a Península não é das mais adequadas – já não há baleias e ainda não há pingüins (ou seria o contrário?!?)
Mas os lobos marinhos estão sempre por lá…

- Os preguiçosos habitantes da lobería…

- Cartão de visitas…
Além de observar os bichinhos, ainda ficamos impressionados com a paisagem – tudo é lindo, desde a cor do mar ao contraste com as pedras, a secura do deserto se encontrando com o mar… Amei!

- Paisagem imperdível…
Quando estava programando essa escala da viagem, consultei muito o blog do Tony, De Viaje a la Patagónia. Ele não só faz os relatos das viagens, mas dá muitas dicas práticas de transporte, hospedagem, alimentação – em suma, é imperdível para quem quer que esteja planejando algumas horas ou alguns dias na região.

- … que vale a viagem!
Pouco antes das 16:00h já estávamos de volta a Puerto Madryn. Ainda tivemos tempo de dar uma voltinha no shopping antes de embarcar novamente no navio! E me deu uma tristeza enorme perceber que várias pessoas que estavam a bordo conosco passaram o dia perambulando por ali – talvez mesmo por não saber que seria possível fazer um passeio tão interessante nos arredores…
Tue 14 Sep 2010
Não, eu nunca fiz uma escala de cruzeiro em Punta, nem pretendo ser expert no assunto… Mas, tendo ido à cidade em duas ocasiões, e em épocas do ano diferentes, posso compartilhar algumas impressões que talvez ajudem quem está procurando decidir o que fazer no pouco tempo disponível na cidade.

Vista do porto
O primeiro ponto que é necessário ter em mente quando se visita uma cidade em uma escala de cruzeiro é que, não, esse tempo NUNCA vai ser suficiente para se conhecer o lugar. Uma escala de cruzeiro, para ser bem aproveitada, deve ser vista como um aperitivo ao invés da refeição completa, ou como um trailer de cinema no lugar do filme. Uma vez que essa idéia seja realmente absorvida, pode-se aproveitar a escala sem maiores dramas…

A ponte de "corcovas"
Observando as escalas em Punta de duas grandes companhias que operam cruzeiros no Brasil, a MSC e a Costa Cruzeiros, dá pra notar que o tempo em terra é bastante limitado. Por exemplo, no cruzeiro do MSC Opera que parte de Santos no dia 19/12/2010, o tempo previsto em Punta vai apenas das 13:00 às 19:00h. Considerando que até o desembarque mais uma hora pode ser perdida e que é preciso retornar ao navio com cerca de uma hora de antecedência, o tempo em terra é facilmente abreviado para 4 horas apenas. Já o itinerário do Costa Victoria, que parte do Rio de Janeiro no dia 26/12/2010, prevê a chegada em Punta para as 13:00 e a partida para as 20:00h, ou seja, oferece apenas uma horinha a mais em terra.

Cores do pôr-do-sol em Punta
Claro, a solução mais prática que vem à mente de imediato é “vou contratar um city-tour, assim vejo a cidade toda dentro do tempo disponível e não corro o risco de perder o navio”. Sim, é fato. E, para quem está interessado em ver o máximo possível no pouco tempo oferecido, realmente não vejo solução mais apropriada.

A torre do L'Auberge
Mas, para quem tem aquela velha alergia aos city-tours, como essa aqui que vos fala, qual seria a solução?
O primeiro passo é saber que será preciso fazer várias escolhas…
*Minhas sugestões*:
Eu descartaria de imediato uma ida à praia. Tudo bem, no meu caso pode ser fácil falar, porque moro em uma cidade praiana, e tenho a praia à minha disposição o ano todo… Mas, considerando que as praias mais badaladas de Punta estão distantes do porto, em La Barra, boa parte do tempo disponível se perderia no deslocamento – além disso, quer coisa mais chata do que ficar na praia prestando atenção no relógio, com medo de perder o navio? Não, a praia definitivamente não é uma boa idéia…
Por outro lado, também não adianta se concentrar no pôr-do-sol, porque no verão o sol se põe bem tarde, e todos já estarão a bordo do navio. Além disso, não seria nada sensato estar longe do porto perto da hora de reembarcar, porque nunca se sabe como estará o caminho de volta, e não é folclore que o navio não espera os retardatários – não espera MESMO!!!

