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Did you find what you wanted?
Sun 9 May 2010
O ser humano é mesmo contraditório – vive dizendo que nunca mais vai fazer determinada coisa mas, quando vê, pronto, já fez…
Não que isso seja de todo ruim – afinal, muitas vezes uma decisão tomada no calor do momento não deveria mesmo ser levada ao pé da letra!
No inverno de 2008 eu tive a experiência mais apaixonante que poderia imaginar em termos de tango em Buenos Aires: passei uma noite no Bar Sur. Fiquei tão encantada com a atmosfera mágica do lugar que escrevi no post que não queria mais freqüentar outro lugar… De certa forma, isso continua valendo: o Bar Sur é imbatível pra mim, ainda não caiu do primeiro lugar no meu “ranking tangueiro”. Mas a questão é que nem todas as pessoas estão interessadas em um espetáculo interativo – e, diga-se de passagem, o Bar Sur é mais interativo do que espetáculo…
A produção é bastante modesta, o bar em si é bem acanhado, e nem todo mundo acha divertido deixar de ser platéia para virar dançarino ao longo do show…
O tempo em Buenos Aires dessa vez era bem curto – uma tarde no dia da chegada, um dia inteiro e a manhã do dia do embarque no cruzeiro. Mas meus pais, que não iam à cidade desde o início de 2007 (não estou contando a viagem com o Jonas, porque não fizemos programas de adultos…), tinham vontade de ir assistir a um tango. Sondei um pouco e logo vi que não iam curtir o Bar Sur… Nem tentei convencer, e fui logo procurando alternativas mais apropriadas. (Aliás, eu continuo me devendo até hoje experimentar o tango no Café Tortoni – achei que seria dessa vez, mas ainda não vingou…)
A questão é que eu tinha lido / ouvido elogios ao Esquina Carlos Gardel, vindos de pessoas em cujo gosto eu confio (obrigada, Tatiana!)
E resolvemos ir experimentar.

O Esquina está situado no bairro de Abasto, bem em frente ao Abasto Shopping. A casa é linda, e muito bem localizada – é fácil chegar por conta própria, de táxi ou de metrô (linha B). Mas, como fizemos nossa reserva pela recepção do hotel, aproveitamos e pedimos o transporte gratuito oferecido – prático e confortável, mas nem tão rápido, já que acabamos fazendo um tour por vários hotéis para buscar outras pessoas…

Como de costume, eu reservei o show sem jantar. Em janeiro, pagamos Ar$ 245 por pessoa, ou cerca de R$ 125. Acabo de verificar no site que o preço já subiu para Ar$ 295 – a inflação argentina está mesmo à solta… (O show com jantar, que custava Ar$ 350, já bateu nos Ar$ 420…)
Dessa vez, entretanto, acho que não foi uma boa decisão dispensar o jantar… Nem tanto pelo jantar em si, já que eu nunca boto muita fé que esses jantares serão memoráveis, mas porque os espectadores que dispensam o jantar ficam acomodados no bar – e eu achei não apenas desconfortável como também mal situado, muito longe do palco…
Ou seja, o jantar se transforma, de certo modo, em um passe para uma boa localização…

Quanto ao show em si, foi literalmente um espetáculo!!! Apesar da distância, eu grudei os olhos no palco, de tão hipnotizada…
E amei a idéia de plantar a orquestra na parte de cima do palco, bem à vista dos espectadores, ao invés de naquele fosso abaixo do palco, como é de praxe na maioria dos teatros…

Saldo da noite? Super positivo! Bons cantores, ótimos dançarinos, tangos conhecidos, uma orquestra excelente. Ah, sim, e vinho à vontade (hic!), não apenas uma tacinha de cortesia…
Fica apenas a dica: no Esquina Carlos Gardel, investir no jantar é quase sinônimo de conseguir um lugar melhor para assistir ao show…
Sun 14 Sep 2008
Ano passado, quando tinha acabado de voltar do périplo pelo Uruguai, com direito a uma esticada em Buenos Aires, eu fiz um apanhado geral das minhas experiências com shows de tango – entre hollywoodianos, tradicionais, inovadores e teatrais, eu achava que tinha provado de tudo um pouco…
Esse ano descobri que estava redondamente enganada… É verdade que eu tinha provado várias pitadas de tango, e que sempre procurava locais que fossem bem diferentes uns dos outros, para não ter aquela impressão de estar vendo coisas repetidas. Nunca tive a pretensão da “autenticidade” – êta palavrinha perigosa! A mim sempre bastou um espetáculo de bom gosto, artístico e bem produzido. Mas foi só quando conheci o Bar Sur que eu descobri o quanto um “show” de tango pode ser intimista, poderoso e absolutamente divertido, tudo ao mesmo tempo. Eu disse “show”? Não, o Bar Sur é uma festa!!!
A dica não é minha, nem é nova. Quem eu ouvi falar no Bar Sur pela primeira vez foi o Riq, desde os primórdios do Viaje na Viagem. Sempre que alguém perguntava onde ir ver tango em Buenos Aires, ele disparava: “Bar Sur!”