A praia de José Ignacio
A idéia, então, seria curtir o que Punta tem de mais característico sem se distanciar muito do porto. Algumas possibilidades de roteiro me vêm à cabeça – mas elas são excludentes, é IMPOSSÍVEL fazer tudo isso em algumas poucas horas…

Uma obra de arte em si...
Plano A:
Para quem tem a imagem de Punta associada às curvas brancas do Casapueblo, uma idéia seria almoçar no navio mesmo antes de desembarcar , tomar um táxi e rumar direto para Punta Ballena. O trajeto de ida e volta consumiria uns 40 minutos – restringindo a visita ao museu a pouco menos de 1 hora, ainda sobrariam 2 horas e meia para passear pela Península com calma.
Plano B:
Quem não fizer questão de sair da Península pode aproveitar um pouco da gastronomia local sem que esse tempo faça falta. A minha sugestão seria um almoço no El Secreto ou no Virazón, bem em frente ao porto. Vale, claro, experimentar um bom clericot! Depois do almoço, ainda daria tempo para passear pela Avenida Gorlero e adjacências, dar uma espiada nas vitrines, e até entrar no Conrad para tentar a sorte…
Plano C:
Para quem busca uma Punta mais tranqüila, uma idéia seria também almoçar no navio antes do desembarque, deixando ainda uma fominha para experimentar os waffles do L’Auberge. O plano seria tomar um táxi direto para lá, comer a sobremesa e voltar para passear um pouco na Península. O trajeto de ida e volta do porto ao L’Auberge não vai tomar mais do que 30 minutos, o que ainda deixa bastante tempo disponível para aproveitar…

Essas são apenas algumas dentre as muitas sugestões possíveis. Seja qual for a opção, a minha dica é: não sofra pelo que não deu pra fazer, aproveite a sua escolha, e faça planos para voltar depois com calma, para ficar uns dias!
Sun 14 Mar 2010
Este post não tem um bom título. (Pronto, ela já começou a contar as coisas de forma esquisita!
)
Alguém que leia “Viagem à Patagônia” poderia pressupor algo como “Viagem a Paris”, “Viagem a Nova York” , mas não é bem assim… A idéia embutida na expressão “Viagem à Patagônia” assemelha-se muito mais à idéia que existe em “Viagem à Europa”. Explico: se alguém me conta que foi a Paris, por mais que eu não saiba que atrações turísticas ele visitou, ou em qual bairro se hospedou, ao menos eu sei em que cidade ele estava; já se ele me diz que viajou à Europa, ele poderia estar em qualquer lugar entre Moscou e Lisboa, entre Istambul e Amsterdam, em um sem-número de microcidades espalhadas pelo continente. Na Patagônia também é assim: não sei a princípio nem mesmo se a pessoa foi ao Chile, à Argentina ou aos dois. Então, se faço um passeio pelos Lagos Andinos, essa é uma viagem à Patagônia; se faço trekking no Torres del Paine, essa também é uma viagem à Patagônia; se vou esquiar em Ushuaia ou avistar baleias na Península Valdés, idem…
Um bom título para o post teria que trazer a idéia de que essa seria “uma entre milhares de viagens possíveis à Patagônia” – não existe apenas uma viagem ou um roteiro pela Patagônia, tudo depende de uma quantidade enorme de escolhas que se faz.
No meu caso, a Patagônia em si nunca foi um desejo urgente (embora eu seja daquelas pessoas que não recusa viagem nenhuma por livre e espontânea vontade)… Na realidade, eu já tinha ido ao norte da Patagônia em 2000, quando fui até os Lagos Andinos e Bariloche… Eu não caio de amores pelos destinos ecológicos – sou bastante urbana, e preciso salpicar as minhas incursões por ilhas, praias, vilas e cidadezinhas com algumas doses de urbanidade, pra não surtar de vez. Além disso, eu tenho que tomar cuidado com qualquer esforço físico mais puxado, por conta da minha “belíssima” coluna – assim, trilhas e afins só mesmo de nível muito leve, pra não cutucar a onça… Apesar (ou talvez por causa) dessas ressalvas, havia uma forma de ir à Patagônia que estava na minha top list há muito mais tempo do que eu sou capaz de precisar: um cruzeiro de 15 dias, partindo de Buenos Aires e chegando em Valparaiso.
Há várias companhias que fazem esse roteiro pela Patagônia, com pequenas variações – em alguns anos já houve, inclusive, roteiros bastante longos, de cerca de 20 dias, com saídas do Rio de Janeiro ou Santos, ao invés da saída mais comum, Buenos Aires. Para mim, alguns pontos eram fundamentais:
1) Embarcar em Buenos Aires e desembarcar em Valparaiso, ou vice-versa; não queria um roteiro circular, que seria fatalmente mais curto e menos variado;

Roteiro de Buenos Aires a Valparaiso
2) Aportar, por uma manhã que fosse, nas Ilhas Malvinas;

O tempo é imprevisível nas Malvinas...
3) Navegar pela região do Cabo Horn.

Um dia calmo no Cabo Horn
De resto, as outras paradas do cruzeiro me eram meio indiferentes. Eu queria ter uma visão panorâmica de paisagens geladas, mas sabia que, caso me apaixonasse por algum lugar, teria que planejar uma nova viagem para visitá-lo comme il faut. O roteiro escolhido foi o do navio Norwegian Sun, da Norwegian Cruise Line, de 14 noites, com saída de Buenos Aires e chegada a Valparaiso e paradas em Montevidéu, Puerto Madryn, Port Stanley, Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Chacabuco e Puerto Montt.

O Norwegian Sun
Cheguei a Bs.As. dois dias antes do embarque e prolonguei as férias por mais uma semana após o desembarque, o que resultou no seguinte roteiro:
Dia 1, 29/01 – Ida para Buenos Aires;
Dia 2, 30/01 – Buenos Aires; ida ao Tigre;
Dia 3, 31/01 – Embarque no Norwegian Sun;
Dia 4, 01/02 – Montevidéu;
Dia 05, 02/02 – Navegando;
Dia 06, 03/02 – Puerto Madryn;
Dia 07, 04/02 – Navegando;
Dia 08, 05/02 – Port Stanley;
Dia 09, 06/02 – Navegando; Cabo Horn;
Dia 10, 07/02 – Ushuaia; Canal de Beagle;
Dia 11, 08/02 – Punta Arenas;
Dia 12, 09/02 – Navegando; Estreito de Magalhães;
Dia 13, 10/02 – Navegando;
Dia 14, 11/02 – Puerto Chacabuco;
Dia 15, 12/02 – Puerto Montt;
Dia 16, 13/02 – Navegando;
Dia 17, 14/02 – Desembarque em Valparaiso; Viagem de ônibus para Santiago;
Dia 18, 15/02 – Santiago;
Dia 19, 16/02 – Vôo para Mendoza;
Dia 20, 17/02 – Mendoza;
Dia 21, 18/02 – Vôo para Buenos Aires;
Dia 22, 19/02 – Buenos Aires; Volta para casa.

Plaza Baquedano, Santiago

Bodega Familia Zuccardi, Mendoza
No próximo post vou destrinchar direitinho o orçamento dessa viagem, uma das melhores relações custo-benefício que eu já consegui…
Mon 8 Mar 2010
Posted by Carla under Peru
[54] Comments
Não foi uma tarefa simples montar um roteiro pelo Peru, como poderia parecer à primeira vista. Os anúncios de pacotes turísticos nos jornais costumam oferecer o Peru em 6 dias – com Lima, Cuzco e Machu Picchu – mas eu queria fazer ao menos um pouquinho mais do que esse circuito básico.
De certa forma, o ápice da viagem seria Machu Picchu, sim, como acredito que aconteça com 90 ou 95% dos turistas que vão ao Peru. Mas alguns anos antes eu tinha visto um episódio do Lonely Planet na TV a cabo (quando ainda ia ao ar com o nome “Planeta Solitário”, e não “Mochileiros”, como hoje em dia – faz tempo!
) e tinha ficado cismada com o Lago Titicaca, e com uma viagem um pouco mais extensa pelo Peru.
Para encaixar Lima, Cuzco, Machu Picchu e o Titicaca em 2 semanas de férias, acabei deixando de lado outras cidades peruanas e incluindo um pouquinho da Bolívia. Foi uma questão logístico-geográfica apenas, que me poupou alguns neurônios na hora de fazer o roteiro funcionar.
Entretanto, assim como eu concluí quando fiz o balanço geral do roteiro da Bolívia, é possível também voltar ao Peru inúmeras vezes, e fazer várias viagens diferentes, em roteiros que podem variar de 1 semana a 1 mês sem monotonia.
O esquema que eu escolhi na época ainda me parece bastante acertado: chegamos a Puno de ônibus a partir de Copacabana, na Bolívia. De lá voamos a Cuzco (pelo aeroporto de Juliaca, o mais próximo de Puno, a 45 minutos de distância). Fizemos um bate-e-volta a Machu Picchu – que foi aperfeiçoado por quem foi depois de mim (Arthur? Camila? Wanessa? Lu? Não me lembro quem pôs a idéia em prática primeiro…
), com a partida para Aguas Calientes no fim do dia, o pernoite em um hotel local e a visita a Machu Picchu logo de manhã cedo. Ficamos em Cuzco 4 dias, que foram suficientes para curtir a cidade sem pressa. Em seguida, tomamos um vôo para Lima, uma cidade que me cativou muito mais do que eu esperava, e onde tenho muuuuuita vontade de voltar (quem sabe ainda este ano?)
A parte peruana do nosso périplo consumiu 10 dias, que comento em seguida:

1o. dia – Saímos de Copacabana de ônibus em direção a Puno. À noite demos uma volta pela cidade, que é pequena e tem poucos atrativos. Essa viagem foi parte do pacote que contratamos na Turisbus, de La Paz, um custo-benefício excelente: o ônibus era confortável, a viagem foi tranqüila, e não tivemos que usar nem um minuto do nosso tempo em Copacabana para descobrir como chegar a Puno…
2o. dia – Fizemos o passeio às Islas Flotantes de los Uros, contratado no próprio hotel. Mais uma vez, eu repetiria tudo igual: o passeio foi ótimo, o preço foi justo e, como tínhamos pouco tempo na cidade, valeu a pena não precisar ficar pesquisando agências locais…
3o. dia – Voamos para Cuzco pela manhã. Aqui o roteiro começou a apresentar uma falha… Esse dia era um domingo, mas, na hora em que chegamos já não dava mais tempo de visitar o Mercado Indígena de Pisac, que eu tinha bastante curiosidade de conhecer. O Mercado só funciona às 3as., 5as. e domingos. Na 3a. iríamos a Machu Picchu e na 5a. seguiríamos viagem para Lima.

4o. dia – City-tour em Cuzco. No geral, um excelente passeio. Minha única crítica se referia ao horário em que fiz o passeio, à tarde – ao chegar ao último sítio arqueológico, já está bem escuro… Mas soube depois pela Wanessa , do Cadernos de Viagem, que o city-tour só é oferecido à tarde, não há a possibilidade de fazê-lo pela manhã…
5o. dia – Machu Picchu. Se eu voltasse hoje, acho que a única coisa que faria diferente seria pernoitar em Aguas Calientes na véspera da ida a Machu Picchu, para chegar ao parque na hora de abertura e diminuir o cansaço de fazer a viagem de ida e volta no mesmo dia. De resto, um dia me pareceu suficiente para aproveitar, sim.

6o. dia – Valle Sagrado. Nem me sinto muito à vontade para comentar, porque abreviei a minha visita (minha coluna problemática deu mostras de cansaço, e fazia só 6 meses que eu tinha tido uma baita crise…). Fui apenas a Pisac, em um dia sem mercado, e a experiência foi bem diferente da que teve quem viu o mercado. Hoje eu trocaria a ordem desses passeios todos – faria primeiro um reconhecimento descompromissado de Cuzco e logo depois o city-tour, como fiz; depois iria ao Valle Sagrado, em dia de Mercado Indígena em Pisac, e ficaria em Ollantaytambo para tomar o trem para Aguas Calientes, como fez a Camila, do Viaggiando. (Foi esse mesmo o procedimento, Camila?)
7o. ao 10o. dias – Lima. Foi suficiente para o básico, mas eu ficaria mais. Lima dá conta, sozinha, de 1 semana de viagem, tantos são os pontos históricos, os museus e os restaurantes.

Foi um roteiro básico – valeu a pena, mas foi só uma amostra da riqueza desse país. O Peru é bem mais do que isso – e, quanto mais perto se chega, mais se descobre acerca de lugares que teriam valido a pena visitar… Alguns eu deixei de fora com dó, como Arequipa e o Cánion del Colca; outros nunca aguçaram realmente a minha curiosidade, como Nazca, mas eu não dispensaria a visita se tivesse a oportunidade; outros, ainda, eu nem sabia que existiam, como a viagem de trem de Lima a Huancayo, que o Ernesto e a Cibele fizeram…
Há muitas idéias de roteiros e uma vastidão de dicas salpicadas em diversos blogs de viagem. A forma mais rápida de chegar a eles é clicando no VnV, nesta página que reúne tudo o que existe lá sobre o Peru!