Uma janela do Bar Sur (fonte)
O Bar Sur é a casa de tango mais antiga de Buenos Aires. Fica em San Telmo, na esquina da Balcarce com a Estados Unidos, um recanto muito pitoresco que nos transporta imediatamente ao passado. Mas quem vai ao Bar Sur esperando assistir a mais um show de tango se surpreende, porque nada lá lembra os shows que se pode ver em outras casas… No Bar Sur não há, por exemplo, o básico: um palco! Os músicos – três apenas, perfeitos – ocupam o fundo do salão.

As mesas ficam dispostas nas laterais – uma fileira ocupa a parede e a outra a frente do bar. Os bailarinos dançam no espaço (exíguo, sim, mas suficiente) entre as mesas:

E o resultado dessa receita para o desastre… é a mais absoluta perfeição!!! Inacreditável…
O espetáculo é ininterrupto, ao longo de todo o período de funcionamento da casa, ou seja, das 20:00 às 02:00 h, todos os dias. Não sei se é necessário, mas eu acho aconselhável fazer reservas, pois o salão não comporta mais do que umas 10 mesas – o que significa que, em dias de lotação esgotada, o público deve consistir em umas 20 pessoas ou pouco mais… No dia em que fomos, o público era pequeno mas eclético: eu e a minha tia Célia; duas moças de São Paulo, a Solange e a Cristina; um casal inglês; e uma família espanhola, de Málaga – com uma menininha de uns 8 anos de idade que se divertiu a valer, cantando e dançando até altas horas!

Ah, sim, é importante dizer que o espetáculo é participativo. Isso significa que não faltam oportunidades para o respeitável público revelar seus talentos artísticos (ou nem tanto…) As cantoras oferecem o microfone sempre que a música é mais conhecida, e mesmo os mais tímidos acabam entrando na brincadeira.


Sempre que um número de dança termina, os bailarinos (que são, todos, também professores de dança) convidam as pessoas para dançar. Eu achei uma delícia: cantei, dancei, depois cantei de novo, dancei de novo, já estava até achando que iam me oferecer um emprego…

Foi a noite de tango mais divertida da minha vida. Foi também uma das mais caras – o show em si está na média de preço, 180 pesos. Mas o item mais barato do cardápio, uma garrafinha de água mineral, custa 20 pesos. Uma garrafa de vinho simplesinho, tipo um Los Alamos, sai a 90 pesos. É caríssimo, sem dúvida. Mas quem vai por acaso reclama? De jeito nenhum!!! Digo e repito: é o preço da exclusividade. Não vejo outro modo de sustentar um show de tanta qualidade com um público tão limitado a não ser com preços altos. E digo mais: eu pagaria tudo de novo, valeu cada centavo!

Lá mesmo eu decidi: não quero mais experimentar outro show. Provavelmente vou virar freqüentadora assídua do Bar Sur, vou voltar todas as vezes em que for a Buenos Aires. E agora que tomei o gostinho, umas aulinhas de tango viriam bem a calhar… (Mais um item pra minha listinha de coisas a fazer quando terminar o doutorado!!!)
Para ler um pouco mais sobre o Bar Sur, clique aqui:
- Viaje na Viagem (Viaje Aqui): nessa enquete surgiram várias outras sugestões, mas o Bar Sur continua imbatível;
- A Turista Acidental: a Emília também se divertiu muitíssimo passando uma noite no Bar Sur;
- Vem Comigo: o Breno B. foi outro que aprovou!
Mon 9 Jul 2007
Eu já contei uma vez sobre a minha antiga relutância quanto aos shows de tango… Demorei 7 anos para ter vontade de ir assistir a um – e acabei indo ao Señor Tango, na minha opinião a pior escolha que alguém pode fazer se quiser ir a um show de tango em Buenos Aires…
O Señor Tango é uma das casas de tango mais freqüentadas pelos turistas, mas o espetáculo não foi do meu agrado, não… Falando primeiro dos pontos positivos, o lugar é muito bonito, o espetáculo é grandioso, os bailarinos e músicos são muito bons, mas no todo o show é hollywoodiano demais, e resvala sem dó para o brega… Ah, isso sem contar a hora em que os cavalos adentram o palco – cavalos em show de tango eu achei meio exagerado…


Na minha segunda tentativa, eu assisti ao show de tango mais apaixonante do mundo: o do El Viejo Almacén. O lugar é minúsculo, o conforto é pouco, mas o espetáculo é poderoso – os bailarinos e músicos são estupendos e a própria proximidade da platéia com o palco aumenta a emoção…


Atualizando: Eu fui ao Viejo Almacén em abril de 2004 – infelizmente, parece que no período de lá para cá (novembro de 2007) muita coisa mudou…
Um outro show interessante foi o do Piazzolla Tango. O Piazzolla tem uma vantagem indiscutível sobre as outras casas de tango: fica localizado em plena Florida, na Galería Güemes, o que, para mim, tem um encanto todo especial… Li um conto do Julio Cortázar chamado “El otro cielo”, no qual o personagem principal, ao cruzar a Galería Güemes, em Buenos Aires, saía na Galerie Vivienne, em Paris… Claro que eu faço questão de atravessar a galeria todas as vezes, mas ainda não tive a sorte de sair em Paris, não…
Além dessa atmosfera mágica, o Piazzolla tem a seu favor um teatro lindíssimo, e a coragem de basear um espetáculo de tango praticamente inteiro na obra de Astor Piazzolla, tantas vezes relegado a segundo plano pelos puristas do tango…

Uma dica: se você se interessar por um dos shows, não perca o seu tempo com os jantares das casas de tango – não valem a metade do preço que se paga. Uma boa idéia é ir apenas assistir ao show, tomar uma taça de vinho e depois sair para jantar em um restaurante à sua escolha. O jantar será melhor para o seu paladar e também para o seu bolso – eu garanto! Ah, sim, e até onde já verifiquei, os ingressos são mesmo mais baratos com os guias das agências de turismo do que diretamente no teatro. Isso significa que, mesmo que você viaje por conta própria, certamente alguém na recepção do seu hotel poderá indicar um guia para te vender ingressos a preços bem melhores que os da bilheteria…
Duas opções que eu ainda não conferi – já que sou novata no terreno do tango – são o Bar Sur e o Café Tortoni, considerados uma experiência mais ”autêntica” do que os grandes shows… Esse ano eu pretendia ir ao Tortoni, mas não resisti à idéia de ir assistir à Tanguera, o musical do Teatro El Nacional, e aí achei que era tango demais para uma Carla só…
Sat 24 Feb 2007
O show de tango que eu mais detestei assistir foi o do Señor Tango – êpa, propaganda negativa assim à toa? Achei hollywoodiano demais, exagerado demais, brega demais… Não deu pra agüentar, não… Na hora em que eu vi aqueles cavalos adentrando o palco, então, tive que me segurar pra não sair correndo na direção oposta! Mas, às vezes eu remo contra a maré – e o show do Señor Tango é um dos mais badalados…
Dos mais conhecidos, um que eu assisti e gostei foi o do Viejo Almacén. Tem tudo pra dar errado – o lugar é minúsculo, todo mundo fica espremido, é um desconforto só. Mas os músicos são impecáveis, e os bailarinos idem. No instante exato em que começa o show todo e qualquer desconforto é deixado de lado na hora.
Um show menos tradicional, que também me agradou, foi o do Piazzolla Tango. Imperdível para quem curte Piazzolla, tantas vezes deixado de lado nos shows mais tradicionais.
Mas, dessa vez, quero ir ver o show do Café Tortoni. O Tortoni é tão fascinante pra mim quanto a Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro – claro, por conta dos escritores que freqüentavam os dois locais, esse é sempre o meu ponto fraco…
Vamos ver se o show vai corresponder à minha expectativa!
Dicas da caixa de comentários:
* A Paula dá uma opinião diferente sobre o Señor Tango – leia aqui.